INOVAÇÃO NO CAMPO
Mecanização com biocombustível: agro não pode esperar mais
Iniciativas da MWM e da usina Caeté em Alagoas abrem caminhos para que a frota agrícola deixe de depender totalmente do óleo diesel


Participando do 41º Simpósio da Agroindústria da Cana-de-Açúcar de Alagoas, com FMC, após uma extraordinária programação da Stab, no maior evento do setor sucroenergético do Norte-Nordeste, uma grande pergunta me veio à cabeça: por que a mecanização da agropecuária brasileira não usou até hoje motores movidos com os biocombustíveis do Brasil, seja o etanol, o biodiesel ou o próprio biometano?
Trata-se de uma daquelas perguntas de natureza tão óbvia que nos traz a necessidade de ouvir e prestarmos mais atenção às crianças, pois delas somos sempre surpreendidos com perguntas simples e que paramos para pensar.
Temos no Brasil uma experiência extraordinária e bem-sucedida do etanol, surgida nos desafios da primeira crise do petróleo nos anos 1970, com o Proalcool. Temos, agora também, a opção do biodiesel e como biogás de gerarmos biometano.
Então, o que nos falta? Por incrível que pareça nos faltam tratores, colheitadeiras, implementos autopropelidos com motores para os nossos biocombustíveis. Fiz uma pesquisa e vi que iniciativas como essas começam a ocorrer, por exemplo pela fabricante de motores e geradores MWM, empresa hoje nacional do grupo Tupy. A companhia desenvolveu um motor para etanol que pode ser colocado em tratores zero ou adaptados nos veículos usados.
Qual a gigantesca importância da urgência de um planejamento para que todo agrobrasileiro utilize biocombustível brasileiro?
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Além de um extraordinário impulsionamento de investimentos, empregos e renda dentro do País, e com grandes oportunidades de exportação, iríamos dar segurança aos planos de transformação de áreas degradadas em agriculturas modernas e regenerativas, com um mercado para a cana-de-açúcar, o milho, a soja, madeiras, gigantesco com a utilização em toda mobilidade da agromecanização do Brasil.
Porém, além disso, hoje há algo ainda invisível, mas que será fator crítico de sucesso em pouquíssimos anos daqui pra frente: a sustentabilidade de alimentos, fibras, energia não será medida somente pelos aspectos dos tratos culturais, mas por modelos que não utilizem mais a energia fóssil para a produção dentro das porteiras das fazendas. Portanto, será impossível dizer que nosso agro tende ao carbono zero, se usamos energia fóssil no movimento dos tratores, pulverizadores, plantadeiras etc.
Agravante
E vem aí novo agravante na logística do antes e do pós-porteira das fazendas: somos, hoje, totalmente dependentes das energias fósseis, na chegada dos insumos, fertilizantes, como também nas saídas dos grãos, da cana, do café, algodão, frutas, hortaliças, carnes, tudo.
Não dá para esperar mais. Assim como num País de carros flex não ultrapassarmos 30% de participação no uso do biocombustível comparado com a gasolina. É esquisito. Temos uma grande oportunidade, que a tornemos realidade.
Parabenizo, ainda, a criação de um início de rede de postos “só etanol”, da usina Caeté, lá de Alagoas. Gostei, me deixou esperançoso, um dia veremos a mobilidade brasileira todinha movida com biocombustíveis do Brasil. Eles são nossos.


