Busca interna do iBahia
HOME > política > BAHIA

PATRIMÔNIO IMATERIAL DO RIO?

Veja leis que atestam reconhecimento do acarajé e ofícios das baianas

Acarajé já é instituído Patrimônio Cultural de Salvador desde 2002

Eduardo Dias
Por Eduardo Dias
| Atualizada em
Tanto o acarajé quanto o ofício das baianas já são reconhecidos  como patrimônios de Salvador e da Bahia
Tanto o acarajé quanto o ofício das baianas já são reconhecidos como patrimônios de Salvador e da Bahia - Foto: Shirley Stolze /AG ATARDE

São coisas diferentes, mas que acendem o debate no âmbito municipal e a rivaldiade entre soteropolianos, baianos, cariocas e fluminenses. Depois de a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) aprovar projeto que torna o acarajé patrimônio histórico e cultural do estado, um alvoroço e revolta foram causados entre os baianos na internet.

A Lei 10.157/23, dos deputados Renata Souza (Psol), Dani Monteiro (Psol) e Átila Nunes (MDB), foi sancionada pelo governador Cláudio Castro e publicada na edição de 25 de outubro no Diário Oficial.

Tudo sobre Bahia em primeira mão! Compartilhar no Whatsapp Entre no canal do WhatsApp.

“O acarajé é uma especialidade das culinárias africana e afro-brasileira. Trata-se de um bolinho feito de massa de feijão-fradinho, cebola e sal, e frito em azeite de dendê. Seu nome vem da língua africana iorubá, onde ‘akará’ quer dizer ‘bola de fogo’ e ‘jé’ significa ‘comer'”, diz a nota do Palácio Tiradentes.

Em Salvador, durante sessão ordinária da Câmara Municipal na segunda-feira, 30, o vereador Silvio Humberto (PSB) cobrou da Prefeitura o reconhecimento do ofício da baiana de acarajé como patrimônio imaterial da cidade, alegando que a gestão municipal vetou em 2020 uma proposta de sua autoria, aprovada na Casa em 2017.

“Enquanto o Rio com todo direito e legitimidade reconheceu, em Salvador, cidade na qual historicamente o alimento sagrado também foi trazido pelas negras escravizadas e é bastante consumido na culinária e por adeptos do candomblé, vivenciamos o atraso do impedimento de valorizar a atividade de quem o produz”, disse o edil.

O PL nº 534, de autoria do vereador, foi apresentado em 2017 e aprovado com unanimidade na Câmara Municipal de Salvador, mas após três anos, foi rejeitado pelo então prefeito ACM Neto (União Brasil), sob a justificativa de que o reconhecimento deveria se dar por meio de procedimento administrativo a ser conduzido pelo Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, conforme diz o ofício nº 06/2020 encaminhado à Câmara:

“Com base no parecer técnico da Fundação Gregório de Mattos, em situação análoga, o processo administrativo de patrimonialização, conduzido pelo Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, que possui na sua composição membros da sociedade civil com afinidade com o patrimônio cultural, observa os requisitos técnicos para o reconhecimento oficial por meio de estudos, pesquisas, identificação dos elementos que compõem, indivíduos ou grupos sociais relacionados a sua existência, além de verificar as ameaças a sua continuidade. Destacando o mérito e a relevância do presente projeto que busca o reconhecimento do ofício das Baianas de Acarajé como patrimônio imaterial do Município de Salvador, na forma do disposto na Lei Municipal nº 8.550/2014 o reconhecimento deve se dar por meio de procedimento administrativo a ser conduzido pelo Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural”.

No entanto, uma proposta similar, mas voltada para a iguaria, se tornou lei em Salvador em 2002, quando o acarajé se tornou Patrimônio Cultural de Salvador, por meio da Lei Nº 6138/2002.

Nas redes sociais, a prefeitura fez uma postagem relembrando a sanção da lei. "Oxe, que agonia é essa? O acarajé é patrimônio cultural de Salvador desde 2002". A proposta foi sancionada pelo então prefeito Antônio Imbassahy.

No âmbito estadual, uma lei que vigora desde 2012, sancionada pelo então governador Jaques Wagner (PT), versa sobre o registro especial dos saberes e modos de fazer o ofício das baianas de acarajé, como patrimônio imaterial da Bahia, dando ao Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia - IPAC, autarquia vinculada à Secretaria de Cultura, autorização para adotar as providências previstas na Lei, visando à execução deste Decreto.

Siga o A TARDE no Google Notícias e receba os principais destaques do dia. Google Noticias Siga o A TARDE no Google Noticias

Compartilhe essa notícia com seus amigos

Compartilhar no Whatsapp Compartilhar no Facebook Compartilhar no Email

Tags

Acarajé baiana Baiana de Acarajé Rio de Janeiro Salvador

Relacionadas

Mais lidas