A TARDE ESG
O futuro da Economia Azul passa pelas mulheres baianas
Valorizar as mulheres da Economia Azul é uma questão de justiça social


Muito se fala sobre o potencial da Bahia para liderar a Economia Azul no Brasil. Afinal, poucos estados reúnem uma combinação tão favorável de recursos naturais, biodiversidade, tradição pesqueira, infraestrutura portuária e vocação turística. Mas há uma pergunta que precisa ser feita: quem será protagonista desse novo ciclo de desenvolvimento? A resposta passa, necessariamente, pelas mulheres.
Quando se discute a economia do mar, a atenção costuma se voltar para grandes investimentos, inovação tecnológica, logística portuária ou energias renováveis. Todos esses setores são fundamentais. Entretanto, antes mesmo de a expressão "Economia Azul" ganhar espaço nas agendas governamentais, milhares de mulheres já sustentavam silenciosamente essa economia nos manguezais, nas praias e nas comunidades costeiras da Bahia.
Marisqueiras, pescadoras, beneficiadoras do pescado e pequenas empreendedoras exercem um trabalho essencial para a segurança alimentar, a geração de renda e a preservação dos ecossistemas. Mais do que produzir alimentos, elas acumulam conhecimentos sobre marés, espécies, ciclos naturais e formas sustentáveis de manejo, constituindo um patrimônio cultural e ambiental que nenhuma tecnologia consegue substituir.
Apesar disso, continuam enfrentando um paradoxo: são indispensáveis para a economia costeira, mas permanecem pouco visíveis nas estatísticas, nas políticas públicas e nos espaços de decisão. Enquanto o trabalho masculino costuma ser associado à pesca em alto-mar, grande parte das atividades desempenhadas pelas mulheres ainda é tratada como complementar, embora seja decisiva para o funcionamento de toda a cadeia produtiva.
A Economia Azul representa uma oportunidade para corrigir essa distorção histórica. Seu conceito não se limita ao crescimento econômico; pressupõe desenvolvimento sustentável, inovação e inclusão social. Isso significa reconhecer que o futuro do mar depende tanto da ciência e da tecnologia quanto da valorização das pessoas que há gerações convivem com esse território.
A Bahia tem condições de ocupar posição de destaque nesse cenário. Mas isso exigirá investimentos em educação, qualificação profissional, acesso ao crédito, inovação, proteção social e produção de dados que revelem a real participação feminina na economia costeira. Exigirá, sobretudo, que mulheres estejam presentes onde as decisões são tomadas: nos conselhos, nas associações, nas universidades, nas empresas e na formulação das políticas públicas.
Valorizar as mulheres da Economia Azul não é apenas uma questão de justiça social. É reconhecer que desenvolvimento sustentável se constrói aproveitando todos os talentos de uma sociedade. Se a Bahia pretende transformar o mar em uma das principais alavancas do seu futuro, precisará navegar na direção da igualdade. Afinal, uma economia verdadeiramente azul só será completa quando tiver também o rosto, a voz e a liderança das mulheres baianas.
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*Isabel Ribeiro é economista com mestrado profissional em gestão ambiental na indústria com foco em produção, ex-presidente do Conselho Regional de Economia da Bahia onde Coordena a Comissão Mulher e Diversidade, gerente da Unidade de Gestão Estratégica do Sebrae Bahia, membro do Conselho Deliberativo do Sebraeprev e do Conselho Fiscal do ACBEU, [email protected]


