CRIATIVIDADE E SEGURANÇA
Empreendedorismo feminino é chave para romper ciclos de violência, dizem especialistas
Programação do Mulheres em Pauta, realizado pelo Grupo A TARDE, promoveu debate sobre automia feminina

Durante a Conferência Mulheres em Pauta, promovida pelo Grupo A TARDE nesta terça-feira, 17, especialistas discutiram como o empreendedorismo pode representar uma saída para mulheres que vivem em ciclos de violência.
Nos últimos anos, os processos relacionados ao crime cresceram 3,49%, evidenciando o risco enfrentado por milhares de brasileiras. Segundo Janaína Neves, representante do Sebrae, a instituição tem atuado no fortalecimento da autonomia financeira feminina.
“A gente trabalha primeiro o reconhecimento de si mesma. Fazemos com que essa mulher acredite na própria capacidade. Depois começamos a abordar questões relacionadas à gestão de negócios, como abrir um pequeno empreendimento e identificar em que área ela tem aptidão”, explicou a gestora.
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Ela destacou ainda o programa Sebrae Delas, iniciativa voltada ao fortalecimento do empreendedorismo feminino, especialmente entre mulheres em situação de vulnerabilidade.

“O programa atende tanto mulheres que empreendem por sobrevivência quanto aquelas que buscam independência financeira. A ideia é desenvolver o potencial empreendedor e fortalecer a autoconfiança”, afirmou.
Desafios no combate à violência
Apesar das políticas públicas existentes, o enfrentamento da violência doméstica em Salvador ainda enfrenta obstáculos. A secretária de Políticas para Mulheres, Infância e Juventude, Fernanda Lordelo, afirma que o combate à violência exige mobilização social e investimentos contínuos.
“O nosso maior desafio é fazer com que a comunidade, com o apoio da mídia e da sociedade, reconheça e conheça as políticas públicas efetivas de combate à violência contra a mulher”, disse.

Entre as iniciativas existentes na capital baiana estão três centros de referência de atendimento à mulher, que contam com equipes psicossociais, além da Casa da Mulher Brasileira, inaugurada em dezembro de 2023.
Segundo a secretaria, o espaço já realizou mais de 32 mil atendimentos, beneficiando cerca de 10 mil mulheres.
Autonomia financeira como proteção
A delegada Juliana Fontes, da Polícia Civil, ressaltou que a dependência financeira é um dos fatores que dificultam a denúncia e o rompimento com relações abusivas.
“Quando a mulher tem autonomia financeira, há uma maior facilidade para romper o ciclo da violência doméstica. Nas delegacias, contamos com equipes psicossociais que encaminham essas mulheres para serviços de assistência social, justamente para que elas possam buscar independência”, explicou.
A Polícia Civil também tem investido em ações educativas para melhorar o atendimento às vítimas. De acordo com a delegada, mudanças na formação dos agentes estão sendo implementadas por meio do Departamento de Proteção à Mulher, Cidadania e Pessoas Vulneráveis.

“Atualmente temos apenas 15 delegacias especializadas em atendimento à mulher em um estado com 417 municípios. Por isso, nosso objetivo é capacitar todos os policiais para oferecer acolhimento humanizado e escuta qualificada onde quer que a vítima procure ajuda”, afirmou.
Veja fotos do evento:

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