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MP investiga possível infiltração de facção no Corinthians

Ministério Público de São Paulo apura crimes em diversas gestões do Corinthians e envolve até o PCC

Redação
Por Redação
O Ministério Público de São Paulo amplia as investigações sobre o Corinthians, apurando despesas de gestões passadas, notas frias e suposta relação com o crime organizado. Saiba mais sobre o escândalo que abala o clube.
O Ministério Público de São Paulo amplia as investigações sobre o Corinthians, apurando despesas de gestões passadas, notas frias e suposta relação com o crime organizado. Saiba mais sobre o escândalo que abala o clube. - Foto: Reprodução / Corinthians TV

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) ampliou as investigações sobre o Corinthians. O Procedimento Investigatório Criminal (PIC), instaurado em 30 de julho, apura inicialmente o uso indevido de cartões de crédito corporativos nas gestões de Andres Sanchez e Duilio Monteiro Alves. Posteriormente, as apurações passaram a incluir também despesas da presidência, envolvendo inclusive o mandato de Augusto Melo, além de suspeitas de falsidade ideológica, furto qualificado, associação criminosa, estelionato e apropriação indébita.

O caso ganhou novas dimensões após o depoimento de Romeu Tuma Júnior, presidente do Conselho Deliberativo do clube. Em 14 de agosto, ele declarou ao MP que "o crime organizado se infiltrou" no Corinthians e relatou ter recebido ameaças por sua atuação.

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Entre as linhas de investigação, o promotor Cássio Roberto Conserino suspeita que jogadores do clube tenham se hospedado em imóvel pertencente a José Carlos Gonçalves, o Alemão, apontado em outras apurações como figura ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Por isso, Fausto Vera, Rodrigo Garro e Talles Magno foram questionados na condição de testemunhas. A promotoria quer esclarecer se o trio realmente morou no apartamento localizado no bairro Anália Franco e se houve intermediação do Corinthians na locação. Até o momento, não há qualquer suspeita de prática criminosa por parte dos atletas.

Além desse episódio, o clube já havia sido citado em outras situações envolvendo o crime organizado. Segundo a Polícia Civil e o MP, valores do contrato com a ex-patrocinadora VaideBet teriam sido destinados a empresas ligadas ao PCC. O ex-diretor de futebol Rubens Gomes, o Rubão, também apontou relações semelhantes em 2023. No ano seguinte, uma investigação revelou que Rafael Maeda Pires, o Japa do PCC, teria intermediado negociações de jogadores como Du Queiroz e Igor Formiga.

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Paralelamente, o Corinthians informou que já começou a entregar ao MP os documentos solicitados referentes ao período de 2018 a 2025. Inicialmente, foram apresentadas apenas as faturas dos cartões corporativos, mas depois a diretoria confirmou o envio também dos relatórios de despesas da presidência. Até a noite da última segunda-feira, 15, a promotoria ainda não havia confirmado o recebimento integral dessa documentação.

Ainda na segunda-feira, estava previsto o depoimento de João Clóvis, dono de um restaurante suspeito de emitir notas frias ao clube na gestão de Duilio Monteiro Alves. No entanto, a oitiva foi adiada após a defesa de Clóvis entrar com um habeas corpus.

Nos próximos passos da investigação, o promotor Conserino pretende ouvir o vice-presidente Armando Mendonça. O depoimento já está agendado para a próxima segunda-feira, 22. Antes, ele já havia interrogado o atual presidente Osmar Stabile e outros dirigentes.

O MP pediu à Justiça, em 21 de agosto, o afastamento dos últimos três presidentes do Corinthians, ainda antes da eleição indireta que conduziu Stabile ao cargo em mandato-tampão até 2026. Também foi solicitada a quebra de sigilo dos cartões de crédito, mas não houve decisão judicial até o momento.

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