DIA DO AGRICULTOR
Falta de apoio e infraestrutura ainda são entraves para produtor baiano
A agropecuária brasileira tem tido impactos diretos e indiretos diante das tensões internacionais


Para quem vive e sobrevive do campo, a inventividade na agricultura é um aliado imprescindível. As inovações com a tecnização, ampliação da pesquisa e integração com a indústria tem mudado a forma como o produtor se adapta às mudanças rurais.
Em 2017, a Bahia liderava, nacionalmente, o maior número de produtores agropecuários. Foram registrados 762.848 estabelecimentos agropecuários, de acordo com o Censo Agro 2017, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Bahia se destaca no agro
O setor no estado destaca-se pela produção de grãos no Oeste, como soja, milho e algodão, e pela fruticultura irrigada no Vale do São Francisco, apoiados por dados oficiais do IBGE. Além disso, a pecuária na Bahia se sobressai pela produção de galináceos e bovinos.
São essas culturas que fortalecem a importância da agricultura para a produção de alimentos no Brasil, mas antes de tudo, da pessoa responsável por essa missão. É isso que entende o presidente da Federação de Agricultura e Pecuária da Bahia (Faeb) e produtor rural, Humberto Miranda.
“Nós somos quase ¼ do PIB, somos quase 30% dos empregos e um dos setores com maior representação das exportações da Bahia. Mas além disso, é importante trazer a relevância do produtor para a vida das pessoas nas pequenas cidades, que são a maioria das 417 cidades. É o pequeno agricultor o responsável pelo maior peso na geração de emprego, de renda, do movimento da economia dessas pequenas cidades e para a fixação dessas pessoas no campo”, explicou ele.
Principais desafios ao produtor
Segundo o Insper Agro Global, a dependência do transporte rodoviário — que concentra mais de 70% da movimentação de cargas no país — é um dos principais fatores que impactam a eficiência do setor.
Na Bahia, isso não é diferente. Miranda explica que as estradas precisam de maior atenção, principalmente porque são estas por onde o produtor transita com os produtos.
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“Além disso, a distribuição de energia elétrica e hídrica para a produção são super importantes. Nós temos 70% do estado na região semiárida. Nós precisamos de um programa estatal de reserva hídrica no estado da Bahia. Estamos prestes a ter um El Niño, e aí surge a necessidade do carro-pipa, para animais, para a população, e a Bahia é um estado rico de água, a gente tem rios importantes, mas não se tem barragem”, continua ele.
O presidente também cita os desafios com a conectividade de informações, de tecnologia, educação e saúde para a população rural, segurança jurídica e rural para o produtor, acesso ao crédito e assistência técnica para quem está no campo.
Oportunidades no campo
Nos últimos meses, a agropecuária brasileira tem tido impactos diretos e indiretos diante das tensões internacionais que afetaram matérias-primas essenciais para a produção no campo. Diante de tamanhos desafios, uma data nacional remonta a necessidade de o agricultor estar sempre à frente do tempo: o dia do agricultor.
“Isso interfere diretamente nos preços dos insumos, do óleo diesel, e outras coisas que compõem o custo de produção da atividade agropecuária. E, por consequência, isso encarece o que o produtor está produzindo, seja o pequeno produtor, seja o empresário que produz para depois competir no mercado internacional.
Para Humberto Miranda, apesar dos impactos diretos no setor na Bahia, as instabilidades também se tornam oportunidade para o estado naquilo que se tem mais destaque.
“Só o Brasil tem capacidade de produzir comida para atender os principais mercados do mundo. Então, é uma oportunidade não apenas para o grande, mas para o pequeno e para o médio produtor, e a gente precisa se estruturar na Bahia para isso”, continuou ele.


