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Prefeituras disputam quem faz a maior festa de São Pedro do Brasil
Data que antes era apenas uma opção de cachês mais baratos ganha protagonismo e garante movimentação


Durante muito tempo, e ainda hoje, as grandes atrações das festas juninas na Bahia se concentraram nas datas dedicadas a São João. Mas, nos últimos anos, a dificuldade de agenda dos artistas e o alto custo das atrações famosas fizeram com que muitas cidades buscassem uma alternativa para atrair o público e driblar a concorrência.
A saída foi investir na festa de São Pedro, que, longe de ser o menos importante, é o último dos santos juninos. E o que antes era uma tentativa de estender os festejos, e conseguir pagar cachês mais em conta, transformou-se em rivalidade. Bom para o público, que tem mais opções e datas para curtir o arrasta-pé.
Para a Igreja Católica, Pedro é considerado o primeiro Papa, padroeiro dos pescadores e das viúvas. Como fundador da Igreja, nomeado pelo próprio Jesus Cristo, é conhecido como porteiro do céu e, por isso, a ele se atribui o poder de controlar as chuvas, o que o aproxima da tradição junina de celebrar a fartura da colheita.
“João e Pedro são mais voltados à terra e à chuva”, afirma Rafael Dantas, historiador e professor da pós-graduação em História da Bahia na Universidade Católica do Salvador (UCSal). Até 1967, o dia de São Pedro era feriado escolar nacional, mas um decreto do presidente Humberto Castelo Branco classificou as datas juninas como dias úteis.
A iniciativa, contudo, não reduziu a devoção ao santo. Professor aposentado de História da UFBA, Milton Moura atribui à imprensa a ênfase concentrada nos grandes eventos das homenagens a São João. Para ele, o crescimento das festividades em homenagem a São Pedro é um reflexo do avanço dos shows de São João.
“O São Pedro passou a ser festejado próximo das cidades que fazem o São João”, diz.
Exemplo disso é Dias D'Ávila, na Região Metropolitana de Salvador. Além da capital, que decidiu evitar a concorrência de Camaçari e Mata de São João e realizar sua festa nos últimos dias de junho. Assim, o São João do Bêra Rí, celebrado até 2012, deu lugar ao Forró D'Ávila, que este ano terá uma programação focada no forró pé-de-serra, com nomes como Flávio José, Alcymar Monteiro e Adelmário Coelho.
Em Feira de Santana, a festa começa no dia 20, às vésperas da data de São João (24), mas as grandes atrações estão garantidas até depois do dia de São Pedro (29), entre 3 e 4 de julho, nos distritos de Humildes, Bonfim de Feira e Jaíba, com nomes como Luan Estilizado, Mastruz com Leite, Unha Pintada, Adelmário Coelho, Flávio José, Raio da Silibrina, Tayrone, Colher de Pau, Alcymar Monteiro e Solange Almeida e os sambistas do Raça Negra.
Segundo a comunicação da prefeitura, o São Pedro já faz parte do calendário cultural do município, com participação muito forte da população, movimentando a economia local e beneficiando comerciantes de vários segmentos, ambulantes e diversos trabalhadores que atuam nesse período.
Santo Antônio de Jesus, que celebra o padroeiro com bandas locais de forró, tem no São João a programação mais forte do mês, mas também reserva espaço para São Pedro, com shows nas localidades de Sapucaia e Benfica.
Rivalidade
No Sul do estado, no entanto, o São Pedro ganhou status de festa principal e criou até rivalidade entre as prefeituras da região. O ‘Pedrão’ de Eunápolis, criado há mais de duas décadas, alardeia o título de “maior São Pedro do Brasil”. Na sua 5ª edição, o Ita Pedro, em Itabuna, reivindica a distinção para si, amparada pelo Ministério do Turismo e pelo recorde de público documentado através de reconhecimento facial, como explica o presidente da Fundação Itabunense de Cultura e Cidadania (FICC), Aldo Rebouças.
“O Maior São Pedro do Brasil é o de Itabuna”, garante Aldo, que se vangloria de ter reunido, em 2025, mais de 400 mil pessoas em 4 dias, tudo contabilizado com auxílio das câmeras de monitoramento. O recorde de um único dia de evento, no entanto, foi registrado em 2024, quando 142.069 pessoas estiveram na Arena Zé Cachoeira, localizada na avenida Princesa Isabel, para assistir aos shows de Pablo e Gusttavo Lima.
“Nunca existiu São Pedro em Itabuna” diz Aldo, lembrando que a ideia surgiu depois da pandemia, após perceber que a tradição do São João na cidade havia perdido força. A iniciativa das cidades próximas também motivou a criação do Ita Pedro. “Pensamos em nos posicionar, só tinha São Pedro em Eunápolis, depois Ipiaú também veio”, rememora.
