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Salvador decreta emergência por metais pesados em São Tomé de Paripe

Decreto tem validade de 90 dias após identificação de contaminação ambiental

Isabela Cardoso
Por
| Atualizada em
Praia de São Tomé de Paripe
Praia de São Tomé de Paripe - Foto: Denisse<Salazar

A Prefeitura de Salvador decretou situação de emergência ambiental na região litorânea de São Tomé de Paripe, no Subúrbio Ferroviário, após a identificação de contaminação por substâncias químicas e metais pesados na área. A medida, informada na terça-feira, 9, terá validade de 90 dias.

Segundo o município, a decisão foi tomada com base em análises técnicas realizadas pelo Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), que apontaram concentrações elevadas de metais como cobre, zinco e ferro em diferentes pontos da região afetada.

Contaminação atingiu organismos marinhos

De acordo com a prefeitura, os estudos identificaram níveis preocupantes de contaminação em organismos marinhos, especialmente moluscos bivalves, como ostras, encontrados na área.

A situação acendeu o alerta para possíveis impactos ambientais e riscos à saúde da população que frequenta a região.

A gestão municipal atribui os danos ambientais a resíduos provenientes de atividades desenvolvidas pelas empresas Gerdau e Intermarítima, conclusão baseada em apurações conduzidas pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA).

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Decreto busca garantir recursos e ações emergenciais

Em entrevista, o prefeito Bruno Reis afirmou que o decreto é uma etapa necessária para viabilizar o acesso a recursos federais destinados ao enfrentamento dos impactos ambientais.

Segundo ele, a medida também pode auxiliar órgãos de controle e fiscalização na responsabilização dos envolvidos.

"É um pré-requisito para habilitação junto ao governo federal e também pode subsidiar eventuais medidas adotadas pelo Ministério Público", afirmou.

O prefeito informou ainda que uma força-tarefa será organizada para elaborar um plano de ação voltado à recuperação ambiental e ao atendimento das famílias afetadas.

Área segue imprópria para banho

O Inema informou que acompanha o caso desde março, quando determinou a interdição das atividades do Terminal Itapuã. O órgão também notificou as empresas envolvidas para a adoção de medidas emergenciais de contenção e remediação ambiental.

Segundo o instituto, a área permanece imprópria para banho e para atividades recreativas com contato direto com a água devido à presença de resíduos e substâncias potencialmente nocivas à saúde humana e ao meio ambiente.

Em maio, uma nova sinalização foi instalada para reforçar as restrições de acesso ao local.

Estudos identificaram metais e compostos químicos

As análises laboratoriais realizadas pelo Inema envolveram amostras de água, areia e organismos marinhos coletados em oito pontos da praia.

Os resultados apontaram concentrações elevadas de metais, principalmente cobre, além de alterações significativas em sedimentos e organismos vivos da região.

Também foram encontrados níveis elevados de nitrato, nitrito e nitrogênio amoniacal na areia e na água intersticial, aquela localizada abaixo da superfície da faixa de areia.

Já na água do mar, as irregularidades foram registradas principalmente em áreas próximas ao terminal marítimo.

Famílias recebem assistência

Desde o surgimento das manchas e da contaminação, a prefeitura afirma que vem prestando assistência às famílias impactadas, incluindo a distribuição de cestas básicas e outros itens de apoio social.

Muitos moradores da região dependem diretamente da pesca e da coleta de mariscos para geração de renda, atividade que foi comprometida após a interdição da área.

Empresas divergem sobre responsabilidades

Em nota, a Gerdau informou que vendeu o Terminal Marítimo para a Intermarítima em 2022 e que a licença ambiental foi transferida ao novo proprietário.

A empresa também contestou a existência de conclusões definitivas sobre a origem da contaminação e afirmou que ainda não há comprovação técnica sobre as causas do problema.

Apesar disso, a companhia declarou que se colocou à disposição para contribuir financeiramente com ações de apoio à comunidade e com os custos das investigações, sem reconhecer responsabilidade pelo dano ambiental.

Recuperação ambiental segue em análise

O Inema informou que continuará avaliando os estudos apresentados pelas empresas e definirá as medidas permanentes necessárias para mitigar os impactos ambientais identificados na região.

Enquanto isso, a recomendação é que a população evite o contato com a água e os organismos marinhos da área até que haja garantia de segurança ambiental e sanitária.

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Tags

meio ambiente Salvador São Tomé de Paripe

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