MUNDO
TV aponta brasileiros entre os estrangeiros que mais morreram na Ucrânia
Levantamento coloca o Brasil na terceira posição entre os países com mais combatentes mortos


Mais de quatro anos após o início da guerra entre Ucrânia e Rússia, brasileiros aparecem entre os estrangeiros com maior número de mortes registradas no conflito. Levantamentos não oficiais, baseados em anúncios públicos disponíveis na internet e divulgados por uma emissora de TV, colocam o Brasil na terceira posição do ranking, atrás apenas de Estados Unidos e Colômbia, com mais de 100 combatentes mortos.
Os números oficiais também apontam para o avanço das baixas. Dados citados pelo Itamaraty indicam que 92 brasileiros estão desaparecidos e outros 35 morreram desde o início da guerra, quantidade que mais do que dobrou em relação ao registrado até dezembro do ano passado.
Entre os casos mais recentes está o de Edi Soares de Souza, morto durante combates na região de Zaporíjia. Imagens do funeral do brasileiro circularam nas redes sociais.
Enquanto o número de baixas cresce, o governo da Ucrânia intensifica a busca por voluntários estrangeiros. Sem divulgar oficialmente quantos combatentes internacionais integram suas tropas, Kiev ampliou recentemente os incentivos para atrair novos recrutas, inclusive brasileiros.
Um dos sinais dessa estratégia é a divulgação frequente de campanhas de recrutamento em português nos canais oficiais da Ucrânia nas redes sociais. Outro é a existência de uma companhia militar formada majoritariamente por falantes de português e liderada por brasileiros.
Ucrânia busca reforçar tropas
A ampliação do recrutamento ocorre em meio ao desgaste das Forças Armadas ucranianas após mais de quatro anos de conflito.
Estudos recentes estimam que entre 125 mil e 150 mil soldados ucranianos morreram desde o início da invasão russa, em fevereiro de 2022. Outros mais de 200 mil militares teriam desertado.
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Foi justamente nos primeiros dias da guerra que o presidente Volodimir Zelenski convocou voluntários de outros países.
"Quem quiser se juntar à defesa da Ucrânia, da Europa e do mundo pode vir lutar lado a lado com os ucranianos contra os criminosos de guerra russos", afirmou.
Salários chegam a R$ 53 mil
Para ampliar o efetivo, o governo ucraniano reformulou os contratos destinados aos estrangeiros. As novas regras estabelecem permanência mínima de seis meses, oferecem facilidades migratórias e elevam a remuneração.
Dependendo da função exercida e da proximidade da linha de frente, o pagamento mensal pode chegar ao equivalente a cerca de R$ 53 mil. Após as mudanças, o ministro da Defesa da Ucrânia afirmou que o país passou a oferecer os maiores salários do mundo para soldados da infantaria e tropas de assalto.
A Ucrânia afirma que os integrantes da Legião Internacional assinam contratos oficiais e possuem os mesmos direitos, deveres e remuneração dos militares ucranianos. Por esse motivo, especialistas em direito internacional contestam a classificação de mercenários adotada pela Rússia. A Organização das Nações Unidas, embora mantenha posição crítica ao mercenarismo, não classificou oficialmente esses combatentes estrangeiros dessa forma.


