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Papai Noel existe? Google vira barreira para crença no 'Bom Velhinho'

Milhões de crianças recorrem ao site para atestar existência

Gabriel Moura
Por Gabriel Moura
Papai Noel é um dos maioires símbolos do Natal
Papai Noel é um dos maioires símbolos do Natal - Foto: Divulgação

Antes da internet, atestar a existência do Papai Noel exigia de uma criança planos que envolviam espiar a lareira e ficar acordado até de madrugada para descobrir quem coloca os presentes na árvore. Hoje, uma simples ida ao Google encerra o caso. Mas será que também encerra a magia do Natal?

Mãe de duas meninas, uma de cinco e outra de sete, a funcionária pública Soraia Santos, 46, conta que as pequenas já estão na fase de questionar a existência do ‘Bom Velhinho’. “Outro dia, passamos em sequência por dois shoppings aqui em Salvador, e elas encontraram Papai Noel em ambos. Elas ficaram confusas, perguntando como que o Papai Noel pode estar em dois lugares ao mesmo tempo”, diz.

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Por enquanto, a explicação de que os barbudos nos shoppings são auxiliares do verdadeiro presenteiro, que vive no Polo Norte, mas não demorará até que as jovens curiosas descubram a verdade através de outros meios.

Para um destes ‘ajudantes’, o segredo é nunca mentir para a criança. Atuando nesta função há 14 anos, o Papai Noel do Shopping Salvador analisa que as crianças estão um pouco mais confusas atualmente.

“Antigamente era mais fácil acreditar no bom velhinho. Não existia a figura física do Pai Noel em cada canto da cidade, o que deixava o mistério muito maior. E muitas vezes os próprios pais cometem alguns excessos com a criança, dizendo que é o ‘vovô’, por exemplo. Quanto menos você tentar a criança, quanto mais claro seja, melhor”, opina.

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A confusão e diferentes versões apresentadas pelos adultos levam os pequenos para a internet. Em 2019, um estudo do site "Exam Papers Plus" estimou que, a cada ano, 1,1 milhão de crianças faziam a pergunta ao Google ou em redes sociais como YouTube e Tik Tok.

As pesquisas por "o Papai Noel é real", somente em inglês, aumentaram 5.800% globalmente, em 2023. Em dezembro, a pergunta atingiu uma média de 3,1 milhões de buscas, que geraram 3,2 milhões de resultados em 0,3 segundos.

No Brasil, o Google Trends revela que todos os anos em dezembro o termo "Papai Noel Existe" atinge o pico.

Atualmente, quando se pergunta sobre a existência do Bom Velhinho, a resposta gerada através da inteligência artificial do Google é direta: "Não, o Papai Noel não é real."

"Não, o Papai Noel não é real, mas a sua figura é inspirada em São Nicolau, um monge turco que viveu no século IV. São Nicolau era um abade conhecido pela sua bondade e piedade. Conta a tradição cristã que ele ajudou uma jovem a não ser vendida pelo pai, dando-lhe um saco cheio de moedas de ouro para pagar o dote de casamento. A fama de São Nicolau como um homem bondoso com as crianças extrapolou o catolicismo e inspirou a criação do Papai Noel. A Igreja Católica canonizou São Nicolau e comemora-se o Dia de São Nicolau no dia 6 de dezembro. A imagem do Papai Noel como um homem alegre, corpulento, com barba branca, vestindo um casaco vermelho, tornou-se popular no século XIX graças ao poema 'A Visit from St. Nicholas'", diz o texto completo fornecido pelo serviço de pesquisas.

O que é saudável?
Especialistas como a psicóloga da infância e adolescência e educadora Jamile Souza defendem a tese de que acreditar no Papai Noel traz uma série de benefícios no início da vida.

"A criança se expressa e se comunica com o mundo através da ludicidade e da fantasia, por isso o Papai Noel pode ser um instrumento de expressão de emoções e sentimentos sobre muitos aspectos da vida. Através da magia do Natal e, especialmente a partir da figura do Papai Noel, podemos auxiliar as crianças a desenvolverem capacidade para planejamento quando ela precisa pensar no que vai pedir ao bom velhinho de presente, assim como trabalhar a escrita quando precisa escrever a sua cartinha", elenca a especialista.

No entanto, a era da fantasia é apenas temporária e cabe aos pais encontrar uma melhor maneira de encerrar a 'magia'.

"Antes de falar abertamente 'ele não existe', pode-se descrever o mundo do Natal e suas peculiaridades durante essa conversa. Aqui os adultos podem explorar as nuances da data e do bom velhinho, permitindo que a criança se dê conta de que 'nesse quebra-cabeça está faltando peça'", conta a especialista.

"A melhor forma não é única e nem universal, vai depender sempre de cada crença familiar e de cada estrutura pessoal da criança, pois numa mesma casa esse momento pode se dar de maneiras distintas, mesmo entre irmãos, pois o tempo e o jeito de cada pessoa é que serão os termômetros para as tomadas de decisões das famílias", encerra Jamile Souza.

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