EDITORIAL
A escolha certa
Dia Mundial sem Tabaco: a luta contínua entre o vício e a saúde pública


A combinação de reflexão social, saúde pública e responsabilidade coletiva sugere reforçar a oportunidade de parar de morrer devido ao mau costume do fumo. São mais de 200 compostos químicos adicionados à nicotina e alcatrão vendidos em carteiras, além das “bombinhas” artesanais enroladas pelos usuários.
Hoje, as Nações Unidas celebram o Dia Mundial sem Tabaco, para incentivar os últimos fumantes a apagar seus cigarros a fim de conter a escalada de funerais. São 8 milhões anualmente por terem – presume-se – preferido evaporar em gás carbônico, sugerindo, em vez de enterros ou cremações, a descida direto ao Hades.
Não se trata de impor mais uma culpa sistêmica às pessoas atormentadas pela angústia – esta gêmea da liberdade incessante de fazer escolhas sem jamais sabermos se foi a certa. Tampouco se está desenganando quem já percebeu ser o nascimento algo possível de se lamentar, pelo total desalento de uma existência quicando de erro em erro até a finitude.
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Pede-se, no entanto, evitar acrescentar mais um absurdo a um contexto já tão sem sentido; portanto, se está ao alcance da pessoa, não há razão em cavar mais sofrimento. O Brasil tem entendido esta lição ao resistir à névoa do gás carbônico com campanhas educativas, advertências sobre doenças e restrições ao uso do fumo em áreas comuns.
O debate incessante fez do tema um belo curso de ética prática, pois os seres vivos terminaram combinando, juntos, resistir ao mal, porque não presta para a coletividade. Também a escolha ou não pelas baforadas fez saltar aos olhos de cada consciência a força da instância moral, decidida individualmente, pois pode-se fumar até escondido.
Todo este progresso fica evidente quando os grisalhos lembram dos cinzeiros distribuídos dentro dos ônibus e aviões e do falso status social e virilidade dos nocivos. No entanto, já dizia a canção adaptada, é preciso estar saudável e forte, pois o tabagismo se reinventou em forma dos eletrônicos vapes, tão destrutivos quanto cativantes em seus mil sabores.


