MUNDO
De México a Haiti: relembre terremotos que devastaram a América Latina
Região acumula tragédias sísmicas ao longo de décadas


Os terremotos que atingiram a Venezuela na noite de quarta-feira reacenderam a memória de uma sucessão de tragédias sísmicas que marcaram a história da América Latina.
Com centenas de mortos e feridos, o desastre venezuelano se soma a uma longa lista de abalos que, ao longo do último século, devastaram cidades, destruíram patrimônios e deixaram milhares de vítimas em diferentes países do continente.
A região, marcada por áreas de intensa atividade tectônica, já enfrentou terremotos de grandes proporções em países como México, Chile, Haiti, Peru, Guatemala, Colômbia, El Salvador e Equador.
Em muitos casos, os tremores foram agravados por deslizamentos de terra, tsunamis, colapso de edifícios e dificuldades de resposta em áreas urbanas densamente povoadas ou com infraestrutura precária.
Venezuela: terremotos deixam mortos e feridos
Na noite de quarta-feira, a Venezuela foi atingida por fortes terremotos que provocaram mortes, deixaram centenas de feridos e mobilizaram equipes de resgate. O episódio se tornou o mais recente de uma série de desastres sísmicos que afetaram a América Latina nas últimas décadas.
Segundo atualizações do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), ainda há probabilidade de aumento no número de vítimas, o que reforça a gravidade do cenário e coloca o país no centro de uma nova crise humanitária provocada por um desastre natural.
México: terremotos marcaram os anos de 1985 e 2017
O México é um dos países latino-americanos mais marcados por terremotos de grande impacto. Em 19 de setembro de 1985, um tremor de magnitude 8,1 atingiu a região central do país e deixou cerca de 12 mil mortos. A Cidade do México foi a área mais afetada, com centenas de edifícios destruídos e milhares de pessoas desabrigadas.
Décadas depois, em setembro de 2017, o país voltou a sofrer com dois grandes terremotos em um intervalo de poucos dias. O primeiro, de magnitude 8,1, ocorreu na costa sul. O segundo, de magnitude 7,1, atingiu a região central mexicana e causou destruição em diversas cidades, incluindo a capital. Juntos, os dois eventos deixaram quase 500 mortos.
Equador: tremor de 2016 devastou a costa do país
Em 16 de abril de 2016, um terremoto de magnitude 7,8 atingiu a costa do Equador e provocou o pior desastre sísmico do país em quatro décadas. O tremor deixou mais de 650 mortos e destruiu cidades costeiras, vilarejos pesqueiros e áreas turísticas.
O epicentro foi registrado próximo à localidade de Muisne. Mesmo em uma região menos povoada, o impacto foi severo, com prédios desabando e bairros inteiros destruídos em cidades como Portoviejo e Manta. As operações de resgate foram dificultadas por deslizamentos e danos à infraestrutura.
Chile: marcado por terremotos em 1939 e 2010
O Chile reúne alguns dos terremotos mais emblemáticos da história latino-americana. Em 24 de janeiro de 1939, um abalo de magnitude 8,3 atingiu a região central do país e deixou cerca de 28 mil mortos, principalmente em Chillán, uma das cidades mais devastadas.
Já em 27 de fevereiro de 2010, um terremoto de magnitude 8,8 atingiu a região central chilena e matou 523 pessoas. O tremor provocou danos em edifícios, pontes e redes de energia, além de gerar um tsunami que atingiu áreas costeiras do país.
Haiti 2010: uma das maiores tragédias do continente
Em 12 de janeiro de 2010, um terremoto de magnitude 7 atingiu a região próxima à capital do Haiti, Porto Príncipe, e provocou uma das piores tragédias humanitárias da história recente da América Latina. As estimativas apontam entre 100 mil e 200 mil mortos.
O abalo destruiu parte da estrutura institucional do país, atingindo o Palácio Presidencial, o Parlamento, a catedral de Notre-Dame de Port-au-Prince e a sede da missão da ONU no Haiti. A tragédia expôs a fragilidade da infraestrutura haitiana e desencadeou uma crise humanitária de grandes proporções.
Peru: país viveu tragédias em 1970 e 2007
O Peru também aparece entre os países mais afetados por grandes terremotos. Em 31 de maio de 1970, um tremor de magnitude 7,9 atingiu o norte peruano e deixou cerca de 66 mil mortos, além de 100 mil feridos e 800 mil desabrigados.
A tragédia foi agravada por uma avalanche de gelo, rochas e detritos desprendida do monte Huascarán, que soterrou a cidade de Yungay. Décadas depois, em 15 de agosto de 2007, outro terremoto, desta vez de magnitude 8,0, voltou a atingir a costa central do país, deixando mais de 500 mortos.
El Salvador: dois terremotos em 2001
Em 2001, El Salvador enfrentou dois terremotos em um intervalo de apenas um mês. O primeiro, de magnitude 7,7, ocorreu em 13 de janeiro e foi seguido por um segundo tremor semanas depois. Juntos, os abalos deixaram mais de 1,2 mil mortos.
Além da destruição provocada pelos tremores, deslizamentos de terra agravaram a tragédia. Um dos episódios mais graves aconteceu em Santa Tecla, onde um enorme desmoronamento soterrou casas e ampliou o número de vítimas.
Colômbia: região cafeeira foi devastada em 1999
Na Colômbia, um terremoto de magnitude 6,0 atingiu a região centro-oeste do país em 25 de janeiro de 1999. O abalo teve forte impacto na área produtora de café e provocou destruição especialmente em Armênia, no departamento de Quindío, e em Pereira, no departamento de Risaralda.
O desastre deixou cerca de 1,1 mil mortos e milhares de feridos, além de comprometer a infraestrutura de cidades inteiras em uma das regiões mais importantes da economia colombiana.
Guatemala: terremoto de 1976 com mais de 22 mil mortos
A Guatemala viveu uma de suas maiores tragédias sísmicas em 4 de fevereiro de 1976, quando um terremoto de magnitude 7,5 atingiu o oeste do país. O desastre deixou pelo menos 22,7 mil mortos e mais de 76 mil feridos.
Construções de adobe desabaram em larga escala, especialmente em regiões mais pobres e afastadas dos grandes centros. O terremoto também provocou deslizamentos de terra que bloquearam estradas e dificultaram o acesso de equipes de resgate.
América Latina convive com risco sísmico permanente
A nova tragédia na Venezuela reforça a vulnerabilidade da América Latina a terremotos de grande magnitude. Parte importante do continente está localizada em zonas de encontro entre placas tectônicas, o que ajuda a explicar a frequência e a intensidade dos abalos registrados ao longo da história.
Mais do que eventos isolados, esses terremotos revelam um padrão regional de risco, agravado em muitos casos por desigualdade social, urbanização desordenada, construções frágeis e dificuldade de resposta rápida a desastres de grande escala.