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Fim da fraude: governo estanca irregularidades no INSS

Garantia foi dada pelo ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, em audiência na Câmara dos Deputados

Redação
Por Redação
Audiência pública discute providências do governo sobre a fraude contra aposentados
Audiência pública discute providências do governo sobre a fraude contra aposentados - Foto: Vinicius Loures / Câmara dos Deputados

O ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, garantiu na Câmara dos Deputados que o governo pôs fim à fraude de descontos associativos indevidos no INSS. Ele participou de audiência pública conjunta das Comissões de Previdência e de Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa.

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O escândalo veio a público em abril por meio da Operação Sem Desconto, da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União. O ministro destacou a suspensão imediata dos descontos, o bloqueio de R$ 119 milhões em bens das 11 associações suspeitas e a orientação do presidente Lula para punir os responsáveis e blindar o INSS de novas fraudes.

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“O escândalo não começou agora, mas terminou neste governo. A fraude era antiga, mas a resposta dada por nosso governo foi uma resposta definitiva”, afirmou Wolney Queiroz.

Ele esclareceu que o total de 9,4 milhões de aposentados e pensionistas com descontos associativos entre 2019 e 2024 resulta no montante de R$ 6,3 bilhões. Porém, o real montante não autorizado ainda está sendo apurado de acordo com as efetivas contestações dos beneficiários por meio do aplicativo Meu INSS, da Central 135 ou via Correios.

Mais de 3 milhões de aposentados e pensionistas com descontos se manifestaram, e R$ 292 milhões foram ressarcidos entre 26 de maio e 6 de junho. O ministro reafirmou que nenhum aposentado ficará no prejuízo.

“O cidadão contesta, o INSS notifica a entidade responsável e ela tem 15 dias para apresentar os documentos, confirmando que tem assinatura e tem a ficha de filiação (do beneficiário). Ou, então, ela imediatamente faz um recolhimento através de uma GRU [Guia de Recolhimento da União], devolvendo os valores ao INSS, e o INSS posteriormente devolverá àquele aposentado ou pensionista”, disse.

Wolney Queiroz ainda destacou as ações de uma força-tarefa permanente da Previdência Social, Ministério Público Federal e Polícia Federal com foco no combate a fraudes. De 2023 até agora, foram 333 prisões, incluindo flagrantes e mandados judiciais, e 103 servidores demitidos. Projeta-se economia de R$ 1,3 bilhão aos cofres públicos com essas ações.

O ministro ainda anunciou para 12 de junho a apresentação oficial do novo Plano de Integridade do INSS (2025/26), que identifica e classifica os riscos e propõe ações específicas de mitigação.

No cargo desde maio em substituição ao ex-ministro Carlos Lupi, Wolney Queiroz disse ter assumido a Previdência sem estar “inebriado pelo cargo, mas para ser o porta-voz da indignação que tomou conta da sociedade brasileira” diante dos descontos não autorizados de aposentados e pensionistas.

O presidente da Comissão do Idoso, deputado Zé Silva (Solidariedade-MG), se manifestou diante dos vários projetos de lei analisados no Congresso sobre o tema, inclusive com possibilidade de fim dos descontos associativos.

“Nós não podemos fechar as entidades sérias que prestam serviço nos grotões do Brasil. A solução é a polícia mesmo pegar os criminosos e prender quem roubou os aposentados e pensionistas no Brasil”, disse.

Deputados governistas e da oposição também exigiram punição rigorosa aos fraudadores, mas divergiram quanto ao início dos atuais descontos não autorizados.

O deputado Alencar Santana (PT-SP) falou pela liderança do governo. “Quando começou a fraude no INSS? É sabido: começou no governo anterior. Das entidades envolvidas no roubo, quantas foram cadastradas no governo anterior? Salvo engano, são sete”, disse.

Um dos autores do requerimento de audiência e vice-líder da Oposição, o deputado Sanderson (PL-RS) lamentou a falta de apoio do governo para a investigação do caso no Congresso. “Apresentamos o requerimento de CPI e nós aqui não obtivemos o apoio de nenhum parlamentar governista para investigar e buscar a verdade sobre tudo”, afirmou.

O ministro Wolney Queiroz defendeu a independência de investigação da Política Federal e manifestou receio de que a CPI se transforme em “palco de disputa política” que atrapalhe o efetivo ressarcimento dos aposentados e pensionistas.

Outro autor de requerimento, o presidente da Comissão da Previdência, deputado Ruy Carneiro (Pode-PB), reclamou da demora de atendimento aos beneficiários do INSS nas regiões Norte e Nordeste. O ministro admitiu o problema e reafirmou a meta do governo de zerar a fila de atendimento. Citou o recente concurso público para a contratação de 250 novos peritos, que devem iniciar o trabalho em agosto.

Wolney Queiroz afirmou que a Previdência é o maior programa de transferência de renda contínua do mundo, com injeção de R$ 77,8 bilhões por mês (R$ 1 trilhão/ano) na economia. O benefício médio é de R$ 1,8 mil e movimenta a microeconomia brasileira. Ao todo, são 99,3 milhões de segurados (RGPS).

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Câmara dos Deputados Descontos indevidos fraude INSS INSS Ministério da Previdência Wolney Queiroz

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