ENTREVISTAS
"O Carnaval consolidou a Bahia como destino turístico-cultural", diz Sufotur
Gustavo Stelitano destaca os desafios e conquistas do Carnaval da Bahia

O Carnaval da Bahia movimenta bilhões, atrai milhões de pessoas e, na avaliação de Gustavo Stelitano, consolidou-se como um dos pilares do turismo nacional.
“A presença de grandes atrações, aliada ao protagonismo dos artistas baianos, amplia o alcance da nossa cultura e consolida a Bahia como destino turístico-cultural estratégico”, afirma, nesta entrevista ao A TARDE.
À frente da Superintendência de Fomento ao Turismo (Sufotur),ele lembra que a dimensão da festa impõe desafios que vão muito além da programação artística.
“Estamos falando de um megaevento que reúne um público muito superior à população de Salvador”, destaca, ao citar a necessidade de planejamento e integração entre órgãos do governo.
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Advogado de formação, Stelitano integrou a antiga Bahiatursa, que foi substituída pela Sufotur.
Diferentemente da estrutura anterior, voltada à promoção do destino Bahia nos mercados nacional e internacional, a superintendência passou a focar na realização dos grandes eventos e nas contratações dos artistas.
“Neste Carnaval, todos os artistas subiram no palco já com o contrato na mão”, diz. Confira mais na entrevista a seguir.
Leia entrevista completa
A Bahia recebeu 3,7 milhões de turistas neste Carnaval, superando os números de todos os anos anteriores. Como o senhor avalia o impacto da festa para consolidar a Bahia como destino turístico estratégico?
O Carnaval da Bahia já é referência mundial em festa de rua. Tem identidade própria, estrutura consolidada e retorno econômico garantido para todos os envolvidos.
É um dos principais ativos do turismo brasileiro. Durante o período da festa, há intensa movimentação na rede hoteleira, no setor de serviços, no transporte e no comércio. São mais de R$ 8 bilhões injetados na economia.
A presença de grandes atrações, aliada ao protagonismo dos artistas baianos, amplia o alcance da nossa cultura e consolida a Bahia como destino turístico-cultural estratégico.
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O folião quer somente curtir a festa, mas existe muito trabalho nos bastidores para que ela, de fato, aconteça. Qual é o principal desafio na realização de um evento de tal envergadura?
A dimensão do Carnaval da Bahia impõe desafios que vão muito além da programação artística. É preciso coordenar estruturas, ter alinhamento com órgãos de governo parceiros na festa, dialogar com artistas, produtores, trabalhadores e forças de segurança.
Neste Carnaval, o governo da Bahia reforçou a integração institucional, ampliando as ações ambientais, fortalecendo o apoio à reciclagem e desenvolvendo políticas de amparo aos trabalhadores da folia.
Foram quase cinco mil catadores beneficiados diretamente pelo governo do Estado. Também promovemos campanhas de enfrentamento à violência de gênero e ao racismo. O Carnaval é celebração, mas também é espaço de afirmação de políticas públicas.
Na sua opinião, a segurança funcionou a contento?
Estamos falando de um megaevento que reúne um público muito superior à população de Salvador, mais uma vez sem uma morte violenta – e pelo terceiro ano consecutivo.
Então, é um resultado notável do planejamento e da ação do governo do Estado por meio da secretaria de Segurança Pública. Foram mais de 37 mil policiais e bombeiros atuando, sem parar, todos os dias, para garantir a segurança de baianos e de turistas.
Como a Sufotur trabalha nestes grandes eventos, principalmente no Carnaval? Imagino que é uma logística complexa, não?
É uma logística pesada, que exige planejamento técnico e, principalmente, integração entre órgãos do governo, prefeituras e a própria iniciativa privada.
O Carnaval é uma festa coletiva, popular, apesar da participação decisiva do Estado em segurança, proteção aos trabalhadores infraestrutura e difusão cultural.
Como isso se traduz em números?
Traduz-se na presença efetiva do Estado nos circuitos oficiais, nos bairros e em diferentes frentes da programação cultural. A Sufotur apoiou palcos, trios, projetos especiais e apresentações descentralizadas, ampliando o acesso da população à festa.
Houve investimento na diversidade de linguagens musicais e no fortalecimento de diferentes territórios da cidade, garantindo um Carnaval democrático, plural e acessível.
E o Carnaval no interior?
O governo apoiou o Carnaval em todos os 27 territórios de identidade e asseguramos a realização da festa em mais de 150 municípios baianos, ampliando oportunidades para artistas e técnicos, movimentando cadeias produtivas locais e distribuindo renda.
O resultado disto é o fortalecemos o turismo interno e a reafirmação do Carnaval como instrumento de inclusão social e desenvolvimento econômico.
Qual balanço o senhor faz do seu primeiro Carnaval à frente da Sufotur?
Muito positivo. Do ponto de vista operacional, tivemos um padrão técnico elevado nos trios elétricos e nas diversas estruturas montadas.
Não houve registros de quebras ou grandes intercorrências nos equipamentos patrocinados pelo Estado.
A experiência da nossa equipe técnica foi decisiva para ajustar rapidamente os atrasos logísticos ou as readequações de percurso.
