QUEM PAGA A CONTA?
Fim da escala 6x1 sob ameaça? Entenda posicionamento do PL e União Brasil no Congresso
Presidentes dos partidos admitiram articulação para barrar a proposta

Embora seja uma das principais apostas do governo Lula (PT) em ano eleitoral e haja articulações internas para destravar a tramitação no Congresso, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6x1 enfrenta forte resistência da oposição e pode ser barrada já na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados.
Ao abrir o posicionamento dos partidos sobre o tema, os presidentes nacionais do PL, Valdemar Costa Neto, e do União Brasil, Antônio Rueda, afirmaram que vão atuar para enterrar a proposta na Casa. Juntos.
PL e União Brasil somam 145 deputados do total de 513 deputados da Câmara. Para a PEC que dá fim a escala 6x1 ser aprovado, o mínimo necessário de 308 votos (3/5 dos deputados).
“Vamos trabalhar para que não seja votado. Vamos trabalhar para isso, dar a vida para isso. Vamos pedir pressão dos empresários para ir em cima dos deputados. Porque se puser isso em pauta, é muito difícil não passar”, garantiu Valdemar.
Rueda, por sua vez, afirmou que o esforço será para “construir uma blindagem dentro da CCJ”, a fim de impedir que o texto avance ao plenário.
As declarações foram dadas na segunda-feira, 23, durante evento promovido pelo grupo Esfera Brasil, na capital paulista, com a presença de empresários e representantes de setores econômicos.

Por que a negativa?
Rueda argumentou que a PEC “tem como finalidade colher resultado eleitoral” favorável ao governo Lula e classificou a proposta como “um assunto muito penoso” para o empresariado.
“Essa proposta é muito danosa para a economia e o setor produtivo. Ela é posta no ano eleitoral. A gente tem que ter inteligência e perspicácia para, dentro da política e do diálogo, tentar segurar essa proposta. É um desatino para a economia. Quem vai pagar essa conta é o consumidor, com a inflação”, afirmou o presidente do União Brasil.
Tramitação
Tramitam na Câmara duas propostas apensadas de emenda à Constituição que preveem a redução da jornada de trabalho, atualmente limitada a 44 horas semanais, sem corte salarial.
Representantes do setor produtivo avaliam que a mudança pode ampliar custos e levar à redução de postos de trabalho.
O que diz o governo
Após os posicionamentos dos dirigentes do PL e União Brasil, a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT), usou as redes sociais para defender a proposta de extinção da escala 6x1 e da adoção da jornada semanal de 40 horas.
Segundo ela, não tem nenhuma base para as sustentações de que a proposta traria “demissões e inflação”.
Veja:
O noticiário do terror contra o fim da escala 6 x 1 com jornada de 40 horas baixou hoje nas páginas do Valor, anunciando sem base alguma que a mudança traria “demissões e inflação”. É impressionante como os setores ouvidos pelo jornal se reivindicam como avançados na economia e…
— Gleisi Hoffmann (@gleisi) February 24, 2026
O que é a PEC que propõe o fim da escala 6x1?
A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) visa extinguir a escala de trabalho 6x1, reduzindo a jornada semanal de trabalho para 40 horas sem corte salarial.
Por que a PEC enfrenta resistência no Congresso?
A PEC enfrenta forte oposição de partidos como PL e União Brasil, que argumentam que suas diretrizes são prejudiciais à economia e têm intenções eleitorais por parte do governo.
Qual é o número mínimo de votos necessários para a aprovação da PEC?
Para a PEC ser aprovada, são necessários no mínimo 308 votos, que correspondem a 3/5 dos 513 deputados da Câmara dos Deputados.
Quais são os argumentos contra a PEC que propõe a redução da jornada de trabalho?
Os opositores argumentam que a PEC pode aumentar os custos para as empresas e resultar em demissões, além de ser considerada danosa para a economia.
O que diz o governo sobre as críticas à PEC?
A ministra Gleisi Hoffmann defende a proposta, afirmando que não existem evidências de que ela causaria demissões ou inflação, desconsiderando as alegações contrárias.
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