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TOC tem mensagem edificante, mas poucas gargalhadas

João Paulo Barreto* | Especial para A TARDE, do Rio de Janeiro
Por João Paulo Barreto* | Especial para A TARDE, do Rio de Janeiro
Tatá interpreta a atriz Kika K em nova comédia
Tatá interpreta a atriz Kika K em nova comédia - Foto: Divulgação

Nome que desponta como um dos mais representativos da nova geração de comediantes brasileiras, Tatá Werneck tem em seu primeiro filme como protagonista principal o veículo ideal para destacar seu já notório estilo de fazer piadas com respostas e observações rápidas acerca de qualquer assunto.

"TOC - Transtornada Obsessiva Compulsiva" traz diversos momentos no qual é perceptível o domínio da atriz na criação de diálogos nonsenses, que vão desde a descrição de sonhos (momento único no qual até a Timbalada vira piada), passando pelo humor físico, porém não muito eficiente, e na batida representação do TOC utilizando o ato de não conseguir pisar em linhas (já visto com Jack Nicholson em Melhor é Impossível).

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No entanto, além de comédia, TOC até que se arrisca em um campo mais denso. Aqui, o drama em questão está na análise da tal busca pela felicidade. No caso, a Kika K vivida por Werneck, apesar de bem sucedida como atriz, não consegue ser feliz em seu relacionamento com um namorado pervertido (Bruno Gagliasso, se divertindo como Caio Astro), lançando um livro (que ela não escreveu) ou assinando o contrato que a colocará como estrela da próxima novela.

Com tudo convergindo positivamente, Kika, porém, não se enxerga feliz. "Nós queríamos falar sobre essa questão da felicidade, sobre essa dor e angústia. E, claro, sobre TOC. Acabou sendo uma forma de falar desse controle que queremos ter o tempo todo sobre a vida, que é ilusório e que faz que fiquemos sempre à deriva", observa Tatá em um dos poucos momentos sérios da entrevista. "Abordar uma doença como TOC em uma comédia era algo delicado que buscamos tratar com respeito, sem tentar tirar sarro de pessoas que sofrem disso", salienta.

Videoclipe

Utilizando uma montagem rápida, que investe na ambientação de videoclipe ao inserir em cortes secos imagens a representar a confusão mental de Kika, o diretor Téo Poppovic afirma que essa "foi uma forma de usar a poluição visual de modo a emular um pouco a vida cheia de estilos e interferências que a atormenta". Parceiro da atriz no programa Comédia MTV, Poppovic já tinha familiaridade com o gênero.

Para Paulinho Caruso, codiretor, a experiência era um tanto nova. Caruso, que traz na carreira alguns curtas-metragens de destaque (dentre eles o ótimo Penas, baseado na obra de Laerte), fala sobre o desafio de assumir um projeto de veia cômica.

"O Penas é um curta que, apesar de não ser propriamente uma comédia, você acaba vendo com um sorriso no rosto. Foi algo que levou para esse momento. O desafio de fazer o TOC é pelo fato de que comédia no Brasil sempre foi visto como um subgênero devido a seu alcance popular", explica.

Na fala de um personagem ao descobrir que Kika é atriz de filmes de comédia ("Pô, pensei que você fazia cinema"), nota-se que uma lição já foi bem aprendida: saber como fazer piada de si mesmo.

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