O senhor tem uma trajetória na gestão pública, com passagens pela Fundação Luís Eduardo Magalhães (Flem), pela antiga Bahiatursa, pela secretaria de Educação do estado e pela governadoria. De que forma essa experiência contribui para sua atuação à frente da Sufotur?
Recebi como missão, confiada pelo governador Jerônimo Rodrigues. Acredito que a minha experiência de vida pública tenha contribuído para essa escolha, inclusive. É um grande desafio profissional, porque a Sufotur tem grande importância na realização de grandes eventos, a exemplo do Carnaval e do São João.
A primeira coisa que fiz quando ocupei o cargo foi buscar um alinhamento estratégico e integrado com as secretarias afeitas ao nosso objetivo, como Turismo e Cultura, sob a coordenação da secretaria de Relações Institucionais, comandada por Adolpho Loyola.

Ao justificar a criação da Sufotur como instrumento para dar mais agilidade e reduzir a burocracia no apoio às atividades culturais, o governador Jerônimo Rodrigues destacou a necessidade de tornar os processos mais eficientes. Na prática, que mudanças estruturais e operacionais a superintendência implementou para garantir essa maior rapidez no fomento ao turismo e aos grandes eventos no estado?
Rapidez é importante, mas sempre aliada à organização e à responsabilidade fiscal. Trabalhamos na padronização de fluxos internos e na melhoria dos procedimentos administrativos.
A nossa principal preocupação é de que os grandes eventos ocorram com qualidade, segurança e respeito aos recursos públicos. E sempre integrados às políticas públicas do governo do Estado.
A Sufotur foi criada em março de 2023, sucedendo a Bahiatursa, mas ainda não possui um regimento interno formalizado. Qual a importância dessa regulamentação para definir competências e organizar os fluxos processuais de grandes eventos?
Desde que assumimos, constituímos um grupo de trabalho para estruturar o regimento interno, organizando competências e fluxos processuais, especialmente para grandes operações como Carnaval e São João. Essa organização interna é fundamental para dar mais eficiência, transparência e segurança administrativa às ações da superintendência.
Após manifestações de alguns empresários e produtores do setor musical sobre atrasos no pagamento de cachês em eventos realizados pelo estado, especialmente no período junino, como o senhor responde a essas queixas e quais são os procedimentos adotados para assegurar a regularidade e a transparência nos pagamentos?
Existem situações de atraso, mas não por falta de compromisso do governo do Estado. Há um rigor fiscal necessário na utilização de recursos públicos, que exige documentação completa e regularidade contratual.
Estamos dialogando com as empresas de produção artística, e diretamente com os artistas, para sanar pendências e aperfeiçoar os fluxos administrativos. O compromisso é garantir transparência, legalidade e regularização das situações existentes.
Com a chegada do São João, que mobiliza praticamente todos os municípios, o volume de trabalho aumenta significativamente?
Eu costumo dizer aqui que a gente já faz o balanço do Carnaval e já vai vendo o que deu certo, o que não deu certo, para poder fazer ajustes já para o ano que vem. Essa experiência que a gente tem agora precisa ser feita neste momento, para não perder a memória.
Fora isso, tem o São João. O São João a gente já vem tratando desde quando eu entrei: em que formato vai ser, se será o mesmo do ano passado, como vão ser os valores. Tem a questão da transferência de recursos para os municípios. Quando vai ser o período dos eventos — ou seja, de 1º de junho a 30 de junho.
A gente sabe que está em um ano eleitoral e que não pode fazer nenhuma transferência de recursos após o período de vedação, que é por volta de 3 ou 4 de julho, três meses antes do pleito.
Tudo neste ano tem que ser feito de forma muito antecipada, para não ter nenhum problema, nenhum impedimento legal. Porque não basta só fazer o convênio, é preciso transferir o recurso. Se você transfere o recurso no período de vedação, é penalizado. Então, isso precisa ser feito com bastante antecedência
Para encerrar, quais são as principais metas da Sufotur para os próximos anos e que legado o senhor espera deixar à frente da superintendência para o fortalecimento dos principais eventos turístico-culturais na Bahia?
Nosso compromisso é permanente. Encerramos uma grande operação e já iniciamos o planejamento dos próximos eventos que mobilizam todo o estado, como é o caso do São João.
Seguimos com o objetivo de aprimorar processos, fortalecer parcerias institucionais e ampliar o alcance das políticas públicas voltadas ao turismo e à cultura. O legado que buscamos é o de uma Sufotur estruturada, técnica, integrada e capaz de posicionar os grandes eventos da Bahia como instrumentos permanentes de desenvolvimento econômico e inclusão social.
O Carnaval 2026 foi gigante. E não só na avenida, foi gigante nos resultados, na organização e no cuidado com cada detalhe. Quando a gente vê os números, vê também o que está por trás deles: planejamento sério, equipe comprometida e respeito por quem faz essa festa acontecer todos os dias.
Foram milhões de pessoas, investimentos históricos e políticas públicas funcionando de verdade. Orgulho de fazer parte desse trabalho e de contribuir para que a Bahia siga sendo referência turística e cultural para o Brasil e para o mundo.
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