ESPECIAL INDÚSTRIA
Tecnologia a serviço do desenvolvimento impulsiona o agronegócio
Bahia acelera a verticalização para dominar novos mercados


O beneficiamento da produção agrícola passa necessariamente pela tecnologia, e produtores e governos buscam parcerias para o desenvolvimento de equipamentos adequados. Custos acessíveis, tecnologia sustentável e volume estão na mira da cadeia produtiva. O SENAI/CIMATEC, um dos mais avançados centros de educação, pesquisa, desenvolvimento e inovação, tem vertente dedicada ao campo.
“Atuamos como parceiro estratégico na implantação de tecnologia no campo, com uma abordagem transversal que abrange várias frentes da agroindústria”, explica o gerente de Negócios da instituição, Jorge Lepkson.
Segundo ele, o CIMATEC voltou ainda mais o olhar para o setor em 2023, quando a área foi formalizada, a partir da expertise em engenharia e mecanização. O apoio tem como alicerces pesquisa e desenvolvimento, prestação de serviços e capacitação educacional.
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Lepkson conta que o pontapé inicial foi o Programa BRAVE (Brazilian Agave Development), parceria com a multinacional Shell e a Unicamp, focada no desenvolvimento da cadeia industrial da agave (sisal) no sertão nordestino para a produção de etanol.
“A meta era a verticalização da cadeia do sisal, utilizando a biomassa da agave, da qual apenas 5% é aproveitada para fibra, para produção de biogás e outras aplicações”, informa. A ideia incluiu também a preservação da caatinga, evitando desmatamento, com oferta de alternativas energéticas.
Os protótipos são desenvolvidos até um nível pré-industrial e depois licenciados a empresas prioritariamente brasileiras para produção e comercialização. Mecanização sob demanda é direcionada a culturas como cacau e palma. O uso de robótica e softwares acoplados a drones, por exemplo, ocorreu para identificar os melhores pontos de maturação de frutas, auxiliando produtores na colheita. Já a área de laticínios contou com estudo de vida de prateleira de queijo de cabra de vários tipos para produção de achocolatado de cabra, entre outras.
No âmbito da mecanização do campo, a Seagri tem investido na entrega de kits produtivos (tratores e implementos) às agroindústrias familiares. Há também o aumento do ticket médio do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf ) para até R$ 15 mil, facilitando a compra de maquinário de pequeno e médio portes.
Outro vetor importante é a promoção de feiras de negócios, como a Bahia Farm Show, que facilitam o acesso a linhas de crédito especiais para a modernização de frotas e plantas industriais.
Abapa projeta polo têxtil no estado
A Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa) projeta a criação de polo têxtil na Bahia, que lidera a produção nacional irrigada: são 417,9 mil hectares, com produtividade de 2.030 kg/ha. A presidente da Abapa, Alessandra Zanotto Costa, destaca que a Bahia tem uma das cotoniculturas mais modernas do País, altamente tecnificada, sustentável e reconhecida pela qualidade da fibra, reunindo fatores muito favoráveis à agroindústria.
Para que isso se torne realidade, ela defende ambiente melhor para o investidor. “Vontade política, segurança jurídica e infraestrutura confiável, especialmente no fornecimento de energia, que é um fator decisivo para a indústria”, elenca. Para a Abapa, a verticalização passa por trabalho de base em rastreabilidade, sustentabilidade e tecnologia.




