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Bahia lidera avanço da irrigação sustentável e se destaca no agronegócio nacional

Irrigação na Bahia cresceu de forma expressiva nos últimos anos

Laura Pita*
Por Laura Pita*
Irrigação tem se mostrado ferramenta essencial não só para aumento da produção no campo, mas também para a resiliência climática
Irrigação tem se mostrado ferramenta essencial não só para aumento da produção no campo, mas também para a resiliência climática -

Em meio aos desafios das mudanças climáticas e da crescente demanda por produção de alimentos, a adoção de tecnologias que aliem eficiência produtiva e preservação ambiental se torna indispensável para o agronegócio.

Nesse contexto, técnicas de irrigação sustentável fortalecem a diversidade da produção agrícola e consolidam a Bahia como protagonista no mercado nacional e internacional. Contudo, esse avanço enfrenta entraves significativos, como a necessidade de maiores investimentos em inovação e capacitação.

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Nos últimos anos, a irrigação na Bahia cresceu de forma expressiva, tornando o estado o segundo com maior área irrigada do Brasil, atrás apenas de Minas Gerais. Nesse crescimento, a atuação do oeste baiano é destaque, onde a área irrigada saltou de 232,8 mil para 332,5 mil hectares entre 2002 e outubro de 2024.

Segundo o pesquisador em Climatologia e Sensoriamento Remoto da Embrapa Milho e Sorgo, Daniel Guimarães, em 2024, o município de São Desidério, no oeste da Bahia, ultrapassou Paracatu (MG) e passou a liderar em área irrigada no País. Em 2025, São Desidério chegou a 114 mil hectares irrigados, enquanto Paracatu registrou 94 mil.

Potencial hídrico O crescimento da irrigação na Bahia está ligado a fatores estratégicos, de acordo com a analista ambiental da Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), Glaucia Araújo.

Em primeiro lugar, destaca-se o avanço dos estudos sobre o potencial hídrico do oeste da Bahia, que têm demonstrado condições seguras para a expansão da agricultura irrigada. Esse crescimento também está associado à adoção de tecnologias modernas, que vão desde equipamentos até softwares, resultando em processos produtivos mais eficientes.

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Em Luís Eduardo Magalhães, a Fazenda Santa Isabel aplica estratégias sustentáveis na irrigação de sua produção, formada principalmente por algodão e soja. Eles utilizam pivô central maior, o que resulta em menor gasto energético em comparação aos pivôs comuns da região.

Esse consumo reduzido está relacionado ao sistema de bombeamento. A maior parte da irrigação é realizada à noite, aproveitando melhor a água devido à evapotranspiração, e cerca de 25% da irrigação diurna é alimentada por energia solar.

Para garantir a eficiência, os canais que levam água do reservatório até o bombeamento são revestidos com geomembranas, evitando perdas por infiltração. A fazenda também conta com estações meteorológicas, que auxiliam na tomada de decisão para a produtividade.

"Conseguimos plantar duas safras por ano, produzindo mais em uma área menor". O produtor da Fazenda Santa Isabel enxerga a irrigação sustentável como um futuro próspero para o agronegócio baiano, unindo eficiência, rentabilidade e responsabilidade social por meio do uso consciente dos recursos naturais.

Além de elevar a eficiência produtiva, a irrigação sustentável contribui para a manutenção do ciclo hidrológico e a recarga de mananciais hídricos, segundo Glaucia Araújo.

Outro aspecto fundamental é a capacidade da irrigação de reduzir os riscos associados às mudanças climáticas. As práticas sustentáveis envolvem plantio direto, implantação de culturas alternativas, manutenção da cobertura vegetal e rotação de culturas, o que contribui para a conservação ambiental e a sustentabilidade da agricultura no longo prazo.

No entanto, a irrigação sustentável ainda enfrenta desafios. O maior problema nessa mudança de paradigma é a falta de conhecimento técnico, pois irrigantes e técnicos em várias áreas irrigadas precisam de mais treinamento.

Os custos iniciais também representam um obstáculo, como no caso de substituir um sistema de aspersão por gotejamento, conforme aponta Marcos Braga, pesquisador da Embrapa Hortaliças.

Marcos Braga alerta que superar esses desafios e difundir a irrigação sustentável é urgente, pois, se nada for feito, o País poderá enfrentar sérios problemas de abastecimento de água e alimentos. Ele conclui que

A irrigação sustentável é mais do que uma ferramenta de produção, é uma tecnologia, uma estratégia de resiliência, inovação e sustentabilidade para o futuro”

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