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Guerra no Irã pode encarecer eletrônicos no mundo; saiba por quê

Especialistas alertam para um efeito cascata que pode atingir diretamente a indústria de tecnologia

Edvaldo Sales
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Especialistas alertam para um efeito cascata que pode atingir diretamente a indústria de tecnologia
Especialistas alertam para um efeito cascata que pode atingir diretamente a indústria de tecnologia - Foto: AFP

O bloqueio do Estreito de Ormuz, em meio à escalada de tensões envolvendo o Irã, já provoca preocupação em diversos setores da economia global.

Embora o impacto imediato esteja associado ao transporte de petróleo, especialistas alertam para um efeito cascata que pode atingir diretamente a indústria de tecnologia, especialmente a cadeia produtiva de semicondutores.

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Itens variados, de celulares a equipamentos eletrônicos mais complexos, tendem a ficar mais caros. O motivo está na dependência do gás hélio, um insumo estratégico amplamente utilizado na fabricação de chips.

Essencial não apenas para usos cotidianos, como encher balões, o hélio desempenha papel crucial no resfriamento de equipamentos durante a produção de semicondutores — componentes presentes em praticamente todos os dispositivos modernos.

Com o fechamento da rota marítima, o transporte do gás fica comprometido, o que pode levar à escassez de chips no mercado global. O Catar, responsável por mais de um terço da produção mundial de hélio, é peça-chave nesse cenário.

Já a Coreia do Sul, maior fabricante de chips de memória, depende fortemente desse fornecimento: cerca de 65% do hélio importado pelo país asiático vem do Catar.

A interrupção no fluxo do insumo pode provocar atrasos significativos na produção, com impactos que podem se estender por meses. Diante da incerteza, grandes fabricantes como Samsung e SK Hynix já buscam alternativas para garantir o abastecimento.

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A situação se agrava com a decisão do Catar de suspender a produção de hélio enquanto o Estreito de Ormuz permanecer fechado. O país também tem sido alvo de ataques com mísseis iranianos, o que aumenta a instabilidade na região.

Nesse contexto, os Estados Unidos surgem como um possível fornecedor alternativo. O estado do Texas figura entre os principais produtores globais do gás e pode suprir parte da demanda internacional.

Segundo o consultor Phil Kornbluth, especialista no mercado de hélio, a substituição do fornecimento catariano será apenas parcial. Em entrevista ao Jornal Nacional, ele destacou que o mundo ainda não sente plenamente os efeitos da crise.

O hélio possui características únicas que explicam sua importância industrial. Por ser menos denso que o ar, permite que balões flutuem.

Já em estado líquido, alcança temperaturas extremamente baixas, próximas de 270 graus Celsius negativos, o que o torna indispensável para dissipar o calor gerado na produção de semicondutores.

Além disso, trata-se de um gás nobre, quimicamente inerte, o que impede reações indesejadas durante processos industriais envolvendo materiais como o silício.

Para Kornbluth, os impactos mais severos ainda estão por vir. Ele compara a situação a um desastre iminente: “É como um tsunami. Ainda estamos na praia. Sabemos que a onda vem, mas, por enquanto, ainda temos um pouco de tempo”.

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