Busca interna do iBahia
HOME > A TARDE AGRO
Ouvir Compartilhar no Whatsapp Compartilhar no Facebook Compartilhar no X Compartilhar no Email

NOVA PROTEÍNA

Proibida na Bahia, carne de jumento vira empanadas para argentinos

Na última semana, um restaurante argentino, em Trelew, na Patagônia, promoveu um evento de degustação de pratos feitos com a proteína

Carla Melo
Por
| Atualizada em

Siga o A TARDE no Google

Google icon
proteína de jumento é comercializada a um preço mínimo de 7500 pesos argentinos
proteína de jumento é comercializada a um preço mínimo de 7500 pesos argentinos - Foto: Adab / Divulgação

O abate de jumentos na Bahia ganhou novos capítulos após uma decisão da Justiça determinar a sua proibição no início deste mês. Agora, ficam suspensas a captura, comercialização e confinamento desses animais destinados a esse fim.

A medida foi tomada, mais uma vez, após a instância reconhecer
irregularidades no tratamento e indícios de práticas consideradas cruéis contra os animais. Além disso, a ação é uma forma de evitar a extinção da espécie, que de acordo com especialistas, é um cenário eminente.

Esse cenário, entretanto, não faz parte do cenário econômico e culinário de outros países como a
China, Europa, África e o México, que possuem cadeias produtivas mais firmes que o Brasil.

Recentemente, a carne ganhou novo mercado que está dando o que falar. Na
Argentina, a carne entrou no menu gastronômico e virou proteína de churrasco, de linguiças e até mesmo das empanadas.

Na última semana, um restaurante argentino, em Trelew, na Patagônia, promoveu um evento de degustação de pratos feitos com a proteína, que acabou em poucas horas.

Mercado global de jumentos

A iniciativa, idealizada pelo produtor rural argentino Julio Cittadini, já está ganhando o mercado global. Apesar de Cittadini afirmar que a iniciativa está ligada a um realinhamento da estratégia de produção de carne para atender o mercado local, a produção esbarra em um cenário de alta da carne bovina no país.

Muito similar ao sabor da carne bovina, a
proteína de jumento é comercializada a um preço mínimo de 7500 pesos argentinos (R$ 26,97 na cotação atual), enquanto a bovina pode chegar a 18 mil ou 19 mil pesos (R$ 65 ou R$ 69) — quase três vezes mais.

Um ponto a se destacar é que, mesmo sendo grandes consumidores de carne bovina, com uma média de consumo per capita de carne bovina (49,4 kg/hab/ano) bem acima de outros países, os argentinos sempre apreciaram outros tipos de carne, como a de guanaco e a de lhama.

Tudo sobre A Tarde Agro em primeira mão!
Entre no canal do WhatsApp.

Leia Também:

Além de carnes, o mercado de jumento também é robusto através do couro e até do leite do animal. Para a zootecnista Chiara Albano, esse mercado na Argentina, assim como em muitos países da Europa e na China, não é novo, e tem o Brasil como um dos principais exportadores.

“A exportação de carne e pele acontece principalmente por causa do couro, onde temos um único comprador que é a China. Os principais abatedouros de jumentos no Brasil são empresas chinesas porque eles têm interesse na pele. Eles levam também a carne, que também é vendida para alguns países na Europa”, aponta

Cenário de abates na Bahia

De acordo com a especialista, entretanto, o cenário de abates expõe riscos ao mercado interno, isso porque até mesmo o processo de criação e abate do animal é feito de forma inadequada, o que motivou a decisão da justiça em suspender o abate do animal na Bahia.

“A seleção de animais para o abate acontece principalmente com jumentos nordestinos. Atualmente, temos um problema de abandono de animais, o que impacta na diminuição da força animal no campo. Além disso, há riscos sanitários através de disseminação de doenças. Quando se abate de forma desorganizada, de machos e fêmeas, de uma quantidade grande de animais jovens, a gente perde a riqueza da variabilidade genética, a gente perde conhecimento desses animais que estão aqui há 500 anos”, explica Chiara Albano.

Apesar da decisão judicial, no Brasil, entretanto, esse mercado é pouco viável e tem pequena relevância no
agronegócio brasileiro.

“A produção de carne e de couro de jumento tem total dependência externa principalmente pelo couro. Dentro das questões econômicas de geração de negócios no Brasil, isso é muito baixo para o PIB do agronegócio. A criação de jumentos para abate não é viável economicamente, diferente da China que acontece de forma maior porque o governo tem interesse no produto e ele subsidia”, explica a especialista.

Siga o A TARDE no Google Notícias e receba os principais destaques do dia.

Participe também do nosso canal no WhatsApp.

Compartilhe essa notícia com seus amigos

Compartilhar no Email Compartilhar no X Compartilhar no Facebook Compartilhar no Whatsapp

Tags:

abate de jumentos agronegócio Argentina economia

Siga nossas redes

Siga nossas redes

Publicações Relacionadas

A tarde play
proteína de jumento é comercializada a um preço mínimo de 7500 pesos argentinos
Play

Rio São Francisco e o impacto na irrigação da fruticultura na Bahia

proteína de jumento é comercializada a um preço mínimo de 7500 pesos argentinos
Play

Prefeito de Canindé quer levar modelo agro da Bahia para Sergipe

x