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PESQUISAS EM RISCO

Governo Trump corta verba e ameaça vacinas contra câncer e HIV

Gestão do republicano encerrou o financiamento a vacinas de RNA mensageiro (mRNA)

Anderson Ramos
Por Anderson Ramos
Pesquisas que desenvolvem vacinas contra doenças como câncer, HIV, Zika estão em risco
Pesquisas que desenvolvem vacinas contra doenças como câncer, HIV, Zika estão em risco - Foto: Agência Brasil

Pesquisas promissoras contra doenças como câncer,HIV, Zika e o vírus sincicial respiratório, além daquelas para a preparação global para novas pandemias estão em risco por conta de uma decisão do governo Donald Trump.

A gestão do republicano encerrou o financiamento a vacinas de RNA mensageiro (mRNA) O corte foi anunciado pela gestão de Trump como parte de uma mudança de foco para “plataformas mais seguras”, como as vacinas de vírus inativado — tecnologia mais antiga e considerada ultrapassada por muitos especialistas.

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“É um retrocesso. As vacinas de vírus inativado não podem ser aplicadas em pessoas imunodeprimidas, idosos ou gestantes — justamente os grupos mais vulneráveis”, explica Jean Gorinchteyn, infectologista e secretário de Saúde de São Bernardo do Campo (SP) ao G1.

As vacinas de vírus inativado são produzidas a partir do vírus real, que é cultivado em laboratório e posteriormente “morto” por processos químicos ou físicos. Esse método, usado em imunizantes como o da febre amarela e da poliomielite, tem a vantagem de ser mais barato e fácil de armazenar. No entanto, gera uma resposta imunológica mais fraca e exige doses de reforço frequentes.

Já as vacinas de RNA mensageiro representam um salto tecnológico. Elas não contêm o vírus, mas sim uma sequência de RNA com instruções para que o organismo produza uma proteína semelhante à do patógeno, ativando o sistema imunológico.

Durante a pandemia de covid-19, as vacinas de mRNA, como as desenvolvidas pelas farmacêuticas Pfizer e Moderna, permitiram uma resposta rápida e eficaz à emergência sanitária. Elas foram produzidas em tempo recorde, tiveram alto índice de eficácia e ajudaram a reduzir hospitalizações e mortes em todo o mundo.

Negacionismo

Mesmo com esse histórico, o governo Trump insiste em alegações sobre a segurança dos imunizantes — o que, para especialistas, reflete uma agenda política alinhada ao movimento antivacina e não baseada em evidências científicas.

Para a infectologista Luana Araújo, a medida é sintoma de uma “aliança entre ignorância e ideologia”, que nega avanços científicos comprovados e coloca em risco a saúde pública.

“É uma decisão criminosa do ponto de vista sanitário. Nega os dados, o histórico da pandemia e o futuro das descobertas científicas”, afirma.

Outro temor dos especialistas é que a decisão alimente ainda mais o movimento antivacina, que já vinha ganhando força nos EUA nos últimos anos.

“Quando a hesitação parte de um líder de Estado, o impacto é muito maior. Isso gera medo, insegurança e afasta investidores”, afirma Stephen Stefani, oncologista da Oncoclínicas e da membro Americas Health Fundation.

A alegação do governo de que vacinas mRNA seriam “instáveis” ou “inseguras” já foi refutada por diversas agências de saúde, incluindo a FDA (agência reguladora dos EUA), a OMS e estudos revisados por pares.

“Não existe nenhuma comprovação científica de que essas vacinas causaram doenças graves. Isso é fake news”, reforça Fernando de Moura, oncologista da BP - A Beneficência Portuguesa de São Paulo.

O que pode acontecer agora?

Ainda não se sabe se os estudos em andamento serão imediatamente interrompidos ou se o corte afetará apenas novos projetos. Mas o risco existe — e preocupa.

“Se um paciente está com a doença controlada e o centro de pesquisa perde o financiamento, o tratamento pode ser suspenso”, alerta Moura.

“Vamos levar o dobro do tempo para alcançar resultados que estavam próximos. E o sofrimento adicional dos pacientes estará nas costas de quem tomou essa decisão”, conclui Luana Araújo.

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corte de investimento em vacinas governo Donald Trump negacionismo

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