ENERGIA
Especialista do SENAI CIMATEC diz que Brasil tem "potencial absurdo" de energia
Jorge Câmara defende o aproveitamento integral do potencial energético brasileiro

A vulnerabilidade do Brasil a fatores externos segue como uma das principais preocupações das empresas quando o assunto é segurança energética. A avaliação é de Jorge Câmara, do SENAI CIMATEC, um dos convidados do iBEM (The International Meeting on Brazil’s Energy Market), que começou nesta terça-feira, 24. Ele destaca como conflitos internacionais e oscilações no mercado global impactam diretamente os custos e a operação no país.
“Hoje a gente tem uma condição que eu diria que, das nossas ofertas de energia, que estão muito sensíveis a determinadas condições, inclusive externas. O que está acontecendo hoje com relação ao conflito que a gente tem no exterior, isso termina impactando no nosso dia-a-dia, no valor da energia consumida, no valor, às vezes, do óleo diesel, que impacta em logística, uma série de coisas”, afirmou.
Segundo ele, essa dependência cria um efeito em cadeia difícil de ser interrompido. “Eu diria que a questão muito mais das empresas, no que se diz respeito à segurança energética, seria essa vulnerabilidade que, hoje em dia, a gente ainda tem, daqui no Brasil, a essas condições externas”, disse. “Isso termina impactando para a empresa e para a gente consumidor, porque isso é uma bola de neve. Não tem como a gente, hoje em dia, quebrar essa reação em cadeia".
Embora reconheça que fatores internos, como períodos de escassez hídrica, também possam afetar o sistema, Câmara ressalta que esses cenários são mais controláveis. “É óbvio que, por exemplo, a gente passa por alguma situação de escassez hídrica, mas isso é uma questão mais interna que a gente pode tentar ajustar com a matriz energética diversificada”, explicou.
Potencial energético e caminhos possíveis
Para reduzir essa vulnerabilidade, o especialista defende o aproveitamento integral do potencial energético brasileiro, que considera “absurdo”. Ele cita fontes já conhecidas, como petróleo, energia eólica, solar e biocombustíveis, além de novas possibilidades.
Entre as alternativas, Câmara menciona até mesmo o hidrogênio geológico, ainda em fase de pesquisa. “O hidrogênio que pode ser obtido de forma natural, similar ao petróleo. E aqui tem algumas pesquisas que já apontam que o Brasil tem o potencial, também, para produzir esse tipo de elemento, de energia”, destacou.
Para ele, investir de forma ampla nessas fontes é essencial para garantir segurança e desenvolvimento. “Se nós pudéssemos estar, efetivamente, investindo em todos esses tipos de geração e de elementos, seria extremamente importante”, pontuou.
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Energia e desenvolvimento humano
O aumento do consumo energético também está diretamente ligado à melhoria das condições de vida, segundo o especialista. Ele cita dados do balanço energético nacional para defender a ampliação do consumo per capita no país.
“A gente precisa chegar num consumo de energia per capita próximo de seus 2 toneladas equivalentes de petróleo per capita ao ano. A gente, hoje, está com 1.48”, afirmou. “O consumo de energia está associado a melhoria de expectativa de vida, a menor taxa de alfabetismo. Há uma série de indicadores que falam, efetivamente, de desenvolvimento humano".
Nesse cenário, Câmara defende uma política de Estado que incentive o uso diversificado das fontes energéticas, sempre com foco na sustentabilidade. “O Brasil, hoje, tem um potencial absurdo e que a gente precisa se debruçar sobre as possibilidades e sobre as alternativas que o Brasil pode ser para que o governo possa, efetivamente, ter uma política de Estado que incentive o uso dessas energias na sua total potencialidade”, disse.
Transição energética exige equilíbrio
Ao abordar a transição energética, o especialista faz um alerta contra a polarização entre diferentes fontes. Para ele, todas apresentam vantagens e desafios.
“Eu não gosto, muitas vezes, de criminalizar uma energia em função da outra. Todas têm seus pontos positivos e seus pontos negativos”, afirmou. “Se a gente vai falar de uma hidráulica, a gente tem problema. De uma solar, a gente tem problema. De uma eólica, também".
Por isso, ele defende uma abordagem equilibrada. “Nesse universo da transição energética, a gente precisa ter cuidado para saber lidar com todas elas e com todos os potenciais que elas podem estar nos ofertando. E, claro, tendo o cuidado com o planeta”, destacou.
A preocupação com o futuro também aparece em tom pessoal. “A gente precisa pensar no planeta para gerações futuras. Eu, hoje, tenho um filho de três anos e eu preciso estar sempre tomando as minhas decisões e pensando nele também”, concluiu.
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