BEM-ESTAR ANIMAL
Sexagem 'in ovo' ganha força no Brasil e promete acabar com abate de pintinhos
Inovação identifica o sexo do embrião na incubação e atende à busca por avicultura sustentável


Uma tecnologia capaz de identificar o sexo do embrião ainda durante a incubação dos ovos começa a ganhar espaço no Brasil. Já utilizada em diversos países e considerada uma das principais inovações da avicultura global, a sexagem in ovo evita a eliminação de pintinhos machos logo após o nascimento.
O tema foi central no Encontro Nacional sobre Sexagem In Ovo no Brasil, realizado nesta segunda-feira, 3. O evento reuniu representantes do setor produtivo, empresas de tecnologia, instituições financeiras, organizações da sociedade civil e o poder público.
A inovação surge como uma alternativa direta a uma das práticas mais criticadas da avicultura mundial. Todos os anos, bilhões de pintinhos machos são descartados ao nascer por não gerarem ovos e não atenderem ao mercado de corte. Métodos tradicionais, como a trituração mecânica e a gaseificação, vêm sendo impulsionados à extinção por novas exigências éticas e regulatórias.
A experiência internacional demonstra que essa transformação já está consolidada em grandes mercados. Países como Alemanha, França e Itália restringiram o abate de machos e incorporaram a sexagem in ovo por vias regulatórias.
Atualmente, a tecnologia avança também nos Estados Unidos, na Austrália e na América Latina. Na União Europeia, cerca de 110 milhões das 393 milhões de galinhas poedeiras já são provenientes desse processo.
Este encontro representa um marco ao reunir governo, setor produtivo, empresas e sociedade civil. O diálogo demonstrou que há interesse e disposição para avançar de forma colaborativa, fortalecendo a inovação, a competitividade e o bem-estar animal Liane Soares - diretora da LICA Consultoria e Ação
Além da pressão regulatória, grandes redes varejistas e compradores globais passaram a exigir critérios mais rigorosos de responsabilidade animal em suas cadeias de suprimentos, abrindo mercado para produtores adequados.
Uma pesquisa nacional inédita, realizada pela YouGov a pedido da Innovate Animal Ag e apresentada durante o evento, revelou um cenário receptivo do mercado consumidor no Brasil:
Disposição de compra: 79% dos brasileiros afirmaram que comprariam ovos produzidos com sexagem in ovo;
- Valor adicional: 76% disseram estar dispostos a pagar um valor a mais pelo produto (média de R$ 3,87 a mais por dúzia);
- Sensibilidade ao tema: 73% demonstraram desconforto ao tomar conhecimento sobre o abate de pintinhos machos;
- Apoio à indústria: Embora 86% desconhecessem a tecnologia, 72% defenderam sua adoção imediata após compreenderem o funcionamento.
Maior desafio no país é disseminar a informação
Os dados indicam que o maior desafio no país não é convencer o público sobre a validade da inovação, mas sim disseminar a informação sobre o funcionamento da cadeia produtiva.
Startups e multinacionais do setor apresentaram soluções comerciais prontas para operação. A empresa alemã Orbem destacou um sistema que combina ressonância magnética e inteligência artificial. A ferramenta identifica o sexo do embrião sem perfurar a casca do ovo, eliminando riscos de contaminação e apresentando margem de erro inferior a 1%.
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Outra inovação apresentada foi a da startup alemã Omegga, que utiliza imagens espectroscópicas dentro das próprias incubadoras. Com IA, o equipamento acompanha o desenvolvimento embrionário sem necessidade de mover os ovos.
A tecnologia também gera valor econômico secundário: os ovos identificados como machos antes do desenvolvimento avançado podem ser redirecionados para a produção de vacinas, insumos industriais e ração animal.
Problemas com custos de implementação e financiamento
Apesar do consenso ético e das vantagens operacionais, a expansão da sexagem in ovo no Brasil esbarra nos custos de implementação e na ausência de linhas de financiamento específicas.
Integrantes do setor defendem incentivos fiscais, facilitação de importação de maquinário e políticas públicas que reduzam o aporte inicial dos incubatórios. Representantes do Ministério da Agricultura presentes ao evento sinalizaram que a criação de diretrizes nacionais depende do envio de demandas estruturadas pelo setor produtivo.
"O desafio agora não é provar que essa transformação é possível, mas construir as condições para que ela aconteça na velocidade que o Brasil precisa. Toda inovação passa por um momento em que parece cara. Depois, ela se torna o novo padrão", conclui Cristina Diniz, diretora geral da Sinergia Animal no Brasil.
O que é a sexagem in ovo?
A sexagem in ovo é uma tecnologia que permite identificar o sexo do embrião dentro do ovo antes do nascimento, evitando o descarte de pintinhos machos que não são usados para a produção de ovos.
Quais são os benefícios da sexagem in ovo?
Os principais benefícios incluem a redução do abate de pintinhos machos, a adesão a novas exigências éticas e regulatórias, além de potencializar a produção econômica ao redirecionar esses ovos para outros usos.
Como a tecnologia é aplicada na prática?
A tecnologia utiliza métodos avançados, como ressonância magnética e inteligência artificial, para identificar o sexo do embrião sem danificar a casca do ovo, garantindo precisão e evitando contaminações.
Qual a aceitação do mercado brasileiro para ovos produzidos com essa tecnologia?
Uma pesquisa indica que 79% dos brasileiros estariam dispostos a comprar ovos produzidos com sexagem in ovo, e 76% pagariam um valor adicional por esse produto.
Quais são os desafios para a implementação da sexagem in ovo no Brasil?
Os maiores desafios incluem os altos custos de implementação e a falta de linhas de financiamento específicas, além da necessidade de políticas públicas que apoiem o setor produtivo.


