OPINIÃO
O lar da luta racial
Confira o Editorial
O investimento de recursos públicos em iniciativas como a Casa da Igualdade Racial é uma forma de avançar na redução das desigualdades produzidas pelo tráfico negreiro. A invenção do racismo, ao persuadir-se a sociedade de uma falsamente necessária vantagem pela cor da epiderme, multiplicou também a concentração de renda e poder.
O equipamento constrói uma ponte ligando a luta atual por justiça equitativa com os ideais humanitários da sociedade livre de Palmares, em um século de resistência. Ganha contornos de emergência o lar antirracista quando se sabe dos brindes de copos de leite de supremacistas brancos incentivando com seu gesto mil núcleos neonazistas.
Estão, sim, muito bem organizados na internet e presencialmente, estas hordas de psicopatas ávidos por impor o retrocesso à escravidão; não devem os negros iludirem-se. Nem muito menos esmorecerem, pois Zumbi segue liderando esta nação superpotente em busca de abrir caminho para ocupação de espaço pelos descendentes.
As universidades vêm sendo tomadas pelo método das cotas; empresários entendem a importância de contratar os afros e as massas ganham consciência de seus direitos. A Casa da Igualdade Racial é este endereço; simbolicamente não poderia ter um lugar mais compatível, o Pelourinho, ressignificado do local de suplício e tortura para o ponto de libertação.
Cabe aplaudir a iniciativa em conjunto das frentes da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial e dos Povos e Comunidades Tradicionais e Governo Federal. Que possa o novo lar da liberdade acolher, reunir, orientar, empoderar e servir de nova Palmares contemporânea.
Mais que liderar as batalhas jurídicas visando resguardar os direitos das vítimas, já passou da hora e, muito, da mudança de paradigma da impunidade para a ação. Há também a luta do afroempreendedorismo, do acesso ao crédito e à capacitação, a fim de multiplicar exemplos de superação racial.