Pré-candidato a governador pelo PDT se diz confiante em vitória

Para disputar pleito, José Estevão precisa ter seu nome escolhido na convenção do partido

Publicado terça-feira, 24 de maio de 2022 às 12:31 h | Atualizado em 24/05/2022, 14:15 | Autor: Lucas Franco
"Esperamos que a nacional cumpra conosco. Que se ACM Neto não apoiar Ciro, a nacional vai se voltar em apoio à nossa chapa", disse José Estevão
"Esperamos que a nacional cumpra conosco. Que se ACM Neto não apoiar Ciro, a nacional vai se voltar em apoio à nossa chapa", disse José Estevão -

Uma possível candidatura a governador da Bahia pelo PDT tem causado um tensionamento no diretório estadual do partido.

Mesmo com a tendência do partido de apoiar a candidatura do ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União Brasil), o filiado histórico da legenda, José Estevão, tem se apresentado como pré-candidato ao governo do estado e criticado o presidente da legenda na Bahia, o deputado Felix Mendonça Jr., por tratar o partido como uma "posse particular".

Estevão disse ainda estar otimista não só em concorrer ao pleito, com primeiro turno programado para o dia 2 de outubro, mas também em vencê-lo. “Essa é uma chapa que tem o perfil do PDT”, alegou o correligionário de Ciro Gomes.

Filiado ao PDT há mais de trinta e cinco anos, José Estevão faz parte de um grupo dentro do partido chamado Reestruturação, que reivindica o brizolismo e o trabalhismo. Em anos anteriores, já disputou as eleições, a exemplo de 1992 e 2000, quando foi candidato a vereador de Salvador e deputado estadual da Bahia, respectivamente, e em 1996, quando foi pré-candidato a prefeito da capital baiana, perdendo a disputa interna para João Henrique, que representou a legenda no pleito daquele ano. “Os companheiros entenderam que chegou a hora de o PDT ter uma candidatura própria”, disse.

Além de pretender encabeçar a chapa para a disputa ao Governo do Estado, José Estevão tem na sua chapa Neuzimar Camacam como vice, Sandro Correia como pré-candidato ao Senado e Civanilton Azevedo e Bolivar Francisco como suplentes ao Senado, todos do PDT.

O partido fundado por Brizola, atualmente, tem como filiada a vice-prefeita de Salvador, Ana Paula Matos, além de alguns nomes ligados ao grupo de ACM Neto, como o ex-secretário municipal da Saúde e atual pré-candidato a deputado Federal, Leo Prates, e o presidente da Limpurb, Omar Gordilho. Por outro lado, um outro pedetista, o vereador licenciado Henrique Carballal, é coordenador das pré-campanhas de Jerônimo Rodrigues (PT) a governador e de Otto Alencar (PSD) a senador.

Desacordo

Procurado pela reportagem de A TARDE, Felix afirmou desconhecer o alegado pré-candidato, mas explicou que qualquer filiado tem direito a pleitear candidaturas e que as mesmas serão escolhidas após convenção do partido. “Desconheço [José Estevão], mas qualquer filiado pode pleitear candidaturas, de presidente da República a vereador”, disse.

José Estevão, no entanto, diz ter se encontrado com Felix para debater os caminhos do partido, mas sem desdobramentos posteriores.

“[Felix] Não tem nos recebido. Ele nos recebeu uma vez no meeting [conferência virtual] no ano passado”, informou o autointitulado pré-candidato, que afirmou ainda que irá fazer palanque para a campanha presidencial de Ciro Gomes na Bahia.

As informações oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) dão conta de que a oficialização de uma candidatura é uma decisão do partido político, através das Convenções Partidárias, e deve acontecer este ano entre 20 de julho e 5 de agosto.

“Nós temos 417 municípios, o PDT só está vigente em 38. Daí você vê o esfacelamento do partido. Nós temos 38 diretórios que podem votar na convenção”, apontou José Estevão, que disse estar em conversa com correligionários da capital e do interior, além de manter contato com o diretório nacional do PDT.

“Esperamos que a nacional cumpra conosco. Que se ACM Neto não apoiar Ciro, a nacional vai se voltar em apoio à nossa chapa. Até agora não houve um pronunciamento [do diretório nacional], mas há um compromisso”, finalizou.

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