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ENTREVISTA

Aurinézio Calheira: "O Polo de Camaçari está cada vez mais diversificado"

Confira entrevista do superintendente do Comitê de Fomento Industrial de Camaçari (Coifc)

Divo Araújo
Por Divo Araújo
O superintendente do Comitê de Fomento Industrial de Camaçari (Cofic), Aurinézio Calheira
O superintendente do Comitê de Fomento Industrial de Camaçari (Cofic), Aurinézio Calheira - Foto: Divulgação

Em meio ao novo ciclo de investimentos no Polo Industrial de Camaçari, o superintendente do Comitê de Fomento Industrial de Camaçari (Cofic), Aurinézio Calheira, avalia que o complexo vive um processo crescente de diversificação produtiva, com avanço de setores ligados à indústria automotiva, fertilizantes, celulose e transição energética. Nesta entrevista a A TARDE, ele defende que o Polo segue conectado às transformações tecnológicas globais, destaca o papel estratégico das novas cadeias produtivas e afirma que os desafios atuais passam pela ampliação da competitividade, inovação e sustentabilidade da indústria baiana. Confira abaixo os principais trechos da entrevista.

Depois de anos marcados pela saída da Ford e pela perda de dinamismo industrial, é possível dizer que o Polo Industrial de Camaçari vive uma nova fase?

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Inobstante a relevância e maior densidade industrial do segmento químico e petroquímico, o Polo de Camaçari está cada vez mais diversificado em suas atividades, reunindo atualmente empresas líderes em seus segmentos de atuação e que operam globalmente. É assim nas áreas química e petroquímica e em outros segmentos igualmente importantes, entre os quais automóveis, pneus, celulose solúvel e fertilizantes. Essa condição gera diferenciais competitivos e oportunidades ao longo das cadeias produtivas, especialmente na área de transformação industrial, ampliando a incorporação de inovações e atualizações tecnológicas, além do aumento da geração de emprego, renda e desenvolvimento para a região.

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O Polo nasceu fortemente ligado à indústria petroquímica. Como acontece hoje o diálogo entre essa indústria tradicional e os novos segmentos ligados à tecnologia, sustentabilidade e transição energética?

As empresas do Polo industrial de Camaçari fabricam produtos e utilidades que se transformam em bens finais presentes no dia a dia das pessoas, gerando facilidades, proteção, saúde e bem-estar. As principais linhas de aplicação dos produtos petroquímicos e químicos são os plásticos, fibras sintéticas, borrachas sintéticas, resinas e pigmentos. Após transformados, resultam em embalagens, utilidades domésticas, mobiliário, materiais de construção, vestuário, calçados, componentes industriais, tintas, produtos de limpeza, corantes, medicamentos, fraldas, absorventes higiênicos, defensivos agrícolas e fertilizantes. O Polo fabrica também automóveis, pneus, celulose solúvel, cobre eletrolítico, produtos têxteis, fertilizantes, equipamentos para geração de energia eólica, bebidas, dentre outros produtos.

Quais são hoje os principais gargalos para que Camaçari consiga agregar mais tecnologia, inovação e valor à produção industrial?

Na visão do Cofic, os principais desafios também abrem um leque de oportunidades. Por isso, as empresas do Polo, por meio do Cofic, em parceria com a Fieb, prefeituras dos municípios vizinhos, dentre outros parceiros estratégicos, mantêm interlocução permanente com o governo do Estado, com base numa agenda positiva que prevê o mapeamento de oportunidades que contribuam para a sustentabilidade e competitividade do Polo em áreas estratégicas.

Apesar dessa retomada, o Polo de Camaçari passou décadas sem acompanhar a velocidade das transformações tecnológicas globais. Na sua avaliação, houve falta de visão estratégica das empresas, ausência de política industrial ou acomodação institucional?

Por estarem em conexão com mercados globais, tanto para a venda de produtos, quanto para compra de produtos e insumos essenciais suas atividades operacionais, as empresas do Polo sempre estiveram atentas e ajustadas aos desafios globais, especialmente os de natureza tecnológica e de inovação. Nos últimos anos, ampliaram o uso de matérias-primas oriundas de fontes renováveis nos seus processos operacionais, dentre outras ações e projetos no campo da transição energética, estratégicos para a elevação dos padrões de competitividade.

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