Encravada no sertão baiano, a região é brindada pelos cânions do Rio São Francisco e tem praias de água doce
A localidade pode ainda não ser a Nova Zelândia brasileira, como dizem os entusiastas de seu turismo de aventura. Mas um passeio de catamarã entre os cânions do Rio São Francisco é de encher os olhos de quem vai a Paulo Afonso. Mesmo não sendo a meca dos esportes radicais brasileiros, com certeza, o município baiano trabalha para isso. Cresce o número de aventureiros interessados nos seus paredões, ideais para tirolesa e rappel. Sem falar na Reserva Ecológica Raso da Catarina.
Nesta bela e agreste área de 6.400 km², com vegetação e fauna típicas da caatinga, o audacioso visitante pode ter também o seu dia de cangaceiro. Mas não pode esquecer de levar água suficiente para um dia, chapéu e protetor solar. Aliás, Lampião e seu bando já se esconderam numa gruta pertinho da grande Cachoeira de Paulo Afonso, a Furna do Morcego, de entrada camuflada por um véu de água. Os macacos (policiais na linguagem cangaceira) passavam por ali sem desconfiar da nada.
Paulo Afonso é uma boa dica para quem busca uma Semana Santa de emoções numa região que, muito tempo antes de palavra radical entrar no vocabulário dos intrépidos desportistas, ganhou fama nacional com suas quatro usinas hidrelétricas. Em pleno sertão nordestino, a cidade foi transformada numa ilha artificial após a construção das usinas, resultando na formação de praias de água doce boas para esportes náuticos e com restaurantes simples às margens.
Uma ponte metálica com mais de 80 metros de altura sobre o Velho Chico serve de base para saltos de bungee jump, base jump e rope swing. Paulo Afonso tem rede hoteleira modesta, mas tem agências com boas opções de passeios. Sua topografia atrai os adeptos das subidas e descidas arriscadas. Por sua vez, os cânions navegáveis do São Francisco estão entre os maiores do mundo, com 65 km de comprimento.
DICAS DE PASSEIO
FRANCISTUR (Tel. 75 3281-4488/3225):
Passeio de catamarã - É feito entre os cânions do São Francisco e custa R$ 55 por pessoa (comida e bebida à parte). Inclui transporte de ida e volta à cidade. Sem o traslado, custa R$ 30.Pacote de viagem - Dura duas noites e três dias ao preço de R$ 440 por pessoa. Inclui aéreo (ida e volta) pela BRA (tel. 3453-6020), hospedagem com café da manhã, todos os traslados e passeio de catamarã. O interessado pode acertar o passeio antes mesmo da viagem.Aéreo - A passagem de ida ou volta, comprada separadamente, custa de R$ 79 a R$ 99 mais taxa de embarque de R$ 19,62 (crianças com menos de 2 anos de idade pagam 10% do valor integral). Há saídas de Salvador às terças e quintas-feiras, às 9h25 com chegada às 10h10.Estradas - O precário estado da BR-110, principalmente a partir de Ribeira do Pombal, atrasa sobremaneira a viagem e põe em risco a segurança dos passageiros. CABRALTUR (Tel. 75 3281-2757):Raso da Catarina - O passeio de um dia custa R$ 400 para grupos de até 12 pessoas, sem incluir bebida e comida.Transporte - A excursão é feita em veículo com tração 4 x 4 devido ao terreno acidentado.Distâncias - De Paulo Afonso ao povoado de Juá são 60 km mais 12 km de cânions, dentre outros trajetos.Cestas básicas - O Ibama franqueia a entrada no parque mediante a entrega de duas cestas básicas por pessoa (custam no mercado da cidade entre R$ 20 e R$ 25 cada), destinadas aos índios pankararés, habitantes da região. OUTROS CONTATOS:Aeroporto - Tel. 75 3281-2136Rodoviária - Tel. 75 3281-9474Oásis Turismo - Tel. 75 3282-0088Top Turismo - Tel. 75 3281-1853Hotel Belvedere Tel. 75 3281-3814Hotel San Marino - Tel. 75 3381-3026Palace Hotel - Tel. 75 3281-4521Pousada Acalanto - Tel. 75 3281-9314 Chapada Diamantina, paraíso de águas Berço de 90% dos rios baianos, a Chapada Diamantina tem um parque nacional que, por si só, já vale a visita. Porém, o legado do diamante é outro forte apelo regional, que tem na cidade de Lençóis seu melhor