BOLSA PATRÃO
'Bolsa Patrão': a emenda polêmica de Nikolas Ferreira em PEC da escala 6x1
Nikolas Ferreira (PL-MG) apresentou emenda prevendo que o governo federal arque com os custos de empresas com o fim da escala 6x1

Deputados aliados do governo Lula (PT) criticaram o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) após o liberal apresentar uma emenda prevendo que o governo federal arque com os custos de empresas com o fim da escala 6x1. A emenda está sendo chamada de 'Bolsa Patrão'.
Nikolas Ferreira defendeu que trabalhadores tenham maior tempo de descanso, mas disse que a mudança na escala de trabalho é economicamente inviável aos empresários.
“A esquerda quer vender a proposta como defesa do trabalhador, mas fazendo caridade com o chapéu dos outros”, disse.
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O deputado afirmou que a redução da escala deve ser benéfica ao trabalhador, mas pode gerar instabilidade econômica.
“Simplesmente empurrar a conta para as empresas, o resultado pode ser desemprego, informalidade e crise. E desemprego e recessão não vão deixar ninguém relaxado nem cuidando dos seus”, escreveu.
O deputado, no entanto, não explicou como funcionaria o ressarcimento às empresas.
"Tapa na cara"
Um dos que se manifestou contra a medida foi o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos (Psol). Para ele, o deputado está dando “um tapa na cara do trabalhador brasileiro” com a proposta de emenda.
“A máscara caiu! Emenda do deputado Nikolas Ferreira contra o fim da Escala 6X1 quer criar uma ‘Bolsa Patrão’, paga pelo povo com dinheiro público, para apoiar empresários caso a redução da jornada seja aprovada”, reagiu o ministro.
A MÁSCARA CAIU! Emenda do deputado Nikolas Ferreira contra o fim da Escala 6X1 quer criar uma Bolsa Patrão, paga pelo povo com dinheiro publico, para apoiar os empresários caso a redução da jornada seja aprovado. É um tapa na cara do trabalhador brasileiro! pic.twitter.com/vTMJahtdYF
— Guilherme Boulos (@GuilhermeBoulos) April 16, 2026
Exploração
No X (antigo Twitter), a autora de uma das PECs voltadas ao tema, a deputada Érika Hilton (Psol-SP), foi incisiva nas críticas a Nikolas.
"Um trabalhador explorado na escala 6x1 ganha R$ 7,37 por hora e precisa abdicar da família, do descanso, da religiosidade, da educação e do lazer. Um deputado contra o fim da escala 6x1 ganha R$ 289,79 por hora. Ele só precisa garantir que o trabalhador continue sendo explorado", escreveu.
Um trabalhador explorado na escala 6x1 ganha R$ 7,37 por hora e precisa abdicar da família, do descanso, da religiosidade, da educação e do lazer.
— ERIKA HILTON (@ErikakHilton) April 17, 2026
Um deputado contra o fim da escala 6x1 ganha R$ 289,79 por hora. Ele só precisa garantir que o trabalhador continue sendo explorado.
"Cinismo sem limites"
A também deputada federal Maria do Rosário (PT-RS) afirmou que a proposta de Nikolas Ferreira demonstra um "cinismo sem limites" por parte da extrema-direita.
"O trabalhador luta por dignidade e a solução dele é usar dinheiro público pra bancar custo de empresa. Sejamos claros: Nikolas está do lado de quem sempre ganhou muito explorando a jornada exaustiva. E quem vai pagar essa conta é você! DIGA NÃO A BOLSA PATRÃO! Pelo Fim da escala 6x1 sem pegadinha! E fica a pergunta: por que o trabalhador NÃO merece dois dias de descanso?", questionou.
URGENTE: BOLSA PATRÃO
— Maria do Rosário (@mariadorosario) April 17, 2026
Ficaram sabendo da novidade? Nikolas Ferreira agora quer que o governo pague pelo fim da escala 6x1. O cinismo da extrema-direita não tem limites.
O trabalhador luta por dignidade e a solução dele é usar dinheiro público pra bancar custo de empresa.
Sejamos… pic.twitter.com/IMAjO9wo2Q
Lei Áurea
Aqui na Bahia, o deputado estadual Osni Cardoso (PT) fez um paralelo entre a iniciativa de Nikolas Ferreira e a Lei Áurea, ressaltando que o trabalhador continuaria sem direitos, enquanto o Estado compensaria aqueles que visam o lucro.
"Quando a Lei Áurea foi assinada em 1888, teve quem defendesse indenização para senhores de engenho pelo fim da escravidão. Hoje, a ideia reaparece na “bolsa patrão”, tentando fazer o Estado compensar quem sempre lucrou, enquanto o trabalhador continua sem direitos", escreveu.
Quando a Lei Áurea foi assinada em 1888, teve quem defendesse indenização para senhores de engenho pelo fim da escravidão. Hoje, a ideia reaparece na “bolsa patrão”, tentando fazer o Estado compensar quem sempre lucrou, enquanto o trabalhador continua sem direitos. pic.twitter.com/LjXkl6Nyy1
— Osni (@osnicardoso13) April 17, 2026
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