MÚSICA
Show de Zé Vaqueiro é cancelado após desvio de R$ 56 milhões
Decisão proíbe gastos de R$ 1,5 milhão com festas enquanto cúpula política da cidade está presa


A Justiça do Maranhão determinou, nesta quinta-feira, 25, o cancelamento imediato dos shows programados para o aniversário de Turilândia (MA). A decisão atende a um pedido do Ministério Público (MPMA) e veta o gasto de mais de R$ 1,5 milhão em eventos, em meio a uma investigação que aponta o desvio de R$ 56 milhões dos cofres públicos pela gestão municipal.
Entre as atrações canceladas está o cantor Zé Vaqueiro, cujo contrato de R$ 600 mil era o único com transparência parcial. Outros artistas como Isadora Pompeo, Aparelhagem Carabão e a dupla Silvânia e Berg Rabelo também tiveram as apresentações suspensas.
A liminar impõe multa de R$ 100 mil ao prefeito e ao secretário de Cultura em caso de descumprimento.

O Ministério Público denunciou que a prefeitura falhou em publicar os contratos no Portal Nacional de Contratações Públicas. Dos R$ 1,5 milhão previstos para os três dias de festa (27 a 29 de dezembro), a administração não esclareceu os valores destinados à maioria dos artistas, ferindo a Lei de Acesso à Informação e os princípios da administração pública.
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A Justiça entendeu que o gasto vultoso é incompatível com a atual situação do município, que atravessa sua maior crise institucional após a prisão de quase toda a cúpula política da cidade.
O escândalo: prefeito e vereadores presos
A operação do MPMA investiga um esquema de corrupção que teria ocorrido entre 2021 e 2025. Segundo as investigações, o prefeito, o vice-prefeito, a primeira-dama e todos os 11 vereadores do município participavam do desvio milionário.
O prefeito Paulo Curió se entregou à polícia na quarta-feira, 24, após dois dias foragido. Além dele, estão presos a primeira-dama Eva Curió, a ex-vice-prefeita Janaina Lima e seu marido, além do contador da prefeitura. Servidores públicos e empresários também estão na mira da Justiça pelo desvio que soma R$ 56 milhões.
O evento de aniversário da cidade, que deveria começar neste sábado, foi considerado pelo Judiciário como um uso indevido de recursos em um cenário de terra arrasada na gestão pública municipal.


