MUNDO
IA assusta governo e provoca mudança no governo de Trump
Novo decreto prevê testes voluntários de segurança e cria centro de monitoramento


O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta terça-feira, 2, um decreto que prevê maior supervisão sobre os sistemas mais avançados de inteligência artificial (IA) no país.
A medida busca reforçar a segurança digital e marca uma mudança na postura do governo, que até então vinha adotando uma linha mais resistente à regulamentação do setor.
O texto estabelece mecanismos para que empresas de tecnologia submetam voluntariamente seus modelos de IA a avaliações de segurança antes do lançamento. A proposta foi construída em conjunto com gigantes do setor, como Google, OpenAI e Anthropic.
Apesar disso, o decreto deixa claro que não haverá controle prévio obrigatório do governo sobre os novos sistemas desenvolvidos pelas empresas.
Mudança de posição
A decisão representa uma inflexão na política adotada por Trump desde o início de seu mandato. Parte de seus aliados defendia a ausência de regras para acelerar a inovação e preservar a competitividade dos Estados Unidos diante da China.
O debate ganhou força após o desenvolvimento do Mythos, modelo criado pela Anthropic que chamou atenção por sua capacidade de identificar vulnerabilidades em sistemas digitais utilizados por bancos, hospitais e órgãos governamentais. Diante dos riscos apontados, a empresa decidiu não disponibilizar a tecnologia ao público.
Leia Também:
O episódio intensificou as discussões sobre os impactos da inteligência artificial na segurança cibernética e aumentou a pressão por medidas de monitoramento.
Centro de segurança em IA
Pelas novas regras, o Departamento do Tesouro, a Agência de Segurança Nacional (NSA) e a Agência de Segurança Cibernética e de Infraestrutura (CISA) deverão criar um centro de coordenação voltado à segurança digital em inteligência artificial.
O grupo atuará em parceria com empresas privadas e operadores de infraestruturas críticas para identificar vulnerabilidades em sistemas digitais e definir prioridades para correções e proteção de redes.
Kent Walker, presidente de Assuntos Globais do Google, classificou a medida como um passo importante para ampliar as ferramentas de defesa contra ameaças virtuais.
Diferenças em relação a Biden
A estratégia adotada por Trump mantém semelhanças com iniciativas do ex-presidente Joe Biden. Em 2023, Biden assinou um decreto que exigia o compartilhamento de resultados de testes de segurança realizados pelas empresas de IA.
Ao retornar à Casa Branca, Trump revogou a medida por considerá-la excessivamente restritiva para o setor tecnológico.
Agora, a nova versão retoma parte da proposta, mas de forma voluntária. As empresas poderão encaminhar seus modelos para análise antes da liberação ao mercado, sem obrigação legal de fazê-lo.
Disputa com a China influenciou decisão
Uma versão preliminar do decreto chegou a ser preparada para assinatura em maio, mas foi retirada poucas horas antes por determinação de Trump.
Na ocasião, o presidente afirmou que alguns pontos poderiam prejudicar a liderança americana na corrida tecnológica contra a China.
O episódio expôs divergências dentro do governo entre defensores de mecanismos de supervisão e integrantes que rejeitam qualquer tipo de regulação sobre inteligência artificial.
A versão final manteve praticamente todo o conteúdo original, mas reduziu de 90 para 30 dias o prazo previsto para a análise voluntária dos novos modelos.
Segundo David Sacks, ex-assessor da Casa Branca para inteligência artificial, a mudança busca acelerar o desenvolvimento tecnológico diante da crescente competição internacional.
“Na corrida pela IA, cada dia conta”, afirmou.


