SHOW
Ana Carolina celebra 25 anos de carreira durante show em Salvador
Cantora apresenta turnê “25 Anas” na Concha Acústica com sucessos marcantes e músicas inéditas

A lua vai banhar a Concha Acústica do Teatro Castro Alves hoje à noite. Quando isso acontecer, Ana Carolina estará lá, conduzindo o público da turnê 25 Anas, que celebra seus 25 anos de carreira.
O espetáculo marca a chegada à cidade de um projeto que combina revisitação de repertório, novas composições e uma estrutura narrativa dividida em atos, em diálogo com diferentes fases da artista.
Com direção de Jorge Farjalla, o show se organiza em cinco partes – a história, a paixão, a memória, o reencontro e a celebração – e propõe um percurso emocional que atravessa o tempo.
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“A estrutura da turnê nasceu a partir da vontade de contar uma história de forma contínua, mas com diferentes atmosferas. Os atos ajudam a criar um percurso emocional dentro do show, quase como capítulos que vão revelando fases, sentimentos e momentos da minha trajetória”, afirma a cantora.
A história
A apresentação revisita canções que consolidaram o nome de Ana Carolina na música brasileira, como Garganta, Quem de Nós Dois, Confesso, Elevador e É Isso Aí, além de outras faixas marcantes como Encostar na Tua, Pra Rua Me Levar e Entreolhares.
É um repertório que atravessa gerações e rádios, a ponto de tornar difícil encontrar quem nunca tenha, ao menos uma vez, esbarrado em versos de Encostar na Tua ou se reconhecido em alguma de suas interpretações.
Ao longo de mais de duas décadas, a artista construiu uma assinatura vocal inconfundível: a voz rouca, por vezes áspera, que parece tensionar o limite da própria garganta, tornou-se marca registrada de uma intérprete que faz da intensidade seu principal idioma.
Entre o grave encorpado e o rasgo emocional, Ana Carolina imprime nas canções uma presença que ajudou a moldar a paisagem da música brasileira contemporânea.
“Ao longo do tempo, algumas canções vão ganhando outras camadas, outras leituras, porque a gente muda, e o público também. Isso faz com que elas continuem vivas de um jeito muito bonito”, diz.
Segundo a artista, há músicas que permanecem no setlist justamente pelo vínculo construído com o público: “No repertório da turnê, existem músicas que são muito marcantes justamente por essa relação construída com as pessoas, aquelas que o público canta com mais força! Elas seguem presentes por esse vínculo afetivo que só cresce com os anos”.
A paixão
Se há um elemento que atravessa as diferentes fases da carreira de Ana Carolina, é a intensidade, vocal e interpretativa. Canções como Carvão e Uma Louca Tempestade evidenciam esse traço, em que emoção e técnica caminham juntas. No palco, essa dimensão ganha corpo em arranjos renovados e em uma presença cênica que valoriza a interpretação.
Lançada em 2006, no álbum Dois Quartos, Rosas permanece como uma das sínteses mais reconhecíveis dessa entrega emocional.
O trecho “De tantas mil maneiras que eu posso ser, estou certa que uma delas vai te agradar” ressurge, quase duas décadas depois, ainda atravessado por atualidade. A multiplicidade evocada na letra ecoa diretamente no conceito da turnê, que assume as diferentes versões da artista não como rupturas, mas como continuidades possíveis, um espelho da própria trajetória.
A memória
Lançado em 2025, o EP Ainda Já marca um retorno mais profundo de Ana Carolina ao processo de composição integral de um projeto, algo que não acontecia desde N9ve (2009).
Produzido em parceria com Iuri Rio Branco, o trabalho abre espaço para novas colaborações e experimentações sonoras, ao mesmo tempo em que dialoga com a trajetória construída.
Esse movimento reflete uma inquietação que, segundo a artista, permanece como motor criativo. “Existe uma inquietação que nunca vai embora, que é a de continuar dizendo coisas que façam sentido de verdade. Depois de tantos anos, é fácil cair na repetição se a gente não se mantiver em movimento”, afirma.
“Procuro me colocar em lugares novos, experimentar, encontrar outras formas de me expressar, sem perder o que é essencial pra mim. Esse equilíbrio entre identidade e descoberta é o que mantém tudo vivo”, reforça Ana.
A celebração
O título da turnê sintetiza a trajetória de Ana, que desde sempre transitou entre o samba, o pop, o rock e a MPB, ao sugerir uma multiplicidade de versões que coexistem ao longo da carreira. Para a artista, essas diferentes camadas não se anulam, se reorganizam com o tempo.
“Essas versões de mim nunca deixaram de existir, elas só vão se reorganizando com o tempo. Tem a artista do palco, a compositora, a intérprete, a pessoa mais introspectiva e observadora”, diz.
Hoje, de acordo com Ana, o momento é de maior consciência sobre o próprio caminho, “o que parece mais forte é uma consciência maior do meu próprio caminho, com mais calma para olhar o que foi construído e para onde ainda faz sentido ir.
E, ao mesmo tempo, continua muito presente a minha curiosidade, essa vontade de criar e de me surpreender com o que ainda pode surgir”.
Ao reunir sucessos consagrados e novas composições em uma mesma narrativa cênica, 25 Anas se apresenta como um espetáculo que revisita a memória sem se fixar nela, apostando na continuidade de uma trajetória ainda em transformação, e na força de uma voz que, há 25 anos, segue ecoando com identidade própria na música brasileira.
Ana Carolina: ‘25 Anas'
- Quando: sábado, 18 de abril
- Horario: 18h
- Onde: Concha Acústica do Teatro Castro Alves
- Ingressos: R$ 150 e R$ 300
- Vendas: Sympla e bilheteria do TCA
*Sob supervisão do editor Chico Castro Jr.
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