OPINIÃO
Drogas e violência
Confira o Editorial desta terça-feira


A escalada do narcotráfico implica admitir a expansão do consumo, verificando-se a ultrapassagem do álcool – droga lícita – por cocaína nos casos de vítimas de mortes com violência no Brasil. A proporção, nas análises toxicológicas, é de 29,6% do psicoativo branco contra 27,7% da bebida alcoólica, portanto, somadas as adições, passa da metade o uso das duas por parte dos envolvidos, antes de morrer.
Os dados, de pesquisa realizada pela Universidade de São Paulo (USP), apontam para tendência preocupante por associar um possível descontrole ou dificuldade de defesa envolvendo substâncias químicas de fácil disseminação. A prática viciosa relacionada ao mau costume de cheirar vem sendo facilitada pela logística do comércio ilegal, vinculada aos episódios de óbito com maior brutalidade.
Já o álcool chama atenção por ser incentivado pela publicidade e eventos sociais, além de alcançar todas as classes, da aguardente do boteco ao uísque envelhecido em barris. É possível verificar, atualizando as potências das drogas, a mistura de ambas, cocaína e álcool, uma atraindo a outra, ao liberar ímpetos e impulsos mais fortes que a razão.
Por outro lado, o estudo ajuda a desmistificar a associação de cannabis sativa com alguma agressividade - fica em 2,2% a letalidade, percentual reduzido de violência para quem fuma o cigarro da planta. Também constaram das análises os medicamentos benzodiazepínicos, utilizados para atuar no sistema nervoso central. Respondem por uma fatia de 6,8% estes remédios receitados para reduzir ansiedade e induzir ao sono, além de servirem para relaxar a musculatura e controlar convulsões.
A pesquisa foi realizada pelo método de amostragem proporcional a faixas etárias, classes sociais e graus de escolaridade, tendo como universo 3.577 mortes. O período recortado foi de março de 2022 a junho de 2024, tendo definidos como locais de coleta as capitais e regiões metropolitanas de Belém, Recife, Vitória e Curitiba.