TECNOLOGIA
“Roubo descarado”: diretor do New York Times ataca empresas de IA
Executivo acusa empresas de IA de usar conteúdos jornalísticos sem autorização


O presidente e diretor do The New York Times, Arthur Gregg Sulzberger, fez duras críticas às empresas de inteligência artificial durante a 77ª edição do congresso da WAN-IFRA, realizado em Marselha, na França.
Segundo o executivo, as plataformas de IA estão utilizando conteúdo produzido por veículos de imprensa sem autorização ou compensação financeira, colocando em risco a sustentabilidade do jornalismo profissional.
Durante o discurso, Sulzberger afirmou que o setor de comunicação tem reagido de forma insuficiente ao avanço dessas empresas e alertou para os impactos que o modelo atual pode causar à produção de notícias.
"Roubo descarado" de propriedade intelectual
Ao abordar a relação entre tecnologia e jornalismo, o executivo classificou a atuação das companhias de inteligência artificial como um ataque sem precedentes aos direitos autorais.
“As empresas de IA estão realizando um roubo descarado da propriedade intelectual em uma escala sem precedentes”, declarou.
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Segundo o diretor, as plataformas utilizam reportagens, análises e outros conteúdos produzidos por veículos de comunicação para alimentar sistemas de inteligência artificial sem o consentimento dos criadores.
Para Sulzberger, essa prática permite que as empresas de tecnologia se beneficiem economicamente de um trabalho que exige investimentos elevados em apuração, investigação e produção de conteúdo.
Impacto nas receitas da imprensa
O diretor do New York Times também afirmou que as ferramentas de IA vêm alterando a forma como os usuários consomem informação.
De acordo com ele, ao reproduzirem respostas baseadas em conteúdos jornalísticos, essas plataformas reduzem o tráfego para os sites de notícias e afetam diretamente as receitas dos veículos.
“Os gigantes da tecnologia roubam os sites de notícias sem autorização nem compensação. Eles se reapropriam desses conteúdos roubados como se fossem seus autores, desviando assim o público e as receitas”, criticou.
A preocupação tem sido compartilhada por diversas empresas de comunicação ao redor do mundo, que buscam formas de proteger conteúdos autorais diante da rápida expansão das ferramentas de inteligência artificial generativa.
Alerta para o futuro da profissão
Durante o encontro, Sulzberger também fez um alerta sobre os possíveis impactos do atual cenário na produção de jornalismo investigativo.
Segundo ele, a perda de receitas pode comprometer a capacidade das redações de financiar reportagens complexas, que demandam tempo, recursos e equipes especializadas.
“Caminhamos para um futuro em que haverá cada vez menos jornalistas para realizar o trabalho caro e difícil que o jornalismo investigativo representa”, afirmou.
Na avaliação do executivo, a sociedade corre o risco de perder acesso a informações confiáveis caso a atividade jornalística se torne economicamente inviável.
Debate global sobre IA e direitos autorais
As declarações acontecem em um momento de crescente tensão entre empresas de mídia e desenvolvedoras de inteligência artificial.
Diversos grupos de comunicação têm questionado judicialmente o uso de conteúdos jornalísticos para treinamento de modelos de IA, alegando violações de direitos autorais e concorrência desleal.
Ao mesmo tempo, empresas de tecnologia defendem que a utilização de grandes volumes de informação é essencial para o desenvolvimento dos sistemas e argumentam que a regulamentação do tema ainda está em construção em diversos países.
O debate foi um dos temas centrais do congresso da WAN-IFRA, que reúne líderes da indústria de mídia para discutir os desafios enfrentados pelo jornalismo em um cenário marcado pelo avanço tecnológico, pela transformação digital e pela crescente concorrência das redes sociais.


