A TARDE AGRO
Como o uso da inteligência artificial está desbancando o agro baiano?
A tecnologia já é utilizada em 41,9% das fazendas e agroindústrias do país


Cada vez mais rápida e acessível, a tecnologia tem sido uma ferramenta essencial para alavancar a eficiência produtiva em vários setores. Um deles é o agronegócio, que tem desbancado a forma em que os resultados no campo estão sendo demandados e ofertados.
O agronegócio brasileiro deverá ampliar sua produção de grãos em cerca de 75 milhões de toneladas até a safra 2032/33, de acordo com projeções do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), elaboradas em conjunto com a Embrapa.
Esse aumento na produção coloca o Brasil e, especificamente a Bahia, em um patamar estratégico no agronegócio, implementada ao uso da Inteligência Artificial (IA): a de aumento de produtividade ao mesmo tempo em que metas ambientais e climáticas precisam ser alcançadas.
A IA no campo está presente em forma de sensores, satélites e drones, em ferramentas de detecção de pragas e doenças por imagem em tempo real, além da pulverização seletiva e a previsão de estresse hídrico.
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De acordo com a engenheira agrônoma e projetista agropecuária Simoni Draghetti, as IAs estão permitindo que produtores e empreendimentos rurais possam ter mais acesso à informação, à tecnologia, e a tomadas de decisão importantes para a produtividade no agronegócio.
“As inteligências artificiais permitem que o setor tenha noção do que, como e quanto produzir, ao mesmo tempo em que permitem que a tecnologia aponte o momento de aplicação de defensivos, aplicação de insumo, correção de solo. Tudo isso de forma mais precisa. E essa tecnologia está na palma da nossa mão, desde aparelhos a até aplicativos”, explica ela.
IA e o boom na produção
A inteligência artificial está ganhando espaço no agronegócio brasileiro em ritmo acelerado. Estimativas da Fundação Getulio Vargas (FGV) indicam que a tecnologia já é utilizada em 41,9% das fazendas e agroindústrias do país, mais que o dobro do percentual registrado em 2022, quando a presença da IA era de 16,9%.
De acordo com a fundação, o avanço do uso da ferramenta digital não é apenas tecnológico, mas uma questão de sobrevivência e competitividade em um mercado de margens cada vez mais pressionadas.
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Dados de mercado e estudos da McKinsey e da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) apontam ganhos de produtividade evidentes com o uso da ferramenta.
A agricultura de precisão potencializada por IA pode elevar a eficiência em até 25%, enquanto o uso de tratores autônomos e sistemas de telemetria avançada promete incrementos de 22%. Uma forma de produzir mais, produzir melhor, com menos desperdício e maior previsibilidade.
Ainda conforme dados da FVG, em média, a adoção de tecnologias de IA no manejo integrado de pragas (MIP) tem proporcionado uma redução de 15% no uso de defensivos químicos nas áreas monitoradas, com aumento de até 70% na acurácia da detecção.
Inteligência no agro baiano
Para a engenheira agrônoma, a Bahia já desponta do uso da alta tecnologia através da IA e lidera a realizada à frente de vários outros países, entre elas, o georreferenciamento remoto, em regiões como o oeste baiano.
A também conselheira do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia da Bahia (CREA-BA), explica, entretanto, que esse avanço não está acompanhado em todas as regiões do Estado.
“Na região oeste da Bahia, isso é uma realidade constante e crescente, mas cada região da Bahia tem uma realidade diferente. Nós não podemos levar em consideração que uma região é igual a outra”, explica ela.
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A especialista explica, entretanto que, à medida que os avanços tecnológicos chegam no agronegócio, para o pequeno produtor até grandes empreendimentos rurais, o campo também fica atento à necessidade da educação tecnológica.
“Dentro dos sindicatos dos produtores rurais existe uma demanda, existem cursos técnicos e capacitação que os produtores rurais, tanto pequenos, médios e grande porte, podem ter acesso e implementar dentro da sua propriedade. Inúmeras empresas já têm aí tantos aplicativos, sites, máquinas que são conduzidas e aprimoradas pela IA. Isso já é realidade”, continua ela.


