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Camaçari pode ter reedição de disputa pela Prefeitura após 20 anos

Entenda o cenário político atual da cidade, que pode marcar o retorno do PT ao município após oito anos

Publicado quinta-feira, 18 de maio de 2023 às 06:00 h | Autor: Eduardo Dias
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Distante 50km de Salvador, o município de Camaçari, conhecido como “cidade industrial” devido ao seu forte polo industrial que abriga inúmeras empresas dos mais variados gêneros, pode ter, em 2024, uma disputa e tanto para o comando de sua Prefeitura, para o quadriênio 2025-2028. Isso porque o cenário atual leva a crer que o embate principal do pleito será entre dois ex-prefeitos do município, que devem disputar o bate-chapa após 20 anos. 

Um deles é o atual secretário estadual de Relações Institucionais (Serin), Luiz Caetano (PT), que deve tentar seu quarto mandato como prefeito da cidade. Seu possível adversário, apoiado pelo atual prefeito Elinaldo Araújo (UB), que deixará o mandato, é o ex-prefeito Helder Almeida (UB), que é Superintendente de Transportes do município. 

Por fora, correm o ex-presidente da Câmara de Camaçari, Júnior Borges (UB), e a deputada federal Ivoneide Caetano (PT). Esta última seria candidata apenas se seu esposo, Caetano, decidir não concorrer ao pleito. Já Borges perdeu força política e pode acabar pleiteando uma vaga na vice do escolhido de Elinaldo. 

O Portal A TARDE ouviu fontes do município, dos mais variados campos políticos para entender o cenário político atual da cidade industrial da Bahia, que pode marcar o retorno do PT à prefeitura após oito anos 

Muitas delas afirmam que, caso Elinaldo opte por não lançar Helder Almeida, o nome da vez no radar é o do atual presidente da Câmara, Flávio Matos (UB), que é considerado um quadro jovem, nome forte do município e que seja capaz de derrotar uma candidatura de Caetano ou apoiada por ele. Esse, inclusive, é o principal desejo de Elinaldo: apresentar um nome capaz de deter o poderio de Caetano.

PT, o retorno

O PT de Caetano não comanda a cidade desde que foi derrotado há 7 anos por Elinaldo Araújo, em 2016. Caetano foi prefeito de Camaçari por três mandatos. O primeiro deles quando ainda era do PMDB, entre 1986 a 1988, o primeiro após a ditadura militar no país; o segundo e terceiro, de 2005 a 2008 e 2009 a 2012, respectivamente. 

Assim que deixou o comando da gestão estadual, Caetano conseguiu eleger seu sucessor, Ademar Delgado das Chagas (PT), que chefiou a cidade de 2013 a 2016, quando cedeu a vez na disputa pela reeleição para o próprio Caetano, mas que desta vez foi derrotado por Elinaldo e viu sua esposa, Ivoneide, também ficar para trás na disputa com o adversário em 2020.

Agora elegível, depois de mais de quatro anos com os direitos políticos suspensos, Caetano conta com o apoio do governador Jerônimo Rodrigues (PT) e a força eleitoral de Ivoneide na última eleição, onde obteve 105.885 votos válidos. 

Em Camaçari, Jerônimo, aliado de Caetano, não obteve a maioria dos votos no segundo turno em 2022.  Ele registrou 64.661 votos, contra 87.177 votos de ACM Neto (UB).

Caetano ainda precisa enfrentar uma resistência dentro do governo Jerônimo, que o aconselha a não sair candidato e lançar novamente o nome de Ivoneide. Ainda segundo fontes de A TARDE, a disputa é vista por Caetano como “algo pessoal” e ele não pretende abrir mão da candidatura.  

“A gente ainda não definiu candidatura, ainda está cedo para decidir um nome. Tem meu nome, tem o nome de Ivoneide, e o de outros companheiros do nosso grupo. Não estamos preocupados agora em definir quem será o candidato, nossa preocupação maior agora é organizar a frente política, ouvir a sociedade e montar um projeto para Camaçari, que está abandonada, maltratada”, declarou Caetano ao A TARDE.

Manutenção Demista

De saída do cargo, Elinaldo tenta emplacar um sucessor na cidade para manter o município sob o reduto “demista”, conquistado com muito suor. A cidade é vista pela sigla como fundamental para os planos do União Brasil de olho em 2026.

A disputa para saber quem será o escolhido por Elinaldo tem se afunilado entre Flávio Matos e Hélder Almeida. Mas, de acordo com fontes do Portal A TARDE, a decisão do prefeito sobre quem será seu candidato deve ser feita apenas em janeiro de 2024. 

Praticamente descartado internamente, o nome de Júnior Borges não é bem visto na base de Elinaldo, pelo fato de ter perdido o posto de presidente da Câmara e, consequentemente, o poder de articulação política entre os pares na cidade. Com isso, a avaliação na cidade é de que ele não tenha forças suficientes para a disputa. 

Já Flávio, apesar da jovialidade, não faz parte da “cozinha” de Elinaldo, embora seja do mesmo partido. E segundo fontes de A TARDE, é o que pode dificultar um eventual apoio do prefeito a ele na disputa. 

Outros partidos

Outro que está de olho na disputa municipal é Fábio Lima (PP), que foi candidato a deputado estadual pela sigla em 2022, mas não conseguiu se eleger. O PSOL também deve lançar candidatura própria, mas a definição de quem será o nome da sigla na disputa deve ocorrer em um congresso do partido entre julho e setembro deste ano. 

O PSOL, que tem federação com a Rede, pode ter a cabeça de chapa ou ceder o espaço para o partido da sustentabilidade e ficar com a vice. A ideia, segundo membros do partido na cidade, é ter a chapa completa pela primeira vez, para a tentativa de eleger ao menos um vereador.

Nomes como o do presidente municipal do PSOL, Igor Oliveira e do tesoureiro Nilton da Resistência, despontam como favoritos dentro da sigla. Ana Bueno e Negra Magna, ambas do diretório municipal, aparecem como opções. 

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