ACESSO BLOQUEADO
Moradores ficam sem acesso às suas casas após desabamento em Salvador
Os escombros da estrutura continuam espalhados pela via e bloqueiam a passagem

Os moradores da localidade conhecida como Marocão, na Baixa das Pedrinhas, bairro de Luís Anselmo, em Salvador, enfrentaram dificuldades para acessar as próprias casas na manhã deste domingo (17), após o desabamento de um prédio de quatro pavimentos que deixou três mortos.
Os escombros da estrutura continuam espalhados pela via e bloqueiam a passagem na região.

Conforme reportagem do Portal MASSA!, que esteve no local, o cenário na área é de destruição e revolta entre os moradores. Equipes da Defesa Civil de Salvador (Codesal) seguem atuando na área, realizando vistorias nos imóveis vizinhos e avaliando possíveis riscos de novos desabamentos.
Relatos de pânico e indignação
Morador da região há 65 anos, Fernando José relatou o clima de pânico vivido durante a madrugada e afirmou que ainda não conseguiu se recuperar emocionalmente após a tragédia.
“Um susto muito grande. Eu não dormi. Quando fui para a cama era 15 para as 5h, mas a adrenalina estava muito forte. Só fui pegar no sono depois das sete da manhã”, contou.
Segundo ele, todas as vítimas eram conhecidas da comunidade. “Todos aqui, todos conhecidos”, disse.

Fernando afirmou ainda que recebeu orientação das autoridades para deixar a residência durante a madrugada, mas decidiu permanecer no imóvel. O morador também criticou o suporte oferecido pelo poder público às famílias afetadas.
“Fiz o cadastro da prefeitura, mas não espero receber nada. Eles não gostam de dar nada a ninguém, criam uma burocracia para não dar nada”, declarou, ao citar o cadastramento realizado pela Secretaria Municipal de Promoção Social, Combate à Pobreza, Esportes e Lazer (Sempre).
Sempre e Codesal em atuação
De acordo com o subsecretário da Sempre, Dênio Primo, já foram cadastradas 12 famílias, totalizando 32 pessoas atingidas pela tragédia.
“Fizemos 12 cadastros de 12 famílias, totalizando 32 pessoas, onde nós vamos disponibilizar 11 cesta básicas, 17 colchões, 14 cobertores, 17 lençóis, 15 toalhas, 14 kits em higiene, 14 travesseiros, 14 fronhas, com auxílio funeral para as duas vítimas que vieram a falecer”, afirmou.
A Codesal informou que segue monitorando a região e realizando a remoção dos escombros.
As vítimas do desabamento
Os três mortos foram identificados como Roberto Carlos Evangelista, de 58 anos, Maurício Santos Lima, de 51, e Raimundo Brito dos Santos, de 59.
No momento do acidente, além dos trabalhadores, outras três pessoas estavam dentro do prédio de quatro andares: um homem chamado José Antônio, a esposa dele e o filho do casal, um bebê de um ano e seis meses. A família conseguiu sobreviver.
A mulher foi levada ao Hospital Geral do Estado (HGE), onde permanece fora de perigo. Segundo relato de familiares, ela sente dores pelo corpo, mas apresenta quadro estável. O marido e a criança não se feriram.