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Cemitério de escravizados: estacionamento em Salvador é interditado pelo Iphan

Decisão foi tomada por apontar ameaças ao patrimônio arqueológico e à memória histórica do local

Isabela Cardoso
Por
Entrada da Pupileira, localizado na sede da Santa Casa de Misericórdia da Bahia
Entrada da Pupileira, localizado na sede da Santa Casa de Misericórdia da Bahia - Foto: Divulgação/ Arqueólogos Consultoria e Pesquisa Arqueológica

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) determinou, nesta quarta-feira, 29, a interdição do estacionamento da Pupileira, localizado na sede da Santa Casa de Misericórdia da Bahia, em Salvador.

A decisão foi tomada por apontar ameaças ao patrimônio arqueológico e à memória histórica do local, reconhecido como um sítio arqueológico de relevância nacional.

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Segundo o documento, a área onde hoje funciona o estacionamento corresponde a uma parte do antigo cemitério do Campo da Pólvora, utilizado por mais de 150 anos para o sepultamento de pessoas escravizadas, indigentes e revoltosos, entre eles, integrantes da Conjuração Baiana (1798) e da Revolta dos Malês (1835).

Fragilidade do sítio e risco de destruição

De acordo com o IPHAN, o solo da área é composto por vestígios humanos osteológicos extremamente frágeis, que vêm sofrendo aceleração no processo de decomposição devido ao tráfego constante de veículos.

O peso dos carros sobre o terreno pressiona as camadas de aterro, provocando fragmentação dos ossos e danos irreversíveis às porções menos profundas do sítio.

Estudos da Universidade Federal da Bahia (Ufba) no local
Estudos da Universidade Federal da Bahia (Ufba) no local - Foto: Divulgação/ Arqueólogos Consultoria e Pesquisa Arqueológica

O relatório técnico que embasa a decisão cita ainda que o uso da área como estacionamento representa uma ameaça direta à integridade do patrimônio arqueológico e um apagamento simbólico da memória histórica.

O local é considerado um espaço sensível de memória, de especial importância para comunidades afro-brasileiras, muçulmanas, movimentos antirracistas e pesquisadores da área de Humanidades.

Espaço de memória e apagamento histórico

Para o IPHAN, a manutenção do estacionamento na área constitui uma forma de violação aos direitos simbólicos e à dignidade histórica das pessoas ali sepultadas e de seus descendentes.

O documento ressalta que a ocupação indevida da área significa “um apagamento das memórias associadas ao cemitério e uma negação dos direitos básicos dos indivíduos sepultados e de seus descendentes”, configurando também ofensa à memória coletiva e ao patrimônio cultural brasileiro.

Amparo legal e medidas cabíveis

O Termo de Interdição tem amparo na Constituição Federal de 1988 e na Lei nº 3.924/1961, que proíbe expressamente a destruição, mutilação ou aproveitamento econômico de sítios arqueológicos no território nacional.

O IPHAN, na condição de autarquia federal responsável pela tutela do patrimônio cultural, informou que a interdição atende ao interesse público de preservação. O órgão também advertiu que qualquer descumprimento do termo será interpretado como ato ilícito, sujeito a medidas judiciais cabíveis.

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Iphan pupileira santa casa de misericórdia

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