OPERAÇÃO WI-FI
Prefeitura pagou 230% a mais a instituto do filme de Bolsonaro
Operação foi deflagrada nesta segunda-feira, 1º


As investigações da Operação Wi-Fi, deflagrada pela Polícia Civil de São Paulo, apontaram que a Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia (SMIT) pagou à entidade um valor 230% superior aos parâmetros de mercado para a instalação de pontos de internet sem fio em comunidades periféricas da capital paulista.
Os trabalhos apuram indícios de superfaturamento e desvio de recursos públicos em um termo de colaboração firmado entre a Prefeitura de São Paulo e o Instituto Conhecer Brasil (ICB).
O ICB, representado por Karina Ferreira da Gama, é a mesma organização responsável pela produção do filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Os relatórios técnicos indicam graves inconformidades na formação dos preços desde a origem do certame.
Como funcionava o esquema?
De acordo com os investigadores, enquanto a Empresa de Tecnologia da Informação e Comunicação do Município de São Paulo (Prodam) estabelecia o custo de R$ 306 por ponto instalado, acrescido de uma taxa de manutenção mensal de R$ 200, a parceria com o instituto fixou a cobrança em R$ 1.800 lineares por unidade.
As autoridades policiais suspeitam que a diferença tarifária tenha sido canalizada de forma ilícita para a produtora Go Up Entertainment Ltda, também controlada por Karina, com o objetivo de subsidiar os custos de captação da obra cinematográfica.
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O documentário Dark Horse também figura no centro de outra frente de apuração envolvendo transações financeiras do Banco Master. Conforme dados que constam no inquérito, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) teria intercedido junto ao banqueiro Daniel Vorcaro para viabilizar aportes financeiros à produção, que teve a coordenação executiva do deputado federal Mario Frias (PL-SP).
Transferências
Auditorias apontam que cerca de R$ 61 milhões foram transferidos por uma subsidiária vinculada à instituição financeira para o projeto audiovisual, utilizando um fundo de investimentos sediado no Texas (EUA), região de residência do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL).
Os parlamentares negam qualquer tipo de desconformidade ou repasse ilegal na engenharia financeira do filme.
Cooperação
Em contraposição às acusações, a gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) divulgou nota oficial afirmando que o custo real mensurado na parceria para o exercício de 2026 corresponde a R$ 1.280 por ponto ao mês, patamar inferior às cotações obtidas no ano de 2022, que variavam entre R$ 2.026,26 e R$ 5.092,14.
O Palácio Anchieta ressaltou que coopera com as requisições judiciais, esclarecendo que o chamamento público foi processado em 2024 sob os critérios de transparência e ampla concorrência, período anterior ao início da produção cinematográfica citada.
O Executivo paulistano acrescentou que o aditivo contratual recente limitou-se à manutenção operacional dos 3,2 mil pontos já implantados nas áreas periféricas, refutando a tese de pagamentos indevidos para um lote de 5 mil pontos de conexão.


