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Olodum confirma show no Rock in Rio e planos para 2026

rupo baiano detalha participação no festival, turnê e projetos para o próximo ano

Edvaldo Sales e Beatriz Santos
Por Edvaldo Sales e Beatriz Santos

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Olodum irá participar do Rock in Rio 2026
Olodum irá participar do Rock in Rio 2026 -

O Rock in Rio de 2026 já começa a ganhar contornos brasileiros com a confirmação do Olodum no Palco Sunset, ao lado dos Gilsons e de Daniela Mercury. O anúncio foi feito durante coletiva de imprensa nesta sexta-feira, 24, que apresentou as ações do bloco afro para o próximo ano, incluindo calendário cultural, projetos sociais e expansão internacional.

Durante a coletiva, o presidente executivo do Olodum, Jorginho Rodrigues, destacou o significado da participação no festival.

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“Com a participação no Rock in Rio de 2026, com presença dos irmãos Gilsons, de Daniela Mercury e de vários outros artistas que a gente admira e respeita muito, é a segunda vez que o Olodum participa do Rock in Rio para fazer uma apresentação que evidencia a música brasileira e o samba-reggae”, afirmou.

O dirigente também ressaltou o momento vivido pelo grupo, especialmente na retomada de espaços dentro e fora do país. “Além de retomar o mercado internacional, já temos feito um trabalho bacana com os nossos parceiros aqui da Olá Music, retomando o mercado brasileiro há mais ou menos três anos.”

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“Isso está sendo muito importante, muito gratificante, porque a gente voltou a circular por todo o país. E esse desfecho é a prova do que as pessoas dizem a respeito do Olodum: do amor, do carinho do público que se conecta com a música produzida pela banda, com a batida dessa percussão e com a voz desses cantores”, finalizou.

Carnaval 2026 mergulha em astronomia africana

Além do festival, o grupo também revelou o tema do próximo Carnaval. Segundo o presidente institucional Marcelo Gentil, a proposta dialoga com ciência, ancestralidade e cultura africana.

“O tema do nosso Carnaval vai ser ‘Sirius Cão Maior, o mistério das estrelas’. Nós já ouvimos falar muito na constelação do Cão Maior, e ela é chamada assim exatamente porque tem o formato de um cão”, disse.

Em seguida, o dirigente explicou a base histórica e cultural da narrativa. “O que nós vamos contar é a relação dos dogons com o sistema interestelar — um povo que vivia isolado nas escarpas do interior da África e que tinha um profundo conhecimento científico sobre astronomia”, afirmou.

Ao aprofundar o conhecimento desse povo sobre o sistema estelar, Gentil destacou elementos específicos já conhecidos por eles. “Eles conheciam a estrela Sirius A, de grande brilho, a estrela Sirius B, chamada de estrela ‘Lã’, sua irmã ou companheira, e também a estrela Sirius C, sobre a qual pouca gente ouviu falar”, completou.

Gentil destacou ainda a dimensão histórica desse conhecimento. “Esse conhecimento desse povo africano sobre o sistema interestelar remonta a um período muito antigo da humanidade. Muito antes da ciência, por meio de telescópios e tecnologias modernas, conhecer essas estrelas, eles já falavam sobre isso”.

Em seguida, o presidente pontuou como esse saber foi posteriormente validado pela ciência. “Só muitos séculos depois é que a ciência passou a conhecer e, na verdade, a confirmar aquilo que havia sido dito por esse povo, muitas vezes considerado primitivo. E a estrela Sirius C, que eles mencionavam, muita gente dizia ser invenção, finalmente pôde ser observada”, disse.

Ao citar um marco recente, ele detalhou quando a identificação foi confirmada. “No dia 1º de julho de 2025, ela foi identificada por meio de um telescópio chamado Atlas, no Chile. Os astrônomos modernos deram a ela o nome de 31 Sirius, em homenagem à zona onde foi feita a observação”, completou.

Regravações e influência na música brasileira

Outro ponto abordado na coletiva foi a circulação das músicas do Olodum na voz de outros artistas, incluindo versões recentes que reacendem debates sobre autoria e reconhecimento.

O cantor Lucas Di Fiori comentou o impacto dessas releituras, citando exemplos históricos. “O Jorginho falou aqui mais cedo sobre ‘Faraó’. Desde o começo da nossa trajetória, a canção foi gravada e até hoje precisamos reafirmar que é uma música do Olodum, apesar de ter sido gravada por Margareth e por outros artistas. E assim acontece também com ‘Várias Queixas’.”

“Os anos passam e a gente continua aqui se reafirmando, dizendo a todo momento: ‘essa música nasceu aqui’”, completou.

Mesmo assim, ele aponta que o grupo encara a situação com naturalidade. “Então, pra gente, desde o início isso sempre funcionou dessa forma, e a gente lida com isso com naturalidade. Mas seguimos presentes, fazendo as nossas versões. Acho que a versão do Olodum saiu ali por 2011, 2012 e anos depois o Gilsons também gravou”.

Para o artista, a força do Olodum está justamente em sua capacidade de influenciar gerações. “O Olodum é uma fonte eterna de inspiração, é a água que jorra e as pessoas vêm beber dessa fonte. E a nossa musicalidade está aí, espalhada pelo mundo inteiro.”

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