EDITORIAL
Aprendizagem compartilhada
Nova pesquisa AtlasIntel/A TARDE destaca o dilema entre diálogo e disciplina na relação com as telas

O avanço das telas no cotidiano revela um cenário de incertezas, compreensível para mudanças tão recentes nos padrões de sociabilidade. A repercussão de números obtidos na nova pesquisa AtlasIntel/A TARDE conduz a reportagem publicada na edição de hoje, multiplicando olhares sobre a questão.
De um modo geral, pode-se distinguir duas tendências, embora elas também se toquem e complementem: uma delas ressalta o diálogo; uma outra forma crença na disciplina. Pais, mães e profissionais mais afeiçoados à troca de ideias propõem combinar o tempo de uso e as circunstâncias, de acordo com as singularidades.
Já quem se dispõe a seguir leis gerais e nelas encaixar comportamentos tem de enfrentar a própria ansiedade relacionada à dificuldade de impor frágeis verdades. Um ponto de convergência entre os dois grupos diz respeito à busca de uma virtude tão antiga quanto a necessidade de criar meios de conviver bem: trata-se do equilíbrio.
É a sabedoria do meio-termo, nem ficar exposto demasiado ao mundo digital, tampouco sufocar o desejo de conexão
É a sabedoria do meio-termo, nem ficar exposto demasiado ao mundo digital, tampouco sufocar o desejo de conexão. O método para percorrer esta trilha da moderação é negociação constante, como sugeriu uma fonte.
A própria construção da reportagem, ouvindo-se as narrativas das experiências das pessoas, oferece exemplo consistente desta aprendizagem compartilhada. Como não se tem uma metateoria capaz de estabelecer com rigor iniludível o certo e o errado, são as particularidades de cada evento e contexto as fornecedoras de boas pistas.
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A partir da coleção de regularidades, cada relação adulto/criança vai consolidando o que é bom e o que não é, chegando-se a alguns consensos – e mesmo assim provisórios. Em vez de agir por obediência a determinações externas e frágeis, é possível verificar nesta prática feita de empatia o limite de tempo capaz de evitar irritação, por exemplo.
Uma boa contribuição é a consciência da autocrítica, pois sabe-se da potência educativa da prática virtuosa, ao passo que se o adulto é descontrolado, não tem como exigir da criança.
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