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MELIPONICULTURA

Mel falso ou puro? Saiba se você está sendo enganado

Diversas propriedades ajudam a compor diferentes cores, sabores, cheiros e texturas do produto e entender a cultura das abelhas

Carla Melo
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Bahia possui variedades de mel e abelhas
Bahia possui variedades de mel e abelhas -

A terra do cacau, da laranja, do café e até do dendê vem dando dados calorosos e largos na economia brasileira. Há anos, a Bahia vem se destacando nos setores da agropecuária, da energia limpa e da mineração pela sua pujança natural e impulsão produtiva que alavancam o estado como uma das mais diversas do país. É a famosa terra onde tudo se dá.

Dentro dessa cadeia produtiva e promissora, está a meliponicultura, criação racional e manejo de abelhas nativas sem ferrão (ASF), inofensivas ao ser humano e essenciais para a polinização. São essas espécies de abelhas que estão adocicando ainda mais essa variedade de culturas

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Nos mercados e feiras de agricultura é possível ver essa pluralidade de méis. São diversas cores, sabores, cheiros e texturas, cada um carregando propriedades únicas e valores nutricionais riquíssimos que dão 10 a 0 em qualquer suplemento proteico.

Entretanto, uma dúvida bem comum para quem se surpreende com essa variação é se o mel é verdadeiro ou falso.

Macetes e testes práticos nas redes sociais parecem dar uma receita fácil para descobrir se você está sendo enganado pelos olhos. A criatividade nesses casos vai longe. Surgem desde truques com a dissolução em água até uso de fósforo para atestar a veracidade do mel.

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Todas essas crendices, entretanto, são mentiras. Pelo menos é o que explica o doutor em Ciências Agrárias, Rogério Alves. Segundo ele, as propriedades únicas de cada tipo de mel influenciam as dúvidas sobre o mel.

Teste da água e do fósforo

Ele explica que o mel da Bahia é totalmente diferente de outras regiões do Brasil. É um mel que costuma fermentar e ser mais líquido, isso porque a maior parte da sua composição possui mais água, em média 20% da sua composição.

Ele explica que essas crenças não condizem com a realidade. O pesquisador chega a usar como exemplo do teste da água, que consiste em derramar um pouco de mel num copo de líquido. O mel é erroneamente considerado puro se afundar e se acumular no fundo sem se dissolver rapidamente

“O nosso mel tem mais água, e a linha de mel que criou essa tradição é porque se dizia que o mel tem que ser grosso, denso. E não é verdade, porque o nosso mel, com 28% de umidade. Se você pegar e jogar um mel de Uruçu dentro da água, ele vai se misturar mais facilmente do que o outro. Então não corresponde à realidade”, explica ele.

A outra forma popular e caseira de se atestar o mel é mergulhar a ponta de um palito de fósforo no mel e tentar riscá-lo na caixa; se acender, o mel é provavelmente puro

“A densidade do nosso mel é menor porque tem mais água. Então, logicamente, você vai acender um palito de fósseis, não vai acender nenhum dos dois, mas mas acender em outro tipo porque o outro tem menos água”, explica o professor.

De onde surgiu essa crença de mel falso?

O professor explica que essa ideia de mel falso surgiu há muito tempo quando meleiros, pessoas que vendiam mel, produziam o produto, colocavam água e vendiam. Assim, ficou conhecido o mel de uma forma mais líquida.

“A única forma que diz alguma coisa é o lugol que a gente pode usar se foi misturado com amido. Mas não quer dizer que todo mel vai você vai usar lugol e vai dar é aquela uma reação em que mostra isso. Mas o lugol é químico, a gente faz a no laboratório”, explicou o engenheiro agrônomo.

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No teste do lugol (iodo), ao adicionar iodo à amostra, a cor azul-escura ou preta indica adulteração, enquanto o mel puro não altera significativamente sua cor.

A história do mel é antiga, desde a época em que os portugueses chegaram ao Brasil, em 1500. De acordo com relatos da carta de Pero Vaz de Caminha, indígenas, perceberam a diferença dos méis oferecidos pelos invasores.

“Até 1800 não tinha mel de abelha com ferrão aqui no Brasil. De vez em quando podia chegar um ou outro, já era sem ferrão. Os indígenas foram chamados pelos portugueses para visitar a caravela de Cabral e colocaram uma mesa repleta de figos e mel. Ao experimentarem o mel, eles cuspiram e apontaram que aquilo não prestava, porque o mel era grosso e o nosso mel era líquido. Isso já foi criado há muito tempo”, disse ele.

Então como identificar mel puro?

O professor ratifica: não há outra forma de identificar se o meu é verdadeiro se não em laboratório. De acordo com o especialista, é em um ambiente confiável que é possível identificar características físicas e químicas do produto.

Os testes físico-químicos avaliam umidade, açúcares e acidez, enquanto análises microscópicas (melissopalinologia) verificam o pólen, essencial para certificações. Técnicas modernas, como a espectrometria de massas (RMN), podem identificar fraudes em um minuto.

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Tags:

agricultura economia Mel Meliponicultura

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