E ele faz questão de esclarecer um mito. O fato de ocorrer depois do São João não garante nenhuma vantagem financeira. “Os cachês não mudam”, observa. Mas, segundo ele, o investimento na festa compensa, pois a comemoração impulsiona a economia municipal, colocando Itabuna entre os 10 maiores destinos turísticos no período junino.
E o objetivo é crescer ainda mais. Segundo Aldo, Itabuna prepara para este ano a maior grade de atrações de todos os tempos. Os recordistas de público Gusttavo Lima e Pablo, claro, têm presença garantida. Além deles, Bruno e Marrone, Zé Neto e Cristiano, Natan, João Gomes, Pablo, Natanzinho Lima, Dorgival Dantas, Tarcísio do Acordeon, Iguinho e Lulinha, Thiago Aquino e até Alok garantem a variedade de ritmos e estilos numa programação com 38 atrações distribuídas em quatro dias.
O prefeito de Eunápolis, Robério Oliveira, não quer ficar para trás, mas enfrenta problemas para montar uma grade capaz de manter a rivalidade com Itabuna. Robério foi o responsável pela criação do Pedrão em 2005, no seu primeiro mandato. Se o Ita Pedro tem reconhecimento do Ministério do Turismo, a festa em Eunápolis foi reconhecida como patrimônio imaterial pela Assembleia Legislativa. O projeto foi apresentado pela deputada Cláudia Oliveira, esposa do prefeito, e sancionado em 12 de maio pelo governador Jerônimo Rodrigues.
Até o fechamento desta reportagem, o prefeito ainda não tinha a confirmação de todas as atrações, apesar de já ter anunciado Pablo e Xand Avião. “Os artistas estão com a faca amolada”, pontua.
Ele explica que o Pedrão surgiu para reunir na praça da cidade os moradores dos bairros onde sempre aconteceu o São João. “Não tinha concorrência. A gente começou a trazer atrações que a população não costuma assistir”. Na opinião de Robério, o título de “maior São Pedro do Brasil” pertence a Eunápolis. “Itabuna começou há pouco tempo, não sei se 1 ou 2 anos, nunca fui para ver”, diz.
Onde festejar o São Pedro
Aracatu
- Quando: 4 a 6 de julho
- Atrações: Raí Soares e Silfarley
Dias D'Ávila
- 26/6 Alcymar Monteiro
- 26/6 Devinho Novaes
- 26/6 Adelmário Coelho
- 27/6 Flávio José
- 27/6 Henry Freitas
- 27/6 Unha Pintada
- 28/6 Tiee
Feira de Santana (São Pedro de Humildes)
- 26/6 Luan Estilizado, Mastruz com Leite
- 27/6 Unha Pintada, Adelmário Coelho
- 28/6 Raça Negra, Buscapé Arreio de Ouro
Feira de Santana (Bonfim de Feira)
- 27/6 Flávio José, Raio da Silibrina
- 28/6 Tayrone, Colher de Pau São Pedro de Jaíba
- 3/7 Alcymar Monteiro
- 4/7 Solange Almeida
Santo Antônio de Jesus - Sapucaia
- Quando: 4 e 5 de julho
- Atrações: Devinho Novaes
Santo Antônio de Jesus - Benfica
- Quando: 10 e 11 de julho
- Atrações: Nenho
Ipiaú
- Quando: 27, 28 e 29 de junho
- Atrações: Pablo, Toque Dez, João Gomes, Tarcísio do Acordeon, Theuzinho, Léo Foguete, Magníficos, Netto Brito, Mestrinho, Rafinha, Dorgival Dantas, Heitor Costa, Cacau com Leite, Andinho Brito, Banda Carretel, Carol Souza e Adriano Ryos, Cupim de Ferro, Deivison Machado, Dudu Ferreira, Juninho dos Teclados, Kal Love Hits, Larissa Souza e Netinho Cabral
Eunápolis - (Pedrão)
- Quando: 1º a 4 de julho
- Atrações: Pablo, Xand Avião
Itabuna - (Ita Pedro)
- Quando: 1º a 4 de julho
- Atrações: Gusttavo Lima, Alok, Bruno e Marrone, Zé Neto e Cristiano, Natan, João Gomes, Pablo, Natanzinho Lima, Dorgival Dantas, Tarcísio do Acordeon, Iguinho e Lulinha, Thiago Aquino, Yasmin Sensação, Milsonho Toque Dez, Silfarley, Netto Brito, Patrick Costa, Danniel Vieira, Diego e Arnaldo, Asas Livres, Leo Estakazero, Waldonys, Cacau com Leite, Kaio Oliveira, Seu Mastruz, Lordão, Cris Mel, Mikael Santos, Preta Vip, Forró do Karoá, André e Mauro, Donas do Bar, Silvana e Carla, Essência Nordestina, Pedro Gabriel, Pipoco do Trovão e Marcinho, poeta da sanfona.