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TRAGÉDIA

Sobe para 164 o número de mortos em terremotos na Venezuela

Número de feridos já chegou em 971

Edvaldo Sales
Por
Número de feridos já chegou em 971 feridos
Número de feridos já chegou em 971 feridos - Foto: AFP

Subiu para 164 o número de mortos após dois terremotos atingirem a Venezuela na noite de quarta-feira, 24. O número de feridos é de 971. As informações foram confirmadas pela presidente interina do país, Delcy Rodríguez.

O governo decretou estado de emergência em todo o país, declarou o estado de La Guaira (o mais atingido) como “zona de desastre” e mantém equipes em busca de sobreviventes. O Aeroporto Internacional de Maiquetía sofreu danos estruturais e foi fechado.

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Terremoto é o mais forte em mais de 100 anos

Os tremores foram os maiores registrados desde 1900. Na ocasião, a costa norte do país foi atingida por um terremoto de magnitude 7,7.

A região norte do país tem um histórico de abalos sísmicos destrutivos, segundo dados do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS). No entanto, nos últimos seis anos, somente sete sismos de magnitude seis ou superior foram registrados.

O mais devastador deles foi em julho de 1967, quando um tremor de 6,6 e epicentro a cerca de 131 km a leste causou aproximadamente 240 mortes e centenas de feridos.

O primeiro abalo sísmico de quarta, de magnitude 7,1 na escala Richter, foi registrado às 18h04 no horário local, e teve o epicentro próximo à cidade de San Felipe, no estado de Yaracuy, cerca de 280 quilômetros a oeste de Caracas.

Apenas 39 segundos depois e com epicentro a apenas 5 km de distância, um segundo tremor foi sentido próximo ao município de Yumare. Esse foi ainda mais forte, de magnitude 7,5, segundo o USGS. A região também foi afetada por mais de 20 tremores secundários.

Alertas de tsunami chegaram a ser emitidos para a região do Caribe pelo Sistema de Alerta de Tsunamis dos Estados Unidos após os terremotos. Os alertas foram retirados depois.

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Edifícios desabados

Equipes da AFP encontraram dezenas de edifícios desabados ou gravemente danificados em La Guaira. Sem energia elétrica, moradores passaram a noite nas ruas ou procuraram familiares entre os escombros.

Em Caracas, um edifício de 22 andares desabou completamente em Chacao. Diversas regiões também registraram falta de energia e ruas cobertas por cacos de vidro.

Segundo Delcy, dezenas de edifícios desabaram, e equipes de emergência continuam procurando pessoas soterradas em edifícios e casas que desabaram.

“Há dezenas de prédios desabados e estamos empenhados em árduos esforços de resgate para salvar as vidas que Deus nos permitir salvar”, disse.

Resgates

Em Chacao, moradores e voluntários também participam das buscas. “Precisamos de lanternas”, pediu uma pessoa que ajudava a procurar sobreviventes entre os escombros.

Os abalos também foram sentidos na Colômbia, onde jornalistas da AFP viram luminárias balançando, alarmes disparando e moradores deixando edifícios em Bogotá.

Ajuda internacional

Os Estados Unidos anunciaram o envio de equipes de busca e resgate, recursos médicos e assistência humanitária. O presidente Donald Trump afirmou que o país está "pronto, disposto e apto a ajudar".

A Alemanha também se colocou à disposição para apoiar as operações de resgate. Segundo o ministro da Defesa, Boris Pistorius, o país poderá mobilizar até seis aeronaves militares de transporte A400M, caso o governo venezuelano solicite oficialmente a ajuda.

Países da América Latina, além de Espanha, Itália, China, Índia e da União Europeia, também manifestaram solidariedade e ofereceram apoio à Venezuela.

Brasil ofereceu ajuda

O Brasil também ofereceu ajuda. Pelas redes sociais, o presidente Lula disse, nesta quarta-feira, que pediu ao Ministério das Relações Exteriores que avalie, juntamente com a Embaixada do Brasil em Caracas, a situação no país e as medidas de assistência que o Brasil possa adotar.

“Reafirmo nossa determinação em apoiar o governo da presidenta encarregada Delcy Rodríguez na recuperação de áreas afetadas desse país irmão”, disse.

A mensagem de Lula foi respondida por Delcy. “Recebemos com profunda gratidão a mensagem do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a disposição do Governo brasileiro de solidarizar-se com o povo da Venezuela durante esta tragédia”, afirmou.

Não há relatos de brasileiros feridos

De acordo com o Palácio do Itamaraty “não há, até o presente momento, notícia de cidadãos brasileiros atingidos pelos efeitos dos terremotos”. A pasta disse que monitora a situação na Venezuela.

Para os brasileiros que estão no país, o Itamaraty explicou que o plantão consular permanece à disposição para prestar assistência. O plantão da Embaixada do Brasil em Caracas pode ser contatado por meio do telefone +58 414-3723337 e o plantão consular em Brasília, pelo telefone +55 (61) 98260-0610.

Tremor foi sentido no Brasil

Estados do Norte do Brasil sentiram o tremor por volta das 19h30 da noite. Moradores de Belém (PA), Manaus (AM), Macapá (AP) e Boa Vista (RR) relataram tremores e, em alguns casos, deixaram prédios por precaução.

Conforme o Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo (USP), não há qualquer risco de danos para as cidades brasileiras.

“É relativamente comum que sismos dessas magnitudes e com essas profundidades sejam sentidos a vários quilômetros de distância do epicentro. Apesar do susto que podem causar nas pessoas por aqui, a distâncias como essa não há chance de danos para as cidades brasileiras”, disse Bruno Collaço, sismólogo do Centro de Sismologia da USP.

O que ainda ser esclarecido

As autoridades ainda trabalham para dimensionar o impacto dos terremotos, especialmente em La Guaira, que ainda não foi incluído no balanço oficial de mortos e feridos.

Até o momento, também não há um levantamento consolidado sobre o número de desaparecidos, pessoas soterradas, desabrigados e edifícios destruídos. Equipes de resgate seguem mobilizadas nas áreas afetadas, enquanto novas informações devem ser divulgadas à medida que os trabalhos avançarem.

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