MINAS GERAIS
Dia Mundial do Queijo: conheça o casal que trocou engenharia pela fazenda
Descubra como Bianca e Gustavo transformaram um sonho familiar em referência na gastronomia

No coração da Serra da Mantiqueira, em Itamonte, Minas Gerais, uma história de superação e respeito às raízes transforma o cenário da gastronomia mineira. No Dia Mundial do Queijo, celebrado nesta segunda-feira, 20, a trajetória da Queijaria Velho Pitta destaca-se como um exemplo de como o queijo artesanal pode unir tradição familiar e excelência reconhecida internacionalmente. E o portal A TARDE embarcou para MG acompanhar essa história de perto.
O casal Bianca Lamenha e Gustavo Pitta abandonou carreiras consolidadas em uma estatal local para realizar o sonho do pai de Gustavo, um veterinário do exército que desejava viver na tranquilidade do campo. Hoje, a propriedade acumula mais de 30 prêmios nacionais e internacionais, produzindo queijos de leite cru com identidade própria.
O nascimento da Velho Pitta
A transição para a agropecuária não foi imediata. Após tentativas frustradas com o cultivo de frutas e a criação de ovinos, o casal encontrou sua vocação na pecuária leiteira. "A gente não queria matar nenhum animal, então fomos para o leite em 2010", explica Bianca Lamenha.

O nome da fazenda é uma homenagem póstuma. "Gustavo comprou a propriedade para realizar o sonho do pai e deu o nome de Velho Pitta, que era como ele chamava o pai dele", relembra a produtora.
Identidade e a conquista do selo arte
Durante a pandemia de Covid-19, um movimento de união entre prefeitura, sindicatos e órgãos como Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) e Ministério da Agricultura ajudou a caracterizar a região. Antes, os queijos eram vendidos sem identidade formal, hoje, ostentam o Selo Arte, que permite a comercialização em todo o território nacional.

"O queijo não tinha um nome, uma história ou identidade. Foi feita essa caracterização da região e os produtores começaram a se registrar", conta Bianca. A queijaria produz o legítimo Mantiqueira de Minas, um tipo de queijo que utiliza o pingo (fermento natural) e leite cru.
Bem-estar animal e o diferencial do terroir
O diferencial do sabor, segundo os produtores, está no terroir— a combinação única de solo, água, altitude e clima da Mantiqueira. Além disso, o manejo é focado no bem-estar animal. As vacas não são numeradas, mas chamadas pelos nomes, e a propriedade é certificada como livre de tuberculose e brucelose.
"Aqui tudo tem nome. Temos vacas com até 11 crias, porque não descartamos o animal quando ele para de produzir. Ele fica conosco até o fim da vida", destaca Bianca.

Atualmente, o rebanho conta com 46 animais, sendo 27 em lactação, com uma média de produção de 28 litros por animal. O controle sanitário é rígido: qualquer animal novo passa por quarentena e testes duplos antes de se juntar ao grupo.
O queijo Mantiqueira de Minas
Diferente do tradicional Parmesão, o Mantiqueira de Minas é fruto de um estudo técnico que envolveu 11 municípios da região. A receita carrega a influência de imigrantes italianos, mas adaptada às condições locais.
"O sabor vem da qualidade da água, da alimentação e da terra. É o que define nossa região", finaliza a queijeira, reforçando que o foco na qualidade, e não apenas na quantidade, foi o que colocou Itamonte no mapa mundial dos queijos premiados.

Sobre Itamonte
Localizada em um dos pontos mais altos da Serra da Mantiqueira, a cidade de Itamonte consolida-se como um dos pilares da produção leiteira em Minas Gerais, beneficiada por um ecossistema único que favorece a maturação de queijos de excelência.
A relevância do município vai além do volume de produção. Itamonte faz parte do seleto grupo de cidades que compõem a região da Mantiqueira de Minas, área reconhecida pela produção de queijo de leite cru com identidade própria.

O clima frio, a altitude elevada e a pureza das águas da região criam o terroir ideal, que imprime características sensoriais complexas e únicas aos produtos, permitindo que as queijarias locais, como a Velho Pitta, conquistem medalhas em concursos mundiais e projetem o nome do estado como referência global em gastronomia artesanal.
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