A TARDE AGRO
BNDES libera R$ 54 milhões para usina modernizar produção na Bahia
Recursos do Fundo Clima serão usados em 490 hectares e na geração de energia com bagaço de cana


A Agrovale, em Juazeiro, no norte da Bahia, receberá R$ 53,99 milhões em financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para modernizar sistemas de irrigação e geração de energia.
As operações foram estruturadas pelo Bradesco, agente financeiro credenciado do BNDES, com apoio da Gerência Nordeste do banco. Os investimentos fazem parte do Programa Fundo Clima e têm como foco o uso mais eficiente da água e da energia na unidade da Agrovale.
Do total aprovado, R$ 39,27 milhões serão destinados à modernização da irrigação, enquanto outros R$ 14,72 milhões financiarão melhorias no sistema de geração térmica a biomassa.
A mudança na irrigação alcançará aproximadamente 490 hectares de cana-de-açúcar. O projeto prevê a substituição do sistema por gravidade pelo modelo de gotejamento, permitindo maior controle da quantidade de água aplicada nas plantações.
Irrigação por gotejamento deve reduzir perdas de água
Com a nova estrutura, a Agrovale estima alcançar uma eficiência operacional de cerca de 95%, reduzindo as perdas hídricas para menos de 5%.
O projeto inclui estação de bombeamento, sistemas de filtragem, tubulações, válvulas de controle, automação hidráulica e emissores de gotejamento. Também estão previstas adequações nas áreas de cultivo, instalação de estruturas elétricas e hidráulicas, montagem dos equipamentos e testes de funcionamento.
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Segundo o BNDES, a modernização permitirá uma distribuição mais uniforme da água e maior precisão na aplicação de fertilizantes por meio da fertirrigação. A área irrigada não será ampliada com o projeto.
Bagaço da cana será aproveitado na geração de energia
A segunda frente de investimentos prevê a modernização da geração térmica da unidade industrial. A operação de R$ 14,72 milhões financiará atualizações na caldeira e nos sistemas de combustão, automação, instrumentação e controle.
A estrutura utiliza bagaço de cana-de-açúcar como combustível renovável. Com os novos equipamentos, a empresa pretende aumentar o aproveitamento energético do resíduo produzido durante o processamento da cana e reduzir perdas na operação.
Também estão previstas melhorias em sistemas de monitoramento e isolamento térmico, além da atualização de equipamentos relacionados à geração de energia.
Projeto mira eficiência no semiárido
Para o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, os investimentos devem contribuir para ampliar a eficiência no uso da água e da energia em uma atividade relevante para o semiárido.
“Os investimentos aprovados contribuem para aumentar a eficiência no uso da água e da energia em uma atividade relevante para o semiárido brasileiro”, afirmou.
A superintendente Administrativo Financeira da Agrovale, Juliana Alves, destacou que os recursos permitirão incorporar tecnologia aos sistemas utilizados pela empresa.
“O apoio do BNDES, por meio do Fundo Clima, e a estruturação realizada pelo Bradesco, viabilizam investimentos importantes para a modernização da irrigação e o aumento da eficiência energética da nossa indústria”, disse.
Agrovale emprega cerca de 3 mil pessoas
Com mais de 50 anos de atuação no Vale do São Francisco, a Agrovale produz açúcar, etanol e bioeletricidade em Juazeiro. A empresa informa manter aproximadamente 3 mil empregos diretos.
Os novos investimentos concentram-se em duas áreas consideradas estratégicas para a operação no semiárido: a gestão dos recursos hídricos utilizados no cultivo e o aproveitamento energético do bagaço da cana.
A diretora de Global Trade & Finance do Bradesco, Marina Gravina, afirmou que a operação busca associar ganhos de eficiência à sustentabilidade da atividade produtiva.