exemplo. Apelidada de Vila Rica da Bahia no século XIX, auge do garimpo, a cidade é referência em hotelaria e excursões que levam a cachoeiras, grutas belíssimas, vales e rios, muitos rios. Distante 425 km de Salvador pelas BR-324, BR-116 e BR-242, Lençóis tem casario antigo bem preservado e população da quase 10 mil habitantes. Um aeroporto em condições de receber vôos comerciais facilita o acesso, inclusive, para visitantes de outros Estados. Na Chapada brilham ainda as cidades de Mucugê, Andaraí, Rio de Contas e outras também surgidas com o garimpo diamantífero. A Cachoeira da Fumaça, o Morro do Pai Inácio, a Gruta Azul, o Vale do Pati e o Vale do Capão são alguns dos emblemas desta região de turismo consolidado e opções de hospedagem para variados gostos e bolsos. O catolicismo dos seus moradores proporciona uma Semana Santa de intensa programação religiosa enquanto no Marimbus (pantanal baiano), o ritmo é de passeios de barco. SERVIÇOComo chegar - Tomando Lençóis como referência, percorrer a BR-324 até o entroncamento com a BR-116; seguir até antes da ponte sobre o Rio Paraguaçu e pegar a BR-242. Por fim, entrar na estrada de 12 km até a cidade. Total: 425 km.Onde ficar - Em Lençóis: Portal Lençóis (tel. 75 3334-1233). Em Andaraí: Pousada Sincorá (tel. 75 3335-2210). Em Mucugê: Pousada Mucugê (tel. 75 3338-2210); Alpina Resort (tel. 3451-4900), pacote com três noites, dois jantares, café da manhã e churrasco na piscina e guias para passeios. Preço: R$ 320 por pessoa em aptº duplo. Em Igatu: Pousada Pedras do Igatu (tel. 75 3335-2281). Em Rio de Contas: Pousada Rio de Contas (tel 77 3475-2090).Pacotes - Pela Shalom (tel. 3451-1555), excursão rodoviária para Mucugê, Lençóis, Vale do Capão, Iraquara e Palmeiras, na Semana Santa, de 13 a 16/04, por 5 x R$ 85 por pessoa. No Hotel Portal Lençóis, pacote de 13 a 16/04 com café da manhã, jantar e late check-out. Preço a partir de 3 x R$ 150 por pessoa. Recôncavo, umbigo da cultura afro-baiana Se o Rio Paraguaçu nasce na Chapada Diamantina, ele deságua no Recôncavo baiano, embrião do samba-de-roda e, junto com Salvador, reduto da mais forte influência africana na Bahia. Cachoeira e São Félix herdaram muito do tempo colonial, com seus engenhos de cana-de-açúcar, ricas igrejas, conventos barrocos, ruas e vielas e calçamento de pedra. Na mesma região, está Santo Amaro da Purificação, que compartilha das mesmas manifestações folclóricas e da autêntica culinária do Recôncavo, onde se destaca a famosa maniçoba. O prato não é para qualquer pessoa desacostumada a fortes temperos. É feito com folhas de mandioca bastante cozidas e temperadas com todos os ingredientes de uma feijoada. Uma das vantagens do Recôncavo é a sua proximidade com a capital. O início da BR-324 é duplicado e bem sinalizado. A região teve grande importância na colonização e no Império, sobretudo pela sua produção fumageira e canavieira. Seus rios proporcionavam acesso fácil ao Porto de Salvador, através da baía. O transporte marítimo e fluvial reinou na região até a disseminação das rodovias, em meados do século XX. SERVIÇOComo chegar - Para chegar a Cachoeira/São Félix (separadas pela ponte metálica Dom Pedro II), o visitante deve seguir o Km-59 da BR-324 até o entroncamento da BA-026. De lá, percorrer 11 km até Santo Amaro e mais 38 km até o destino final.Onde ficar - Em Santo Amaro: Enseada do Caeiro Eco Resort (tel. 71-3264-3000), na Praia de Saubara. Em Cachoeira: Pousada do Convento (tel. 75 3425-1716), na Praça da Aclamação.Atrativos - Centro Cultural Dannemann (Cachoeira), tradicional fábrica de charutos em atividade desde 1873 (tel. 75 3425-2208). Convento dos Humildes (Santo Amaro), de 1793, construção histórica que mantém um museu, órgão, alfaias e azulejos portugueses.Pacote - Intertour (tel. 3432-5558): Semana Santa no Enseada do Caeiro Eco Resort (litoral de Santo Amaro), de 13 a 16/04, com café da manhã e jantar. Preço: 12 x R$ 51 por pessoa.