SALVADOR
Demolição de prédio revive trauma de moradores no Stiep: “Nem consigo ver”
Reportagem de A TARDE esteve no local e acompanhou o início da intervenção

A demolição das partes comprometidas do prédio atingido por uma explosão seguida de incêndio no bairro do Stiep, em Salvador, começou na manhã desta quarta-feira, 8, e reacendeu a dor de moradores que ainda convivem com os impactos da tragédia ocorrida no fim de fevereiro. A reportagem do portal A TARDE esteve no local e acompanhou o início da intervenção, marcada por relatos de tristeza, incerteza e esperança de retorno para casa.
Durante o horário comercial, das 8h às 17h, equipes da Defesa Civil de Salvador (Codesal) atuam no condomínio para demolir as áreas instáveis do bloco 105A, diretamente afetadas pela explosão. Segundo o órgão, a medida é necessária para garantir a segurança da estrutura e evitar novos incidentes.
Entre os moradores afetados está Maria da Paixão, de 75 anos, que vivia há mais de quatro décadas no térreo do bloco atingido. Abalada, ela contou que ainda não consegue sequer olhar para o imóvel onde morou por 45 anos.
A dor está tão grande que nem lá eu vou. Não tenho coragem de ir lá não. Nem consigo ver.
Desde a explosão, Maria está morando de favor na casa de uma amiga, junto com o filho. Ela relatou que ele ascapou por pouco de uma tragédia ainda maior. “Meu filho estava dormindo na hora. Ele acordou desorientado. Graças a Deus ele saiu. Foi Deus, foi a mão de Deus”, afirmou emocionada.

Apesar do trauma, ela ainda mantém esperança de voltar ao apartamento. “Falaram que lá para maio vão dar um veredicto final, para dizer se a gente vai poder voltar. A gente está nessa esperança”, disse.
“Estou morando de favor”
Outro residente afetado pela explosão é José Carlos, de 66 anos, rambém morador do bloco 105A. Ele contou que está vivendo temporariamente na casa de conhecidos e reclama da falta de apoio.
Estou morando de favor na casa dos outros
José afirma que, até o momento, não recebeu auxílio financeiro e que precisou buscar informações por conta própria.
“Não recebi orientação nenhuma. Fui por conta própria na Codesal. Disseram que algumas pessoas receberam auxílio, mas eu não recebi nada”, afirmou.

O morador também relembrou os momentos de tensão no dia da explosão e disse que foi retirado dos escombros por um trabalhador que estava em seu apartamento.
“Eu estava dentro de casa. Do nada comecei a ouvir tudo caindo. Tinha um pintor lá em casa, foi ele que me tirou dos escombros”, contou.
O que diz a Codesal
De acordo com o diretor-geral da Codesal, Adriano Silveira, o trabalho deve seguir até o fim deste mês e consiste na retirada de todos os escombros e partes da estrutura que ainda oferecem risco.
“Esse trabalho é minucioso e começou a ser mobilizado desde segunda-feira. Hoje iniciamos a demolição das partes instáveis, de todos os pedaços do prédio que oferecem risco. Quando esse processo for finalizado, vamos fazer o fechamento da parte interna para que essas unidades destruídas não ofereçam risco aos demais moradores”, explicou.

Ainda segundo Adriano, após a conclusão desta etapa, parte dos apartamentos poderá ser liberada para reocupação.
“Os apartamentos parcialmente atingidos serão liberados assim que fizermos o fechamento de alvenaria das áreas mais afetadas. Já os imóveis mais atingidos precisarão ser recompostos pelos moradores antes da liberação”, acrescentou.
Terceira fase
Ainda segundo a Codesal, os trabalhos serão executados pela empresa Angra, sob coordenação da Sedur, e têm previsão de conclusão até o final de abril. Após essa etapa, será iniciada uma terceira fase, que inclui o isolamento das áreas destruídas com alvenaria e a liberação das unidades parcialmente atingidas.

A expectativa é que, com o avanço das intervenções, moradores de apartamentos não afetados possam retornar às suas residências com segurança. A Defesa Civil informou que seguirá acompanhando todas as etapas do processo e prestando suporte às famílias.
Relembre o caso
A explosão que atingiu o bloco 105A do Conjunto Habitacional dos Bancários, no bairro do Stiep, ocorreu na noite do dia 27 de fevereiro e foi seguida por um incêndio de grandes proporções. O caso mobilizou equipes do Corpo de Bombeiros, da Defesa Civil de Salvador (Codesal) e da Polícia Militar.
Na ocasião, moradores relataram momentos de pânico após o forte estrondo e a rápida propagação das chamas. Imagens do prédio danificado circularam nas redes sociais e chamaram atenção pela destruição causada em parte da estrutura do edifício.

Após o incêndio, o imóvel passou por vistorias técnicas para avaliar os danos estruturais e definir as medidas necessárias para garantir a segurança dos moradores e das construções vizinhas.
Veja vídeo:
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