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Do Pelourinho para o mundo: Fundação Casa de Jorge Amado celebra 40 anos
Veja a programação especial da instituição

No coração do Pelourinho, em Salvador, um casarão azul segue contando histórias. Não apenas as que guarda em seu acervo, mas também as que ajuda a criar. Em 2026, a Fundação Casa de Jorge Amado celebra quatro décadas de existência com uma programação que se estende até março de 2027, reafirmando a vocação de ser um espaço vivo.
Criada ainda em vida pelo escritor Jorge Amado, ao lado das também escritoras Zélia Gattai e Myriam Fraga, a instituição nasceu com um propósito que, ao longo do tempo, mostrou-se resistente às mudanças de época: não ser apenas um lugar de preservação, mas de circulação.
A presidente da fundação, Angela Fraga, confirma que o espaço foi pensado como um organismo vivo. "Ao longo dos anos, esse conceito se expandiu em novas linguagens, ações educativas e abertura a diferentes expressões culturais", conta.
Essa ideia de pulsação constante ajuda a explicar por que a instituição se mantém relevante em um cenário de transformações no consumo cultural. A Casa atua como mediadora entre passado e presente, segundo a presidente. “A trajetória da Fundação evidencia o quanto, na Bahia, a literatura pode estar conectada com a vida cultural, dialogando com a música, a oralidade, as festas populares e as tradições afro-brasileiras”, diz Angela.
Conexão

Essa relação se intensifica pela localização. Instalada no Largo do Pelourinho, no Centro Histórico, a Fundação mantém uma conexão orgânica com o território. “As ações previstas para o aniversário, em sua grande maioria ganham as ruas e extrapolam os muros da instituição”, explica o diretor-executivo Ticiano Martins. Para ele, pensar a programação dos 40 anos foi equilibrar memória e projeção. “Não poderíamos pensar em outro formato, visto que se trata de um espaço que guarda a memória, mas que precisa existir sempre forte e atuante”.
Entre os pilares dessa atuação está a formação de leitores. Este é um eixo que ganha ainda mais força na programação comemorativa. “Incentivar o contato com a literatura desde cedo é investir em pensamento crítico, sensibilidade e cidadania”, pontua Angela.
É nesse contexto que surgem projetos como o Fundação Vai às Escolas, que busca ampliar o diálogo com o ensino formal. A proposta mira especialmente os mais jovens. A programação inclui ainda o Amado Clube de Leitura e oficinas de criação literária, como a de contos coordenada pelo escritor e membro da Academia de Letras da Bahia, Marcus Vinícius Rodrigues.
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Para ele, a relação com a Fundação é também pessoal. “Eu estreei na Fundação Casa Jorge Amado e não só; estreei por causa da Casa e do trabalho de Myriam para estimular novos autores”, relembra.
Décadas depois, retornar como formador tem um significado especial para Marcus. “O fato de a oficina integrar a programação dos 40 anos da Fundação me deixa muito feliz", conta. "É um círculo que se fecha”.
A proposta da oficina vai além da técnica. Segundo Marcus, trata-se de criar condições para que cada participante encontre sua própria forma de narrar. “Uma oficina não é um lugar de ensinar, é um lugar de aprender", afirma. "É o participante, por estar vivendo aquilo, que vai ter uma epifania”. A iniciativa reforça uma tradição da instituição no incentivo a novos autores, agora atualizada com formatos híbridos que combinam encontros online e atividades presenciais.
Celebração

Outro destaque da programação é a Flipelô, Festa Literária Internacional do Pelourinho, que chega à décima edição em agosto. Pensada como celebração da obra de Jorge Amado, a festa se consolidou como um dos principais eventos literários do país, reunindo escritores, artistas e público em torno da literatura.
Ao longo de 40 anos, a Fundação também precisou lidar com desafios estruturais. A busca por recursos é constante, mas não compromete a missão. “Promover cultura de boa qualidade a partir dos parcos recursos que possuímos continuará sendo o principal desafio”, reconhece Ticiano Martins.
Ainda assim, a instituição segue ampliando suas ações, investindo em digitalização de acervo, novos espaços expositivos e projetos pedagógicos. Para Angela, a Fundação não se define apenas pelo passado. “Os 40 anos da Casa falam simultaneamente de memória e de projeção”, resume.
Programação 40 anos Fundação Casa de Jorge Amado
26 de abril
Abertura simbólica das celebrações dos 40 anos
29 de abril (e todas as quartas até outubro)
Uma Quarta de FreePelô
Ações formativas, conversas literárias e apresentações culturais voltadas a estudantes de escolas públicas
Maio
Início do Amado Clube de Leitura – Encontros mensais para debate de obras de Jorge Amado
Fundação Vai às Escolas – Projeto de incentivo à leitura em instituições de ensino
Junho e julho
Oficina de Criação de Contos (online) - Coordenação: Marcus Vinícius Rodrigues
5 a 9 de agosto
Flipelô – Festa Literária Internacional do Pelourinho - Homenageada: Myriam Fraga
Merendas de Dona Flor - Experiência gastronômica inspirada nas obras de Jorge Amado
Novembro
Lançamento do edital do Prêmio Myriam Fraga para Autores Inéditos
Serviço
Local: Fundação Casa de Jorge Amado – Largo do Pelourinho, Salvador
Funcionamento: segunda a sexta, das 10h às 18h; sábado, das 10h às 16h
Ingressos: R$ 20 (inteira) | R$ 10 (meia) | Quartas gratuitas
Mais informações: Instagram @casadejorgeamado
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