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Bolsonaristas prometem derrubar projeto sobre misoginia na Câmara: "Aberração"

Motim foi iniciado nas redes sociais após aprovação no Senado

Gabriela Araújo
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Deputado Nikolas Ferreira (PL) é um dos nomes que apoia a derrubada do projeto
Deputado Nikolas Ferreira (PL) é um dos nomes que apoia a derrubada do projeto - Foto: Kayo Magalhães | Câmara dos Deputados

A ala bolsonarista na Câmara dos Deputados se manifestou contra a aprovação do projeto de lei que criminaliza a misoginia, comportamento definido como sentimento de repulsa, ódio ou aversão às mulheres, que pode em casos de feminicídio.

Nas redes sociais, o motim repudiou o projeto aprovado no Senado, na noite de terça-feira, 24, e prometeu derrubar a proposta na chamada ‘Casa Baixa’, quando a medida for posta em votação.

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“Inacreditável é a palavra… Amanhã começa o trabalho pra derrubar essa aberração que foi aprovada hoje no Senado”, diz o deputado Nikolas Ferreira (PL).

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Na mesma linha, a deputada Bia Kicis (DF) diz que a medida provoca “divisão e ódio” entre os gêneros, e por essa razão, não deve avançar na Câmara, se depender dela.

“Projeto de divisão e ódio entre homens e mulheres acelerado com sucesso. E a direita cai na armadilha da esquerda. Primeira pergunta a ser respondida pela esquerda: mas afinal, o que é uma mulher? Nem isso vocês sabem dizer. Na Câmara trabalharemos para derrotar esse projeto”, afirmou a parlamentar.

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Já a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) desmentiu que seria autora do projeto polêmico e sugeriu restrições severas a interações cotidianas, o que a parlamentar classificou como uma "fake news absurda".

“Gente, preciso falar seriamente com vocês. Estão espalhando por aí que eu sou a autora de um projeto de lei sobre misoginia que poderia até proibir um simples "bom dia" às mulheres. ISSO É UMA FAKE NEWS ABSURDA!”, iniciou Damares.

Em seguida, ela complementou:

“Esse projeto NÃO É MEU. Pelo contrário, eu sou aquela que está no Senado analisando cada linha desse texto com toda cautela, justamente porque ele me preocupa muito. Sabe por quê? Eu já fui vítima disso! Tentaram me processar por dizer que, na minha fé, o marido deve proteger a sua esposa. Agora, imagine se aprovam um projeto mal escrito? Qualquer um de nós poderá ser perseguido apenas por expressar nossos valores”.

Veja vídeo

"Mordaça ideológica"

Já o deputado Mario Frias (PL-SP) foi além. Segundo ele, a medida se trata de uma verdadeira "mordaça ideológica" e "destrói a presunção de inocência".

"Ao equiparar qualquer tipo de crítica, postura firme ou simples desentendimento com a mulher a um crime de racismo, que é inafiançável e imprescritível, esse estado socialista coloca o homem como um cidadão de segunda classe, com a palavra da mulher tendo peso de lei. Na prática, o que estamos vendo é a tentativa de criminalizar o homem pelo simples fato de ser homem", escreveu o deputado.

O que será considerado misoginia?

De autoria da senadora Ana Paula Lobato (PSB-MA), o projeto deixa expresso na lei que o juiz precisa considerar como discriminatória:

"Qualquer atitude ou tratamento dado à pessoa ou a grupos minoritários que cause constrangimento, humilhação, vergonha, medo ou exposição indevida, e que usualmente não se dispensaria a outros grupos em razão da cor, etnia, religião, procedência nacional ou condição de mulher".

Além disso, o Ministério das Mulheres tem uma cartilha que dá exemplos de frases ou situações de misoginia:

  • quando a mulher é agredida pelo marido ou namorado e ainda ouve dele, de amigos e familiares que a culpa é dela;
  • quando a mulher tem uma ideia rejeitada para vê-la aproveitada por um homem, dizendo que foi dele;
  • frases como “Não precisa reagir assim, você está de TPM?” e “O boato é que ela recebeu esse aumento porque está saindo com o chefe”.

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Tags:

Câmara dos Deputados Misoginia Senado

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