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Hamas examina contraproposta de Israel para trégua em Gaza

Discussões acontecem em meio às pressões internacionais para dissuadir Benjamin Netanyahu de invadir Rafah

Publicado sábado, 27 de abril de 2024 às 17:04 h | Autor: AFP
Governo israelense afirma que quatro batalhões do Hamas estão em Rafah
Governo israelense afirma que quatro batalhões do Hamas estão em Rafah -

O Hamas se comprometeu, neste sábado, 27, a examinar uma contraproposta de Israel, que prevê o estabelecimento de uma trégua na Faixa de Gaza e a libertação dos reféns sequestrados pelo movimento islamista palestino desde o início da guerra, há mais de seis meses.

Por outro lado, o Hamas divulgou um vídeo no qual dois dos reféns que mantém cativos em Gaza desde 7 de outubro pedem ao governo do premiê Benjamin Netanyahu para chegar o quanto antes a um acordo que lhes permita recuperar a liberdade.

As iniciativas coincidem com a presença em Israel de uma delegação egípcia que busca reativar as negociações para uma trégua.

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"Hoje, o Hamas recebeu a resposta oficial da ocupação sionista [Israel] à nossa posição, enviada aos mediadores egípcios e cataris em 13 de abril", afirmou o número dois da ala política do movimento em Gaza, Khalil al Hayya.

"O movimento estudará esta proposta e enviará sua resposta assim que seu estudo estiver concluído", acrescentou.

Rafah na mira de Israel

As discussões acontecem em meio às pressões internacionais para dissuadir Israel de invadir Rafah, cidade no sul de Gaza onde 1,5 milhão de pessoas estão aglomeradas, a maioria deslocada pela guerra.

O governo israelense afirma que quatro batalhões do Hamas estão na localidade, na fronteira com o Egito, e que a guerra não acabará até que as tropas israelenses consigam extirpar o movimento islamista, considerado uma organização terrorista por Israel, Estados Unidos e União Europeia.

À espera desta eventual operação terrestre, o Exército voltou a bombardear Rafah neste sábado, constatou um jornalista da AFP. Fontes médicas afirmaram que pelo menos 10 pessoas morreram nas operações.

Uma família foi dizimada pelos ataques, disse Mohamed Yussef, familiar dos mortos. "Não sobrou ninguém: o pai, a mãe, uma menina e dois meninos morreram quando a casa foi bombardeada", disse.

A guerra começou em 7 de outubro, quando milicianos do Hamas invadiram o sul de Israel e assassinaram 1.170 pessoas, a maioria civis, segundo um balanço da AFP baseado em dados oficiais israelenses. Também sequestraram quase 250 pessoas.

Após uma troca de reféns por presos palestinos durante uma trégua em novembro, 129 pessoas permanecem em cativeiro, incluindo 34 que as autoridades israelenses acreditam terem morrido.

A ofensiva de represália de Israel deixou mais de 34.300 mortos, a maioria civis, segundo o Ministério da Saúde da Faixa de Gaza, governada desde 2007 pelo Hamas.

Blinken em Riade

As negociações de trégua têm a mediação de Catar, Egito e Estados Unidos.

Os detalhes da contraproposta do Hamas não foram divulgados, mas a imprensa israelense noticiou durante a semana que inclui a possível libertação de 20 reféns considerados "casos humanitários".

A emissora noticiosa egípcia Al Qahera News, vinculada aos serviços de inteligência do Cairo, destacou "progressos notáveis na aproximação das opiniões das delegações egípcia e israelense".

O chefe da diplomacia dos Estados Unidos, Antony Blinken, se reunirá com dirigentes regionais na segunda e na terça-feira na Arábia Saudita, informou o Departamento de Estado.

A guerra em Gaza multiplicou os confrontos na fronteira entre Israel e o movimento libanês Hezbollah.

O Hezbollah informou, neste sábado, ter bombardeado o norte de Israel com "drones e mísseis guiados", em resposta a bombardeios israelenses que mataram três pessoas, duas delas pertencentes ao movimento islamista pró-iraniano.

'Estamos cansados'

Alguns moradores retornaram para Khan Yunis, cidade do sul de Gaza destruída pelos combates em fevereiro.

"Estamos cansados", afirmou Abdelqader Mohamed Qwaider. "Insistimos em voltar e vamos nos instalar em uma barraca sobre os escombros de nossa casa", acrescentou.

O Programa Mundial de Alimentos (PMA) alertou que, sem um fluxo em larga escala e constante de ajuda alimentar, que até o momento entra principalmente por Rafah, Gaza entrará em um cenário de "fome nas próximas seis semanas".

Diante da dificuldade de transportar a ajuda internacional por estradas a partir do Egito devido aos controles rigorosos de Israel, o governo dos Estados Unidos começou a construir um cais temporário e uma doca na costa mediterrânea de Gaza, onde navios militares ou civis poderão deixar suas cargas.

Hamas divulga vídeo com reféns

No vídeo divulgado pelo Hamas, dois reféns - Omri Miran, de 47 anos, e Keith Siegel, de 64 - pediram aos israelenses para manter a pressão para que Netanyahu aceite um acordo.

"Estou aqui no cativeiro do Hamas há 202 dias. A situação é desagradável, difícil e são muitas bombas", disse Miran, o que indicaria que as imagens foram gravadas no começo desta semana.

"É hora de chegar a um acordo que nos tire daqui sãos e salvos [...] Continuem protestando para que haja um acordo agora", acrescentou.

O Fórum israelense de Famílias de Reféns e desaparecidos considerou que a divulgação deste vídeo deveria motivar o governo a aumentar seus esforços para libertar todos os reféns.

"Os sobreviventes devem retornar para sua recuperação e os assassinados devem receber um sepultamento digno", acrescentou.

Agitação em universidades dos EUA

Um movimento de solidariedade pró-palestinos que começou na semana passada na Universidade Columbia, em Nova York, se propagou por vários campi nos Estados Unidos, da Califórnia à Nova Inglaterra (nordeste), passando pelo sul do país.

Cerca de 100 manifestantes foram detidos na manhã deste sábado no campus da Universidade Northeastern, em Boston, e o acampamento foi esvaziado pela polícia, segundo nota à imprensa do estabelecimento e imagens publicadas nas redes sociais.

A universidade informou na rede social X que, durante a noite de sexta-feira, os manifestantes proferiram "violentos insultos antissemitas".

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