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EDITORIAL

Patrimônio das letras

Palacete Góes Calmon, sede da Academia de Letras da Bahia em Nazaré, foi oficialmente tombado

Redação
Por Redação
Palacete Goés Calmon
Palacete Goés Calmon - Foto: Divulgação | ALB

Para uma gente inculta, pode soar como excentricidade ou falta de noção de assuntos relevantes a preservação de imóveis como o Palacete Góes Calmon, no bairro de Nazaré. Felizmente o negacionismo dos biltres empreende curva descendente no gráfico do civismo brasileiro, a julgar pelo tombamento do belíssimo e representativo prédio.

A medida, anunciada pelo Conselho Estadual de Cultura, vai proteger a morada da veneranda Academia de Letras da Bahia de qualquer ato predatório. Portais, janelões, vitrais, escadas e corrimãos terão de ser mantidos tais e quais, como bíblia invicta da história, para conhecimento geral, favorecendo a ribombante conquista o acesso a captação de recursos para manutenção.

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Honra ao mérito da turma de vivas e vivos da intelectualidade superior, tendo consolidado a fama de exceção em universo onde a vaidade costuma vencer o suor. Nesta casa ora tombada, a agenda cheia sinaliza a inquietude dos baluartes comandados pelo presidente Aleilton Fonseca, pois boas notícias são de frequência diuturna.

A medida vai proteger a morada da veneranda Academia de Letras da Bahia de qualquer ato predatório

Não se verifica vestígio de túmulo no imóvel doravante impossível de ser agredido pelos martelos, carregando assim indício da apropriada pujança. Ali, na avenida Joana Angélica, número 198, morou o advogado Inocêncio Marques de Araújo Góes Júnior, acumulando sobrenomes capazes de proteger abastados das elites.

O palacete foi doado, como presente de casamento, ao filho Francisco Marques de Góes Calmon. Viria este felizardo a ser governador da Bahia entre 1924 e 1928, quando o país ferve em contradições, até o desencadear do golpe de estado no qual ascende Getúlio Vargas.

A riqueza das fachadas e da azulejaria; dos jardins laterais; das balaustradas, estatuetas e fonte d’água, agora, pertencem à coletividade defendida por seus mais-letrados. Cabe destacar, por acréscimo, o rebrilhante brotar dos estribilhos dedicados pelo parecer da conselheira Selma Sousa, no sentido do êxito da persuasão irretocável pelo feliz desfecho.

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