OPINIÃO
Mosquito desagradável
Confira o Editorial desta quarta-feira
Ninguém, em sã consciência, deseja adoecer, reforçando, neste período de chuvas, a importância de a população fazer a sua parte e também cobrar ao poder público municipal o dever de protegê-la. Aumenta a probabilidade de zika, chikungunya e dengue transmitidas pelo mosquito aedes Aegypt, fazendo jus à denominação original “desagradável”; “do Egito” é onde foi descoberto.
Como não se pretende formar entomólogos (cientistas de insetos alados), o mais razoável mesmo é evitar cobrar das pessoas conhecimento para identificar o causador dos males. Por muitos e muitos anos, esta inusitada e débil metodologia de ensinar que o aedes tem desenho “pintadinho” pretendeu transferir a maior responsabilidade do desafio.
A proposta ora hegemônica é combater a proliferação de todo mosquito ou muriçoca, basta estar voando e zunindo com o bater das asas. Para tanto, continua valendo a tática de esvaziar recipientes, um trabalho para Hércules em uma cidade onde os contêineres transbordam de lixo, entre os quais latas, pneus e frascos.
Da prefeitura, espera-se a prestação do serviço dos carros “fumacê”, além das costumeiras visitas, como forma de redução de danos nas casas. Uma feliz ideia é oferecer apoio a cada bairro segundo sua necessidade, dando prioridade aqueles com maior infestação.
Não são poucos a disputar este acesso, tendo como favoritos alguns campeões na baixa qualidade de assistência aliada à origem caracterizada pelas ocupações espontâneas. Podem alinhar nesta espécie de “subcidade”, Narandiba, Vila Ruy Barbosa, Boca da Mata, Saramandaia, Bairro da Paz, Palestina, Calabetão, Santa Cruz, Novos Marotinhos, Alto do Coqueirinho, Nova Brasília, Pero Vaz e uma maior parte dos Pernambués.
Como se pode concluir, é trabalho gigantesco para os servidores engajados na saúde pública: nem as pessoas escapam sem a prefeitura e nem a municipalidade consegue rolar esta rocha, provisoriamente, como a de Sísifo, sem a participação da cidadania.